domingo, 23 de agosto de 2015

Livro | Lista | 10 livros que abandonei

2 comentários:
Olá pessoas! De volta com uma quase tag. Dessa vez, falando dos livros que passaram pela minha mão e, por um motivo ou outro, não consegui terminar.

Sabe, é impossível ter orgulho de uma lista como essa. Pensei várias vezes antes de fazê-la e, quando fiz, vi alguns títulos que doeram no meu coração de leitora. Por que, por que eu não li aquele livro inteiro? No entanto, eu não sou de ferro. Ninguém é, nem os leitores assíduos. Portanto, estamos todos sujeitos às fases da vida e aos momentos em que um livro simplesmente não se encaixa.

Alguns receberão uma segunda... ou terceira chance, agora que eu tenho um blog e assumi o desafio dos 100 autores. Outros... bom, "os outros são o-s outros".

1) A rosa do povo - Carlos Drummond de Andrade


O primeiro livro da lista representa uma das minhas muitas frustrações literárias: a poesia. Não foi o primeiro, nem o último livro de poesia que eu não li completo, caso de "Poemas Completos de Alberto Caeiro", mas esse foi o que mais me marcou. Há pelo menos dois poemas nesse livro, que eu sou completamente apaixonada: "À procura de poesia" e "A rosa do povo". Antes de doar o livro, inclusive, copiei esses dois poemas e guardei com carinho. O restante, sequer me lembro de ter lido.
Poesia é um enigma indecifrável para mim. Versos decassílabos, simbolismos, rimas... nada disso, nunca, entrou na minha cabeça. Sempre que me perguntam o que eu escrevo eu digo na lata "tudo, menos poesia". Como poderia se sequer sei rimar?
Coloquei Carlos Drummond na minha lista de autores lidos, no post de Desafio dos 100 autores, porque eu li algumas de suas poesias. Mas não li esse livro inteiro.

2) Admirável mundo novo - Aldous Huxley


Esse é um livro que me faz ter raiva de mim mesma. Existem três livros de distopia que você precisa ler na vida: 1984 de George Orwell, Fahrenheit 451 de Ray Bradbury e Admirável mundo novo, de Aldous Huxley. O que me deixa furiosa é que esse foi o único que tive em mãos e que não era emprestado. Eu tinha esse livro em casa. Comecei a ler e, despreparada na época, parei na parte em que há crianças "brincando" no jardim de uma empresa de tecnologia genética.
Hoje, sou apaixonada por distopias, li Jogos Vorazes e perdi meu tempo com Divergente, mas não li Admirável mundo novo. Shame om me.
E sabe o que é pior? O livro SUMIU da minha casa. Não encontro em lugar nenhum. Bem feito pra mim.
Acabei comprando a versão digital e ele finalmente será lido.

3) Amar, verbo intransitivo - Mário de Andrade


Esse é um dos poucos livros dessa lista que não tenho vergonha de dizer que abandonei. Curiosamente, porém, não lembro bem o motivo. Em alguma fase da minha vida de estudante, foi pedido que lêssemos Amar, verbo intransitivo. Eu comecei. O livro é fininho e tenho até hoje em casa. Mas não sei, não consegui ir para a frente. Estou pensando se devo lhe dar uma segunda chance, uma vez que não me lembro direito porque o larguei. Vamos ver.

4) Convergente - Veronica Roth


Esse eu não tenho nem vergonha de admitir que abandonei, nem vontade de dar uma segunda chance. Trata-se do terceiro livro da - antes - trilogia - e agora - quadrilogia Divergente. Li os dois primeiros numa tacada só, mas não porque gostei da história. Algumas coisas são interessantes, mas a Tris, protagonista-narradora me encheu a paciência. Tudo bem que a Katniss de Jogos Vorazes não é exatamente um poço de simpatia, mas a Tris irrita por ser toda derretida pelo Quatro, seu par romântico.
No terceiro livro, a narração começa a ser dividida entre a Tris e o Quatro. Até onde eu li, era mais melação do que ação. Para ajudar, tomei spoiler do final. Pois é.

5) De repente Ana - Marina Carvalho


Por nenhum motivo em particular. Como eu poderia falar mal de um livro que foi determinante para me tirar da ressaca literária em que me meti no mês passado. Na verdade, devo isso mais ao primeiro livro da série, Simplesmente Ana. O que acontece é que... eu vou guardar esse para outro período de ressaca literária. Ainda mais agora que descobri que tem um terceiro livro, sobre a filha de Ana e tal... Um dia.

6) Histórias extraordinárias - Edgar Allan Poe


Eu quis muito, muito mesmo, gostar desse livro. Desisti uma vez, mandei o livro embora... minha tia me enviou 20 livros novos, entre eles outra edição de Histórias extraordinárias. Tentei de novo... não deu. Não deu! Entende? Ainda não decidi se vou tentar de novo. Ele está lá na minha estante, esperando... o que eu não sei. Ser lido? Ser vendido no sebo? Ser doado? Realmente não sei.

7) Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis


Mais um livro pedido na escola. Quando peguei esse para ler, eu demorei para entrar na história. O estilo muito rebuscado, vários termos que eu não tinha ideia do que se tratava. Mas, quando faltava apenas uma semana para a prova, resolvi me dedicar. Lembro de ter ficado em casa na véspera, lendo o livro enquanto toda a minha família jantava na casa da minha tia. Eu tinha a ilusão de terminar o livro naquele dia. Mas não deu. Cheguei bem pertinho do final, mas estava morrendo de sono e tive que dormir, pois acordava muito cedo para ir para a escola. Depois da prova, não tive vontade de terminar.

8) O Código Da Vinci - Dan Brown


Esse talvez eu releia, talvez não. Não me sinto muito culpada por tê-lo abandonado. O que aconteceu foi o seguinte. Li até a metade. Um dia, na casa da minha tia, mudando de canal descobri que estava passando o filme... e adivinha... estava bem na parte onde eu tinha parado no livro. Quem disse que tive vontade, na época, de ler o restante? Hoje em dia, esse tipo de coisa não me atrapalha, mas na época eu era uma iniciante.

9) O mundo de Sofia - Jostein Gaarder


Esse é um caso complicado. Ele tem a fama de ser um livro bom para meninas de 15 anos. Portanto, ganhei da minha prima um mês antes do meu aniversário de 14 anos. Ou seja, estamos em agosto, um mês antes do meu aniversário de 26 anos. O que significa que o livro que ganhei aos 13 anos - com uma dedicatória imensa e linda - eu ainda não li. Para ser justa, tentei duas vezes, na segunda, cheguei perto da metade. Mas no fim das contas percebi que não estava pronta para um livro de filosofia indicado para meninas de 15 anos. Desse eu realmente tenho vergonha de colocar na lista.

10) O retorno do rei - J. R. R. Tolkien



Esse eu coloco aqui com muita dor no coração. Como já disse outras vezes, a edição que li de O senhor dos aneis foi o volume único com os três livros. Ou seja, quando cheguei no final de O retorno do rei eu não aguentava mais carregar aquele tijolo. Não me entenda mal, ainda amo essa trilogia com todas as minhas forças, mas na época pensei... ok, a guerra acabou, porque tenho que ler a volta dos 4 hobbits para o Condado?
Eu sei, eu sei. Sei perfeitamente bem que ainda tem muita história para contar depois que eles se despedem do Rei, mas... eu precisava de um descanso. Se serve para acalmar os ânimos, eu vou reler a trilogia inteira. Ainda não sei quando, mas em breve. Basta criar coragem.

Extra: O morro dos ventos uivantes - Emily Brontë



Esse é o livro que sempre me vem à mente quando penso em dar uma segunda chance a um livro que abandonei. Eu tentei ler esse pelo menos duas vezes, sem sucesso. Não conseguia passar pelo narrador mala. Muito mala, diga-se de passagem. Mas, na terceira vez, era uma questão de honra! Além do narrador mala, a escrita também era muito difícil, mas a loucura do protagonista - que, pasme, não é o narrador - me prendeu. Fui até o fim nessa terceira tentativa e nunca me arrependi. Eu adoro O morro dos ventos uivantes e tenho muito orgulho de ter conseguido lê-lo até o fim.

sábado, 15 de agosto de 2015

DMP | Projeto desapego e matemática

Um comentário:
Matemática simples



Eu sou declaradamente uma amante de livros físicos. Aliás, sou um clichê ambulante nesse sentido. Adoro tocar, sentir o cheiro, olhar para o livro na estante, todo lindão lá no espacinho dele. Porém, ao mesmo tempo, também sou uma pessoa em constante briga com o espaço do quarto que divido com a minha irmã. O que fazer para conciliar as duas partes? Conscientizar-me da necessidade de utilizar bem o pouco espaço que me cabe.
Esses dias eu fiz uma relação dos livros que tenho. 90, sendo que 6 já haviam sido doados anteriormente e 15 são livros digitais. Ou seja:

Dos 90 títulos da minha lista - 15 são digitais = 75 são físicos.

Dos 75 físicos - 6 já haviam sido doados para uma escola = 69 livros físicos.

Ainda que o número tenha sido reduzido para 69 livros físicos, ainda assim eram muitos para que eu conseguisse guardá-los satisfatoriamente na minha casa. A solução foi desapegar ainda mais e fazer mais contas:

Dos 69 livros que restaram - 27 não foram lidos. = 42 foram lidos.

Dos 27 não lidos - 6 eu realmente não queria ler (alguns guardados desde 2007, outros desde os anos de solteira da minha mãe - há mais de 30 anos). = 21 ainda serão lidos.

Dos 42 lidos - 9 eu não tinha a intenção de reler = 33 livros que quero reler ou simplesmente quero manter comigo por mais um tempo.

Releituras



O problema dos livros é que eles nos fazem sentir coisas. Muitas coisas, contraditórias e intensas. E, quando você pensa em se livrar deles... é complicado. As coisas ficam confusas e lá no fundo da sua mente, você pensa - não quero, não posso, não é justo.

