sábado, 1 de julho de 2017

Resenha | Filme | Mulher-Maravilha

Finalmente um filme sobre uma heroína! Depois de anos vendo as mais variadas versões de Batman, Superman - e Homem-aranha, pela Marvel - chegou a vez da Mulher-Maravilha. Ela faz parte da Trindade de heróis da DC Comics, os três heróis mais poderosos e influentes do universo criado pela editora.

A heroína até teve sua série de TV e sua importância nos desenhos animados - longas e seriados. Mas em um mundo dominado pela Cultura Pop, por dezenas de filmes de super heróis lançados anualmente, já estava ficando feio ignorar essa personagem tão importante para a história dos quadrinhos...

Não que a gente não tivesse a Viúva Negra nos filmes da Marvel, mas convenhamos, temos 2 Os vingadores, 2 Capitão América, 1 Hulk, 2 Thor (+1 por sair) e 3 Homem de Ferro... e nenhum filme da Viúva Negra... ou do Gavião Arqueiro...

Ah, Soraya, mas Marvel e DC são editoras diferentes e...

Concordo, mas estou falando de forma generalizada de propósito. Na própria DC Comics, como comentei em cima, tivemos várias versões dos outros dois membros da Trindade, e só agora, no meio de 2017, é que finalmente conseguimos um filme para a Mulher-Maravilha. Nem estou falando por vieses feministas, nem nada... apenas estou dizendo que já não era sem tempo. Além disso, não vamos esquecer que ela foi a única coisa da qual ninguém pode reclamar em Batman vs Superman: a origem da justiça. E olha que sou do time que gostou do filme, apesar dos pesares.

*

Diana (Gal Gadot) é uma princesa amazona, que passou a sua vida inteira em Themyscira (ou Ilha Paraíso), uma ilha que permanece escondida do mundo dos humanos por milênios. Sem contato com homens e com as coisas que estão acontecendo no mundo deles, Diana é uma guerreira poderosa, porém inocente. Até que seu mundo de repente colide com o de Steve Trevor e seu destino começa a se mostrar para ela.

Steve Trevor é um espião do exército americano, que cai na ilha de Themyscira durante sua fuga do exército alemão - sempre eles. Ele é salvo por Diana e mais tarde, interrogado com ajuda do laço da verdade. Ele relata que o mundo está enfrentando uma guerra de proporções mundiais (mais tarde conhecida como Primeira Guerra Mundial) e que ele possui informações que podem colocar um fim ao conflito.

Hipólita, mãe de Diana e líder das amazonas, acredita que essa é a guerra pela qual estavam esperando, desde que Ares - o deus da guerra - desapareceu há milênios. No entanto, após tantos anos vivendo em paz e desejando proteger sua única filha do destino que a aguarda, Hipólita não quer tomar parte nos assuntos dos humanos. Algo de que Diana discorda, tendo passado a vida inteira se preparando para essa ocasião.

Diana, então, vai contra as ordens de sua mãe e decide partir com Steve para a Inglaterra, com o propósito de encontrar e enfrentar Ares.

Assim que chega em uma Inglaterra cinza e tomada pela guerra, Diana tem seu primeiro choque de realidade. Ao longo do filme, não faltam momentos em que Diana se depara com situações que a deixam ao mesmo tempo confusa e revoltada.

*

O que é interessante sobre esse filme é justamente a protagonista, que não segue o padrão do mito do herói e em nenhum momento foge do perigo. Ela quer se tornar uma guerreira, ela não espera que alguém a proteja, nem a oriente o tempo todo. Quando uma situação difícil se impõe, Diana é a primeira a ir enfrentá-la e salvar o dia... mais de uma vez!

Seu coadjuvante, Steve Trevor (Chris Pine), também é um personagem interessante. Se esse filme fosse um blockbuster comum, ele seria o herói que salvaria a mocinha e se colocaria em perigos desnecessários explicados apenas por um enredo cheio de testosterona. Aqui, ele se vê na inusitada situação de alguém que descobre que existe uma ilha escondida da humanidade, onde mulheres são guerreiras poderosas, que falam sobre deuses e um passado muito mais antigo do que ele possa imaginar. Mais do que isso, ele está acompanhado de Diana, uma mulher capaz de enfrentar um exército sozinha e levantar tanques de guerra! O que um simples homem poderia fazer para protegê-la?

Não que ele não tente. A inocência de Diana e sua paixão pela humanidade entram em conflito com as experiências de Steve e o tempo todo ele tenta fazê-la entender que o mundo real - o seu mundo - é cruel e que, às vezes, as pessoas são más, sem precisar da influência de um deus. E ele pode estar certo quanto a isso.

*

O final é a mais fraca do filme. Filmes de heróis têm dessas coisas, a necessidade de um final boss, uma luta espetacular entre dois personagens que estão acima dos demais personagens. É justamente a necessidade de repetir isso nesse filme, que faz com que a conclusão seja apressada e um pouco fora do tom. Porém, não chega a estragar a obra, que entrega aquilo que todo fã da DC Comics, de quadrinhos, do antigo desenho da Liga da Justiça queriam ver há muito: um bom filme com uma boa heroína.

[ATUALIZADO: Houveram outros filmes com heroínas, como Mulher-Gato, Eléctra, etc. Mas qualquer um que viu esses filmes, sabe que eles nem deveriam contar...]

Nenhum comentário:

Postar um comentário