sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Livro | Resenha | Joyland - Stephen King

Um comentário:
Olá você! Voltando com mais uma resenha de Stephen King! Dessa vez o inesperadamente fofo - e sobrenatural - Joyland.

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Sabe todas aquelas vezes em que você olhou para um livro do Stephen King e pensou que teria muito medo do que encontraria ali? Os palhaços sobrenaturais, as malucas obsessivas, os pais com machadinhas, os fanáticos religiosas, e essas coisas todas? Então, esquece tudo isso.

Joyland, apesar de ter um quê sobrenatural, está muito longe de ser um livro assustador. E está tudo bem! Porque esse livro não é sobre o medo, nem sobre um fantasma de uma garota assassinada por um serial killer. É um livro sobre pessoas. 

Devin Jones, um jovem universitário que quer ficar perto de sua namorada, consegue um emprego temporário de verão em um parque itinerante chamado Joyland. Lá, ele descobre uma história perturbadora: o parque foi palco do assassinato de Linda Gray, e muitos acreditam que seu fantasma continua preso ao trem fantasma. O crime, que permanece há vários anos sem solução, atrai a atenção de Devin, que decide solucioná-lo para ajudar o espírito da garota.

Quando li a sinopse deste livro, imaginei que a história seria um pouco diferente de como a encontrei. Não vou mentir, houve um pouco de decepção no começo, quando percebi que não estava lendo uma história sobre fantasmas - que era o que eu estava querendo na época. Porém, King me compensou com uma história delicada e encantadora.

Assim como na maioria dos livros de Stephen King, o que é mais interessante em Joyland é a construção dos personagens e a jornada deles até o fim... Devin Jones, Mike e a mãe, Tom e Erin, são todos pessoas com as quais você vai se importar, porque são reais e porque não são perfeitos.

O fim, por outro lado, não chega a ser ruim, nem decepcionante, e nem surpreendente. Lá pelo meio da história, eu já imaginava qual seria a verdadeira identidade do assassino, e entrei em processo de negação. Eu devia ter aceitado e seguido em frente, mas tentei me convencer que eu estava errada... Foi um tiro bem no meio do peito. Mas tudo bem, eu supero, o livro ainda é bom!

Eu sei que já falei isso milhares de vezes e que está ficando cansativo e irritante, mas o que eu posso dizer? King é um ótimo escritor e, se você ainda não se convenceu porque tem medo de se deparar com crianças perturbadas, aranhas gigantes e homens de preto, mas tem interesse em conhecer o autor, Joyland é uma aposta confiável.

sábado, 13 de agosto de 2016

Livro | Recomendação | Livros de não ficção - Biografias | Parte 1

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Olá você!

"Uma criança, um professor, um livro, um lápis podem mudar o mundo".
"(...) Perto de casa, em nossa rua, morava uma família com uma menina de minha idade, chamada Safina, e dois meninos, Babar e Basit, com idades próximas às de meus irmãos. Jogávamos críquete na rua, mas eu sabia que, à medida que nós, meninas, crescêssemos, seríamos obrigadas a nos recolher à casa. Das mulheres, espera-se que cozinhem e que sirvam seus pais e irmãos. Enquanto os homens e os meninos podem andar livremente pela cidade, minha mãe não tinha autorização para sair de casa sem que um parente do sexo masculino a acompanhasse, mesmo que esse parente fosse um garotinho de cinco anos de idade. É a tradição.
Decidi muito cedo que comigo as coisas não seriam assim. Meu pai sempre disse: “Malala será livre como um pássaro”. Eu sonhava em subir até o topo do monte Ilam, como Alexandre, o Grande, para tocar Júpiter. Sonhava também em ir mais além do vale. Mas, ao observar meus irmãos correndo para subir no terraço, empinando suas pipas com destreza, movimentando a linha para a frente e para trás a fim de ver quem seria o primeiro a cortar o fio que mantinha no ar a pipa do outro, eu me perguntava quão livre uma filha poderia ser."

Hoje vim falar sobre dois livros que li esse ano e que foram muito importantes para mim. Nos últimos anos, o mundo parece ter entrado em uma onda de polarização política, que é muito perigosa. Não é uma novidade na história recente do nosso mundo, e o fato de as pessoas não terem aprendido com os erros do passado, é assustador.

