sábado, 24 de setembro de 2016

Livro | Resenha | As brumas de Avalon - Marion Zimmer Bradley

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Ficha -
Título: As brumas de Avalon - série
- A Senhora da Magia - 248 páginas
- A Grande-Rainha - 229 páginas
- O Gamo-Rei - 211 páginas
- O Prisioneiro da Árvore - 239 páginas
Autor: Marion Zimmer Bradley
Ano de publicação: 1982
Editora: Imago Editora










As brumas de Avalon é uma quadrilogia que faz parte do Ciclo de Avalon, um conjunto de livros que contam a história da Bretanha, sob o ponto de vista de personagens femininas. Essa também é a proposta de Marion Zimmer Bradley aqui: contar a lenda de Artur sob o ponto de vistas das muitas mulheres que, de uma forma ou de outra, influenciaram o destino da Bretanha, tendo como pano de fundo o crescimento do Cristianismo e sua dominação dos territórios e religiões pagãs. A maior parte das personagens femininas que aparecem no livro são seguidoras da Antiga Religião, que segue a Grande Deusa.

Os livros seguirão a trajetória de Artur desde os eventos que tornaram possível seu nascimento, sua ascensão e queda como Grande-Rei e sua morte. E isso não é spoiler, porque está na lenda.

Eu vou falar rapidamente sobre os dois primeiros livros, que são os que preparam o caminho e apresentam os elementos mais interessantes. Os dois últimos livros eu vou deixar um pouco de lado, por razão de conterem muitas informações que estragariam a experiência de leitura.



Livro um - A Senhora da Magia

"Em vida, chamaram-me de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, maga, rainha. (...) E agora que o mundo está mudado (...) é preciso contar as coisas antes que os sacerdotes do Cristo Branco espalhem por toda parte os seus santos e suas lendas. (...) Talvez a verdade se situe em algum ponto entre o caminho para Glastonbury, a ilha dos padres, e o caminho para Avalon, perdido para sempre nas brumas do Mar do Verão.
Mas esta é a minha verdade; eu, que sou Morgana, conto-vos estas coisas, Morgana que em tempos mais recentes foi chamada Morgana, a Fada."

No primeiro livro, conhecemos Viviane, a Grande Sacerdotisa de Avalon. Ela é uma mulher pequena e poderosa, que deseja salvar a Bretanha dos saxões e, ao mesmo tempo, garantir que essa terra seja governada por um rei fiel tanto à Antiga Religião, quanto ao Deus Cristão. Para isso, ela visita sua irmã, Igraine, e lhe diz que esta deve dar à luz um menino, que será educado entre os druídas e se tornará Grande-Rei da Bretanha. Igraine, que não acredita que seu marido, Gorlóis, seja eleito herdeiro do atual rei, é avisada que conhecerá outro homem, este sim herdeiro do rei, e que deverá ter um filho com ele.

A ideia da traição desagrada Igraine, mas as circunstâncias a forçam a tomar uma posição. Quando seu marido é morto em batalha e Igraine se casa com Uther Pendragon, eles geram Gwydion, que mais tarde seria chamado Artur pelos cristãos.

Quando seus filhos, Artur, filho de Uther, e Morgana, filha de Gorlois, chegam à idade considerada ideal para iniciar os aprendizados da Antiga Religião, Igraine precisa entregá-los para seus destinos. Artur é levado por Taliesin, o Merlin da Bretanha, para ser criado entre os druídas. Morgana é levada por Viviane, para Avalon, para se tornar a próxima sacerdotisa.

Os dois irmãos são, então, criados separados, sem qualquer contato durante os anos de crescimento. No entanto, no dia da coração de Artur, no qual ele deve prometer ser leal à Avalon e impedir que as religiões pagãs sejam condenadas e esquecidas pelos padres cristãos, os destinos dos irmãos voltam a se cruzar.

Livro dois – A Grande-Rainha

" (...) Um rei deve proteger seu povo dos invasores, dos estrangeiros e chefiá-los na sua defesa. O rei tem de ser o primeiro a colocar-se entre a pátria e todo o perigo, assim como o camponês se levanta para defender suas campos contra qualquer ladrão. Mas não é seu dever proibir ao povo aquilo que, no mais fundo do coração, esse povo deseja."

