sábado, 8 de julho de 2017

Livro | Resenha | Os três mosqueteiros - Alexandre Dumas

Os três mosqueteiros foi um dos livros que mais despertaram minha curiosidade ao longo desses anos como leitora. Eu conheci a história quando era criança, através do filme de 1993, que passava na Sessão da Tarde, com nomes como: Charlie Sheen (Aramis), Kiefer Sutherland (Athos), Oliver Platt (Porthos), Chris O'Donnell (D'Artagnan) e Tim Curry (Cardeal de Richelieu). Eu não lembro de muitos detalhes do filme, porque eu era muito pequena, mas lembro que me divertia quando passava... Hoje em dia acho apenas curioso que Charlie Sheen tenha atuado como Aramis...

A leitura é surpreendentemente fácil e fluída, por causa dos diálogos - cumpridos demais, na minha opinião, mas justificados pelo simples fato de que a história foi escrita em formato de folhetim e, à época, os autores ganhavam por página/palavras. Ou seja... para bom entendedor, meia palavra basta, mas para bom escritor, talvez seja necessário o dobro de palavras...

Calma, não estou falando mal do livro nem do autor. Eram outros tempos e o livro não é ruim. Longe disso. O que acontece é que eu e o Alexandre Dumas tivemos algumas diferenças ao longo dessa leitura. Enquanto eu tentava me lembrar que o livro foi escrito por volta de 1800 e que sua história se passa nos idos de 1600, e, por mais que eu tentasse entender que os personagens e suas atitudes refletissem essa época, algumas coisas na história iam me deixando cada vez mais desanimada com as diferenças culturais dos séculos que nos separam.

Outra dificuldade foi lidar com o protagonista, o rapazote D'Artagnan. Eu sei que boa parte desses personagens foram pessoas que realmente existiram, pois Os três mosqueteiros é um romance histórico. Mesmo assim, não consegui me desapegar da minha antipatia pelo protagonista. Ele tem todas aquelas qualidades clássicas dos heróis: ele é jovem, impulsivo, sagaz quando quer, apaixonado pelo sexo feminino e bom de luta. Ora, não tem como errar com um personagem desses. Além disso, a história tem um constante tom de aventura, comédia e ironia, então eu tenho certeza que o personagem e suas aventuras agradam muita gente (desnecessário dizer, já que o livro é um dos clássicos universais obrigatórios da literatura).

A história tem um ritmo acelerado, nunca ficando muito tempo parada, mas ao mesmo tempo, sem parecer chegar a lugar algum. O tempo todo D'Artagnan sai de uma situação difícil e logo se mete em outra, enquanto a trama principal acaba ficando esquecida por um tempo, para voltar triunfante no final. O que é muito bem feito pelo autor.

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D'Artagnan é um jovem que, por recomendação do pai, segue para Paris com o sonho de se tornar Mosqueteiro. Para isso, seu pai escreve uma carta para um amigo, o comandante dos Mosqueteiros, recomendando-lhe o filho para o serviço do rei. No entanto, no meio do caminho para Paris, D'Artagnan se mete em uma briga com um homem misterioso, que lhe rouba a carta. Na ocasião, ainda, D'Artagnan testemunha esse mesmo homem falando com uma mulher que aparenta ser da alta sociedade.

Em Paris, os problemas de D'Artagnan não terminam. Ao reconhecer o homem com quem teve aquela desavença, ele começa a persegui-lo pela cidade, esbarrando em outras pessoas pelo caminho: os três mosqueteiros mais encrenqueiros de Paris. O primeiro, Athos, marca um duelo para o meio-dia. O segundo, Porthos, marca outro duelo para a uma hora. O terceiro, Aramis, outro duelo para as duas horas. O encontro dos quatro homens é interrompido pelos guardas do Cardeal, com quem travam uma batalha sangrenta. Pelo valor demonstrado em combate, D'Artagnan conquista a confiança dos outros três e a partir desse momento, eles não mais se separaram. E aí está a minha parte favorita do livro inteiro: a amizade entre os quatro personagens centrais. "Todos por um e um por todos".

O Cardeal de Richelieu é logo no começo apontado como o principal vilão do livro, porém, mais adiante, quem se destaca é Milady. Geralmente, assim como não morro de amores por protagonistas, também não costumo gostar dos vilões. Ou, pelo menos, não tenho a tendência de "romantizar" ou "simpatizar" com eles. Porém, nesse livro, minha personagem favorita foi justamente Milady. Não que tenha sido assim logo de primeira, mas à medida que Dumas deu mais espaço para a personagem e suas maquinações, eu não consegui mais desgrudar os olhos do livro.

Apesar de não ser uma personagem trabalhada profundamente e tendo apenas ambição como força motriz, Dumas conseguiu me convencer que essa mulher é forte, inteligente e perigosa.

Nenhuma outra mulher na história recebe melhor tratamento do autor. Algumas mais inocentes e outras mais indecentes, todas parecem "vis e danosas". Porém, é aquela coisa, esse é um livro escrito em outra época, refletindo valores de outras épocas.

Os três mosqueteiros é uma boa pedida para quem gosta de aventuras e personagens caricatos. É uma história leve e bem humorada, que leva seu próprio tempo para evoluir para algo mais sério e até violento.

Apenas procure não ser tão mal humorado quanto eu e vai aproveitar melhor...

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Os três mosqueteiros é o primeiro livro d'A trilogia dos mosqueteiros, composta também pelos livros Vinte anos depois e O Visconde de Bragelonne. O primeiro livro foi adaptado várias vezes e se tornou uma história conhecida no mundo todo - mesmo quem não leu os livros conhece os nomes de Athos, Porthos, Aramis e D'Artagnan. O filme O homem da máscara de ferro adapta a história do terceiro livro.

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