sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Série | Resenha | Between - Primeira temporada

Em uma pequena cidade chamada Pretty Lake, todos os habitantes com mais de 22 anos morrem misteriosamente em um curto espaço de tempo. O governo coloca a cidade em quarentena e isola os jovens dentro daquele perímetro. A partir daí, crianças, adolescentes e adultos em formação precisam superar suas perdas, organizar uma nova sociedade e lidar com as confusões frequentes. O que não dá muito certo. Nem na ficção, nem na realidade.

O que acontece é que a premissa não é nem original, nem se sustenta. No filme francês Cidade das crianças e no livro/filme inglês O senhor das moscas já vimos o que pode acontecer com crianças criando uma sociedade sem supervisão de adultos; No filme Simpsons - o filme e no livro/série Sob a redoma vemos no que dá uma cidade ficar completamente isolada do mundo. Ou seja, o criador Michael McGowan juntou essas duas premissas, misturou de qualquer jeito e fez uma série voltada para o público jovem... que não é boa.

Muito se comenta a respeito das histórias escritas e seriadas para o público adolescente. A maioria parece mais um copia e cola de outras obras. Basta adicionar um romance, um triângulo amoroso e um jovem para salvar o mundo e pronto: temos um sucesso de público inexplicável. O mesmo acontece com Between.

Pela própria premissa da série temos predominantemente adolescentes lidando com um mundo que é apenas deles. Sem adultos. Mesmo que, tecnicamente, você já possa considerar jovens de 18 a 21 anos como adultos, mas quem já passou dessa idade, sabe que a gente não se sente adulto até ter que trabalhar e pagar as dívidas...

De qualquer forma, a série tem um grupo de personagens principais:

Willey Day (Janette McCurdy, que praticamente sustentava ICarly como a inesquecível Sam). Willey começa a série como uma adolescente grávida, filho do reverendo, com uma relação difícil com os pais e a irmã mais velha, Melissa (Brooke Palsson). E termina  a série como uma mãe adolescente que abandonou o filho mais vezes do que o número de episódios (6 por temporadas) e tem uma conversa de 2 minutos com a irmã. Janette é a atriz mais esforçada do elenco, que é marcado por atuações ruins.

Adam Jones (Jesse Carere) é um gênio da computação, a grande promessa intelectual da cidade, e o único que parece realmente interessado em descobrir o que está acontecendo e quem está por trás de todos os estranhos eventos da cidade. Esse tinha tudo para ser o melhor personagem da série, aquele nerd abelhudo de quem todo mundo gosta. Porém, acaba completamente apagado pelo seu interprete. No começo dá até para deixar passar, achando que ele vai se encontrar no papel e que a coisa toda vai melhorar, mas não melhora. Pense numa pessoa que morreu e ainda não percebeu. É assim a atuação de Carere.

Gord é um personagem interessante, filho de fazendeiros que tem como sonho ir para o exército, já com 21 anos e perceptivelmente a pessoa com mais bom senso na cidade inteira. É a escolha óbvia para governar a cidade, mas não é o que acontece. Gord protagonista uma das falhas de roteiro mais confusas da série. Tem hora que você pensa que ele vai se envolver com Melissa, mas de repente aparece uma moça de uma comunidade de religiosidade extremista, e a trama toda não faz a menor diferença para o enredo. A atuação de Ryan Allen é passável, mas chama a atenção por outro detalhe gritante da série: atores com mais de 25 anos fazendo papeis de quem tem menos que 22. É de chorar.

Ronnie Creecker (Kyle Mac) é para ser o bad boy da trama. O rapaz sem responsabilidade que vai apanhar muito e aprender com a vida. Mas ele não erra só por ser um viciado. Não erra só por ameaçar a vida da irmã com Síndrome de Down de outro personagem. Ele também tenta violentar uma personagem! Olha só que bad boy bacana!

Chuck Lotts (Justin Kelly) é o jogador do time de futebol americano, o cara mais popular do colégio, o adolescente mais rico da cidade e o líder que os jovens escolheram para ajudá-los a enfrentar essa situação tão difícil. E Chuck é basicamente o filho playboy de um cara metido a besta. E só faz besteira. O que é em parte desculpável, considerando sua idade - 19 anos.

Mas o maior problema da série é o enredo. Em vários momentos, quando você pensa que a história daquele personagem está indo para um lado, no minuto seguinte muda tudo. E não é um plot twist digno de nota. É roteirista tentando consertar erro de enredo e cometendo outro erro em seguida. Personagens surgem do nada e somem de repente sem causar o menor impacto na trama. Sem falar em gente que aparece, some, e aparece de novo... só para sumir outra vez.

Esses garotos estão presos em uma situação limite, sem saber o que está acontecendo no mundo exterior, e precisam descobrir se o que o governo diz é verdade. E, adivinha, não é. Porém, ao invés de se unirem, eles não param de arranjar mais e mais motivos para brigar entre si.

Sem falar que as falhas de caráter de um personagem e a rixa de sua família com a de outro garoto são esquecidos magicamente quando o inimigo verdadeiro mostra a cara. Mas são rixas muito sérias para simplesmente serem postas de lado. E a escolha dos roteiristas para fazer isso acontecer é... boba.

A impressão que dá é que os episódios eram escritos, gravados, iam ao ar e depois o próximo episódio era escrito. O que servia ficava, o que não servia era esquecido. Resultado: gente morrendo gratuitamente.



-----

Between é uma co-produção do canal canadense City com a Netflix, e foi criada por Michael McGowan. Até o momento tem duas temporadas, cada uma com seis episódios.

-----

E você, já assistiu Between? Gostou? Discorda de tudo o que falei? Acha que devo assistir a segunda temporada? Por favor, deixe nos comentários e vamos conversar a respeito :)

Até a próxima semana e tchau!

Nenhum comentário:

Postar um comentário