Começando apenas alguns meses após o término do primeiro livro, aqui vamos acompanhar a trajetória de Morgana, após ela ter abandonado a ilha de Avalon, rebelando-se contra a vontade da Deusa, e de Viviane.

Também vamos conhecer outra personagem que terá grande importância na vida de Artur, sua esposa Guinevere – ou Gwenhwyfar, como será chamada a maior parte das vezes. Gwenhwyfar é uma dama cristã e muito religiosa, que é dada em casamento como parte de um acordo que garantiria a seu marido, o rei, os cavalos de seu pai. No entanto, pouco antes de ser levada ao altar, seu coração é capturado pelo jovem capitão da guarda de Artur, o belo e forte Lancelote.

Gwenhwyfar se torna cada vez mais fervorosa em sua fé, acreditando estar sendo punida com infertilidade, por causa de seu amor por Lancelote. Ela convence Artur a abandonar os símbolos pagãos e levar a cruz do Cristo em batalha. Artur, que não é um homem dado a discussões, faz o que a esposa lhe pede e sua atitude é tida como traição do seu juramento à Avalon.

O que achei

Para começar, não sei se os livros vão agradar ao público em geral. Como o livro foi escrito há vários anos e não chega nem perto da popularidade de livros como O senhor dos aneis, e mesmo da trilogia de Bernard Cornwell, As crônicas de Arthur, que usam a mesma lenda como pano de fundo, creio estar certa ao afirmar que As brumas de Avalon acabam sendo deixadas de lado, e isso é injusto.

Vale lembrar que essa é uma série escrita por uma mulher, com personagens femininas fortes que têm real poder sobre os destinos dos personagens masculinos. Além disso, trata-se de uma história que não lida com o Cristianismo com a devoção a que estamos acostumados (quem já leu As crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, vai ter uma ideia do que estou falando).

Eu, que não sou mais cristã, que sou feminista, e tenho interesse pelas religiões pagãs (pelo conhecimento histórico atrelado a elas), gostei muito de As Brumas de Avalon. Mas você não precisa de tudo isso para gostar. Basta ter a mente aberta e gostar de histórias e personagens bem desenvolvidos. E de uma boa dose de fantasia medieval.

Essa é uma história poderosa, com personagens fantásticos – e incluo os personagens masculinos. Todos são bem descritos e têm suas motivações bem construídas. E mesmo a personagem mais odiada – Gwenhwyfar – pode ser tratada com justiça quanto ao desenvolvimento narrativo e no final eu cheguei a gostar dela.

O que eu não gostei é que em vários momentos a história se arrasta sem que nada de muito interessante esteja acontecendo. Algumas descrições de feitiços e Visões que algumas personagens têm, são um pouco confusas, mas nada que chegue a atrapalhar a narrativa. No entanto, é preciso levar em consideração que a história narrada nesses quatro livros se passa no decorrer de vários anos. Como eu disse, Marion narra desde antes do nascimento de Artur até sua morte.

Adorei ler sobre como a figura da mulher era importante nas religiões antigas, a dádiva da fertilidade, e o equilíbrio com a natureza. Por isso mesmo, eu não conseguia desgrudar os olhos da página sempre que a narração se concentrava em Morgana. Eu amei essa personagem. Ela é forte e frágil, inteligente e ingênua, poderosa e mortal. Como faz falta personagens assim! Sério, quando foi a última vez em que você leu uma personagem feminina que não te desse vontade de bater a cabeça na parede? E não precisa ser feminista para isso, amiga.

Sobre a minha edição de "O Prisioneiro da Árvore", livro quatro.

Eu não comprei esses livros, mas os ganhei de presente de uma colega de trabalho, em 2014. Um presente que me deixou muito feliz, mesmo que esses fossem livros usados. Eu li o primeiro livro em 2015, o segundo em fevereiro de 2016, e o terceiro agora em setembro. E então, animada com a história, comecei o quarto logo em seguida. Tudo ia muito bem, eu já declarando amor eterno à saga de Morgana, quando chego nas páginas 162 e 163 e encontro isso:



E ficou pior, porque o mesmo problema se repetiu nas páginas 166-167, 170-171 e 174-175.

...

Eu fiquei puta! Porque eu já tinha perdoado erros de digitação, falhas na impressão que comiam pedaços de palavras e frases... mas oito páginas inteiras borradas? Aí já é demais! Mandei e-mail para a Imago Editora no dia 15/09 e, até agora, 24/09, não tive resposta.

