sábado, 23 de julho de 2016

Livro | Resenha | Cidades de papel - John Green

Sinopse:

Quentin Jacobsen é um garoto normal. Ele está no último ano do High School, tem dois melhores amigos e não é popular no colégio. Ele faz planos para o futuro, coisa simples, como ir à faculdade, ter uma carreira, casar e ter filhos. Nada ambicioso. Ele também nutre, desde criança, uma paixão platônica por Margo Roth Spiegelman, sua vizinha “da frente”, com quem costumava brincar quando mais novo. Enquanto ele se tornava o filho e aluno ideal, Margo se tornava uma garota bonita, popular e envolta em uma áurea de mistério e aventura.
Apesar de ser pouco provável que alguma coisa assim acontecesse, Quentin nutre o desejo de um dia Margo bater à sua janela e o chamar para uma de suas aventuras… até que um dia isso realmente acontece!
Margo lhe diz que precisa de um motorista enquanto percorre a cidade para se vingar de alguns “amigos” e do namorado. Não que ele precise que ela peça duas vezes. Os dois passam a noite seguindo à risca a lista de “atividades” que Margo preparou e, no dia seguinte, quando finalmente voltam para casa, Quentin mal consegue acreditar que finalmente as coisas podem mudar para ele e que terá a chance de conquistar o coração da menina que sempre esteve em seus pensamentos.
Porém, Margo não aparece na aula nesse dia, e nem nos meses que seguem.
Preocupado com a garota, e com o aparente desinteresse da família dela, Quentin decide procura-la por si próprio. E, quando encontra uma pista do paradeiro dela no batendo da porta de seu quarto, Quentin não tem dúvidas: Margo quer que ele a encontre!
Com a ajuda de seus amigos, Quentin persegue as pistas e a imagem de Margo por onde quer que elas o levem.

O livro:



Lançado em 2008, Cidades de papel foi o terceiro livro de John Green a conquistar os jovens pelo mundo. Apesar de bater mais uma vez na tecla do garoto nerd que se apaixona pela garota popular e/ou misteriosa, Green consegue transformar uma história simples em uma mistura equilibrada entre comédia e suspense.
Os personagens secundários são bem trabalhados, especialmente os dois amigos do protagonista, Ben Starling, o alívio cômico, e Radar, o garoto gênio. A obsessão de Quentin por Margo (onde ela está, como ela está, porquê ela está), pode ser cansativa e é bom ter Ben e Radar como válvula de escape para tamanha repetição.
A própria Margo, nos poucos momentos que temos com ela, é um tanto decepcionante. Para alguém que inspira tanta comoção entre as pessoas com quem convive, a personagem é mimada, pedante, convencida, mandona e orgulhosa. Mas tudo bem, porque mesmo essas característica pouco convidativas ajudam a passar a mensagem: nem sempre as pessoas são como nós imaginamos! As pessoas são complexas e desejam coisas e a gente precisa aceitar que cada um tem seu caminho.

O filme:



O livro seguiu a onda de “A culpa é das estrelas” e foi adaptado para o cinema em 2015. Estrelado por Cara Delevigne e Nat Wolff, o filme foi sucesso de crítica e de público. Ao contrário do antecessor, no entanto, nesse é possível dizer que o filme é melhor que o livro.
Algumas coisas mudaram em relação ao livro, aproximando o tom do filme à outra adaptação que fez sucesso com o mesmo público: As vantagens de ser invisível.
No filme, a busca pelo paradeiro de Margo se mistura com as dúvidas e inseguranças da idade, pois os personagens estão prestes a terminar o ensino médio e terão que se separar para ir à faculdade. A aventura na qual embarcam no final é como um rito de passagem, a última loucura da adolescência e despedida de uma vida mais despreocupada.
No fim, é mais fácil se identificar com o período de transição pelo qual os personagens estão passando, do que pelo desespero de Quentin em sua procura por Margo.

“Curtindo a vida adoidado”:



Quem cresceu nos anos 80 e 90 provavelmente assistiu “Curtindo a vida adoidado”, “Clube dos cinco” e outras várias comédias sobre adolescentes e essa época confusa da vida. São filmes que parecem atravessar a barreira do tempo e permanecer atuais.
Leves, divertidos, sensíveis e cativantes, os livros do John Green, e suas adaptações para o cinema, parecem estar seguindo o mesmo caminho: discutindo os medos e esperanças de jovens que têm que enfrentar a dura rotina de se transformarem em adultos.

Um tema que nunca ficará velho.

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