Na Idade Média, Cristãos x Pagãos. Na Guerra Fria, tivemos o Capitalismo x Comunismo. Na Segunda Guerra Mundial, Nazistas x Judeus. No Brasil, temos Coxinha x Mortadela. E, no Oriente Médio, a aparente eterna disputa entre Mulçumanos, Judeus e Cristãos.

E é sobre os dois primeiros que quero falar hoje.

Não se trata de um discurso político, então aqueles que adoram uma treta podem guardar as armas. Só quero apresentar dois livros que precisam ser lidos para pelo menos dar a todos uma dimensão um pouco maior do que o preconceito, o fanatismo e o discurso autoritário podem fazer com uma população acuada, desmoralizada, sem cultura... e sem amor.

  • Eu sou Malala - Malala Yousafzai com Christina Lamb

Eu escrevi uma resenha no começo desse ano sobre esse livro (você pode ler aqui), então não vou me prolongar muito.
Trata-se da história da menina paquistanesa de 15 anos, que foi baleada pelo talibã por frequentar a escola. Segundo o talibã, meninas não poderiam frequentar a escola e a luta de Malala pelo direito dela, e de todas as meninas do Paquistão, era uma afronta aos interesses do movimento fundamentalista.
Em épocas de ataques terroristas e Estado Islâmico, e a volta da perseguição política e religiosa aos mulçumanos, faze-se necessário um livro como esse, para abrir a mente de algumas pessoas, para questões muito mais amplas que a simples motivação religiosa de grupos extremistas. E, quem sabe, algumas pessoas consigam entender que o inimigo não é o islã e os mulçumanos, mas as pessoas que usam do medo para conseguir o poder.

  • O diário de Anne Frank

Eu não fiz uma resenha sobre esse diário e peço desculpas por isso. Mas eu não consegui. Há certas coisas que não dá para imprensar na banalidade de uma resenha. O diário de Anne Frank é algo que você precisa ler e vivenciar por conta própria, há muito mais coisas ali do que os relatos desesperados de uma judia fugindo do nazismo. Há uma adolescente tentando descobrir como saiu tão rápido da infância e se tornou uma adulta antes do tempo.

Há alguém que tinha problemas com a mãe, que queria ser escritora e jornalista, viajar o mundo e fazer a diferença. Alguém que abriu o coração para um diário, "sua" única amiga, e teve coragem de dizer coisas que não dizemos por medo de magoar alguém. Há uma menina que queria carinho, mas que não queria que se apoiassem nela...

Eu não vou mentir, se você tiver o coração no lugar, esse diário vai te destruir. Você vai pensar sobre ele e em tudo o que aconteceu depois que Anne não pode mais escrever.

E eu sei que há questões sobre o diários e sobre o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial; questões que alimentam o discurso daqueles que acham que a máxima "quem ganha a guerra conta a história" anula todas as atrocidades que ocorreram no mundo.

Não anulam.


"(...) Nossa liberdade foi gravemente restringida com uma série de decretos antissemitas: os judeus deveriam usar uma estrela amarela; os judeus eram proibidos de andar nos bondes; os judeus eram proibidos de andar de carros, mesmo em seus próprios carros; os judeus deveriam fazer suas compras entre três e cinco horas da tarde; os judeus só deveriam frequentar barbearias e salões de beleza de proprietários judeus; os judeus eram proibidos de sair às ruas entre oito da noite e seis da manhã; os judeus eram proibidos de frequentar teatros, cinemas ou ter qualquer outra forma de diversão; (...) Os judeus eram proibidos de frequentar casas de cristãos; os judeus deveriam frequentar escolas judias etc. Você não podia fazer isso ou aquilo, mas a vida continuava. Jacque sempre me dizia: 'Eu não ouso fazer mais nada, porque tenho medo de ser algo proibido.'"


Malala Yousafzai é uma muçulmana palestina.
Anne Frank era uma judia alemã.
Mulçumanos e judeus são povos inimigos.
Ambas tiveram sua infância e adolescências alejadas e destruídas pelo ódio.
Você pode dizer: "Mas e os cristãos que estão sendo mortos pelo ISIS?" ou "O comunismo matou mais que o Nazismo" ou qualquer outra falácia ridícula.
Isso apenas mostra que você ainda não entendeu. Não entendeu que não importa se é cristão, judeu, muçulmano, comunista, capitalista, brasileiro ou argentino... o ódio não existe porque alguém contou uma versão da história. Ele existe porque você escolheu só ouvir o lado que te interessa.

O mundo precisa de mais cultura e tolerância, não de opiniões embasadas em fóruns na internet.