Eu sou perfeccionista e muito chata com meus livros. E pensar em guardar esses livros desse jeito me chateia. Claro que eu posso passar adiante, mas não seria justo com quem receber. O que me deixa aprisionada a um livro que não dá para ler. Claro que eu dei um jeito, mas é aquela coisa... depois que a gente baixa PDF, a gente que é ruim!

Enfim, só queria deixar aqui minha revolta e um alerta para vocês: exijam excelência das editoras, porque a gente paga caro nos livros delas!

De qualquer forma...



Eu realmente espero que vocês dêem uma chance aos livros, mesmo quando a leitura parecer arrastada, por que é uma daquelas histórias que vão acrescentar alguma coisa na sua vida.

Essa história tem tudo, intriga política, magia, amor, traição, incesto, discussões teológicas, liberdade feminina, construção de personagens e estilo narrativo! É muito bom!

E boa sorte na edição de vocês! A minha é de 2008 e sei que tem outras mais novas por aí.

Os quatro livros foram transformados em filme em 2001, que foi o meu primeiro contato com a obra. O filme tem quase 3 horas de duração, e resume a história de Artur e Morgana da melhor forma possível. Ele foi lançado direto em vídeo e DVD, então não faço ideia de onde vocês podem conseguir, mas sei que vocês podem dar um jeito nisso ;)

*

E você, já leu As brumas de Avalon? Gostou? Deixe seu comentário e vamos conversar a respeito :)

Tenham uma boa semana e até mais!

sábado, 10 de setembro de 2016

Lista | Leituras de julho e agosto | 2016

2 comentários:
Olá pessoas!

Hoje vou falar sobre as minhas leituras dos últimos meses. Não foram muitas porque eu peguei dois livros emprestados de uma colega do trabalho e estava concentrada em devolvê-los em prazo aceitável. =D

Então vamos lá!

***

Os olhos do dragão - Stephen King

Delain é um reino que há vários séculos enfrenta uma impiedosa aura de tragédia e declínio. Quando o rei Roland é assassinado e seu filho mais velho, - o amado príncipe herdeiro - Peter, é acusado do crime, a derradeira desgraça parece ter caído sobre o reino.
Enquanto Thomas, o príncipe mais novo, assume o lugar do pai, sob influência do misterioso Flagg, Peter planeja sua fuga e descobre que Flagg é mais perigoso do que aparenta.
Esse livro foi escrito para a filha de King que, diferente dos irmãos, não era muito fã das histórias de terror do pai. Então, King decidiu escrever uma fábula sobre inveja, manipulação, traição e assassinato. No que ele estava pensando? Boa pergunta!
A história é muito mais simples que as outras do autor, tanto na linguagem quanto no desenvolvimento. E não é um livro ruim, apenas voltado para um público diferente... e mais novo. Na edição que li, da editora Objetiva, tinha até ilustrações!
Porém, o que realmente é interessante no livro é que ele possui várias características do universo criado por King em todas as suas obras, e explorado na série A Torre Negra: O nome do rei, Roland, mesmo nome do protagonista da série; a presença do mago Flagg e seu desejo por destruir o reino... etc.

A piada mortal - Alan Moore

Essa, na verdade, foi um releitura há muito desejada. A piada mortal é uma das histórias mais conhecidas do Homem-Morcego e um dos primeiros quadrinhos que li da DC Comics. Não é surpresa, portanto, que eu tenha me apaixonado pelo Universo do Batman desde tão cedo...
Alan Moore intercala presente e passado para contar como "um dia ruim" pode transformar uma pessoa. Conhecemos, então, a versão de Moore para a origem do Coringa e, no presente, seu plano para enlouquecer o Comissário Gordon. A sanidade e a loucura são os temas dessa história e é incrível a maneira como o autor mostra como nem sempre a linha entre as duas condições é perceptível.
"Se você acha que eu regulo pouco, é porque não sabe como é bom ser louco".

Publicado em 1988 (desenhada por Brian Bolland), A piada mortal entrou para o cânone da DC Comics e se tornou uma das mais icônicas da história dos quadrinhos! Até hoje os fãs discutem o significado da última cena...
A graphic novel foi adaptada esse ano em uma animação que gerou polêmica. Eu não assisti ainda, mas fiquei sabendo de uma cena "acrescentada" pelos animadores, que é um insulto! Bom, pelo menos para mim. Enfim... recomendo a graphic novel, pela qualidade, pela importância e porque é do Batman!

Harry Potter and the Cursed Child - J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany

A oitava história de Harry Potter! Já dei minha opinião sobre o formato em outro post e não vou mais me estender nesse assunto. E, como o livro não saiu em português (sairá em 31 de outubro de 2016), não tenho certeza do que posso dizer sobre ele que não seja considerado spoiler. Então, vou falar rapidamente o que achei da história.
Muita gente tem falado, e é bom que não seja apenas eu, que a história parece uma fanfic. E é verdade.
Pegaram uma história que tinha terminado muito bem, com poucas pontas soltas, mexeram em coisas que seriam difíceis de lidar, mudaram coisas que não precisavam ser mudadas, deram voltas e voltas e no fim não acrescentaram nada. Nada. Mudaram até a personalidade de alguns personagens, subestimaram outros e estragaram terceiros.
Verdade seja dita, no entanto, é que eu realmente acredito que assistir à peça seja uma experiência completamente diferente. Estar em um teatro, estar naquele ambiente e vivenciar as coisas deve ser melhor que sentar a bunda na cadeira e ler um roteiro que nem está finalizado. Ok, finalizado está, mas o livro que chegou às livrarias em 31 de julho desse ano, trazia o roteiro de ensaio da peça. Ou seja, conforme as críticas forem chegando, eles vão mudar algumas coisas e adaptar o texto. E daí vão publicar outro livro com a versão final do roteiro. Legal, né?
É.
Enfim, resta imaginar como fizeram no palco os feitiços e todas coisas mágicas descritas no livro... Porque isso eu realmente queria ver!

O talismã - Stephen King e Peter Straub

Ok, não sei muito bem o que falar sobre esse livro. Terminei ele ontem e eu adorei. Mas, ao mesmo tempo, fiquei com a sensação de que ele bem que podia ser um pouco menor. Sério. A edição que li tinha uma letrinha minúscula e 504 páginas. E ainda assim o livro parecia interminável.
Bom, o livro conta a história de Jack Sawyer, um garoto de 12 anos, que sabe que sua mãe está doente e que estão fugindo de seu "tio" Morgan Sloat. Ele conhece Speedy Parker, um homem solitário que trabalha em um parque itinerante e que lhe diz que Jack pode salvar a mãe... Tudo o que ele precisa fazer é embarcar em uma viagem até o outro lado do país... e que ele tem o dom de atravessar para outro universo parecido com o deles, onde uma rainha também está morrendo e também precisa da ajuda dele. Para ajudar a mãe e a rainha, Jack precisa alcançar um talismã.
É, é por aí mesmo. A história fala de vários universos, e Jack vai passar por todo tipo de coisa para chegar ao seu objetivo. É angustiante acompanhar o garoto enquanto ele tenta descobrir o que precisa fazer em cada mundo, estando cada vez mais longe de casa e cada vez mais sozinho, sentindo que sua mãe está morrendo, e que uma ameaça está pairando sobre sua cabeça o tempo todo.
A história vai ficando melhor à medida que ela avança, mas não sei se todo mundo vai ter paciência para seguir à diante. Eu espero que sim. Para mim valeu a pena.

***

Observação:



Em 2017 será lançado o primeiro filme adaptando a série A Torre Negra. Ao que parece, eles não vão seguir o caminho das adaptações comuns, o que significa dizer que o filme será uma espécie de continuação da série. Não sei muito bem como isso vai funcionar e não é o que eu consideraria melhor para o projeto, mas quem sou eu na fila do pão, não é mesmo?
O site Missão Ficção, tem um espécie de "guia" para quem se interessar pela série e pela obra de Stephen King.
Claro, não é necessário ler todos os livro sobre o tema para entender, mas para quem quiser se aprofundar, como eu, fica a dica. Para quem gosta de King, para quem gosta do conceito de multiversos, para quem gosta de terror, fantasia e uma boa história!

***

Por favor, se puder, após a leitura deixe um comentário com críticas e sugestões. Eu preciso do feedback de quem frequenta o blog, ainda que só de passagem. ;)