Mas, acredite em mim, é preciso. Diga-me, qual é a utilidade de manter na sua estante um livro do qual você não gostou? Qual é o sentido de manter na estante um livro que passou mais de dez anos lá, sem ter sido sequer tocado? Não faz nenhum sentido. Sabe por quê? Porque, quanto mais você ler livros, mais você vai querer ler. Novos livros surgirão e, se você quiser tê-los, precisará de espaço para guardá-los. Se gostar deles tanto que tiver aquela coceirinha para reler de novo e de novo e de novo.

Eu sou uma pessoa que adora reler livros. Harry Potter, Orgulho e preconceito, Jogos Vorazes, são alguns dos meus favoritos, que nunca me canso de ler. Mas esse sentimento é reservado para pouquíssimos livros. Uma porcentagem muito pequena se considerar que já li mais de 100 livros. 109 para ser exata. 

7 Harry Potter + 3 Jogos vorazes + 1 Orgulho e preconceito + 3 Senhor dos Anéis + 1 O morro dos ventos uivantes + 1 A moreninha + 1 Senhora + 1 A resposta + 1 1984 = 19.

Viu? De 109 livros lidos tenho vontade de reler apenas 19. A verdade, meus amigos, é que nem todos os livros que vamos ler na vida entrarão para nosso hall de favoritos e, se é assim, pra quê mantê-los? Egoismo? Ostentação?

Conquistando novos corações



Não se esqueça da regra número um da vida: o que você gosta, alguém não gosta. E o que você não gosta, alguém gosta. Isso significa que aquele livro que está apenas ocupando espaço na sua estante, poderia estar entrando no hall de favoritos de outra pessoa, de repente criando um novo leitor, ou ajudando alguém a se formar na faculdade, ou simplesmente auxiliando na formação do senso crítico de mais alguém, além de você.

Não vivemos dizendo que o Brasil precisa de mais leitores? Que os livros são caros? Pois é... parece que a culpa não é só do governo malvado e das editoras malvadas, né? :P

Não estou dizendo que a partir de hoje vou me livrar de todos os meus livros, nem nada. Como eu disse, alguns quero reler, outros estão entre meus favoritos. Eu quero tê-los por perto. Mas também quero continuar comprando livros e, se eu gostar muito deles, quero ter onde guardá-los. Não estou em condição para ter uma estante cheia de livros que vão ficar parados para sempre.

Não faz muito tempo, minha tia juntou vários livros que ela e minha mãe tinham acumulado durante a juventude. Eram livros que vinham de "brinde" nos jornais, caso você juntasse não sei quantos selos e pagasse não sei quantos cruzeiros.

Recebi 20 livros, desses metade ainda estavam no saco. Há mais de 30 anos. E são livros como "Ana Karênina" (ortografia da época), "O morro dos ventos uivantes", e "O vermelho e o negro", que está foi relançado pela editora Cosac Naify.

O que fazer com os livros?


  • Doar para alguém que você conheça, que gosta de ler;
  • Doar para uma biblioteca de escola ou biblioteca pública;
  • Trocar ou vender no sebo;
  • Deixar pela cidade para que algum desconhecido pegue;
  • Vender para alguém que gosta de ler;
  • Doar para ONGs;
  • Trocar no Skoob;

Dando o exemplo

Muito bem, para ajudar quem ainda não criou coragem para desapegar, vou deixar aqui uma lista de livros dos quais abri mão:

1) Maya Fox: A predestinada - Silvia Brena e Iginio Straffi
2) Amor de perdição - Camilo Castelo Branco
3) Onze minutos - Paulo Coelho
4) Jornal Nacional
5) As veias abertas da América Latina - Eduardo Galeano
6) Tudo que é sólido desmancha no ar - Marshal Berman
7) Morte súbita - J. K. Rowling
8) Cinquenta tons de cinza - E. L. James
9) O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
10) O crime do Padre Amaro - Eça de Queirós
11) A rosa do povo - Carlos Drummond de Andrade
12) Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida - Eduardo Spohr
13) Pedro médio e Rita doce - Telma Guimarães
14) Lucíola - José de Alencar
15) Os ratos - Dyonelio Machado
16) Três irmãs / Contos - Tchékhov
17) Longa jornada noite a dentro - Eugene O'Neill

Não é fácil...

... Mas você precisa ser realista e prático a respeito dos seus livros e seu espaço. Eu demorei muito para conseguir fazer isso. É doloroso para mim estar sempre tendo que me desfazer de algo meu para conseguir um pouco de espaço, mas a verdade é que não tem para onde correr. A vida não é fácil, seja você leitor ou não... =P

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Livro | Divagando | Romances eróticos

3 comentários:

Meu primeiro contato com romances - e livros eróticos - foi aos 14 anos. Não sei se é a idade apropriada, mas acho provável que não (eufemismo). Acontece que um dia, passando por uma banca de jornal lá na Praia Grande, não lembro por que causa, motivo, razão ou circunstância, acabamos comprando eu uma revistinha da Turma da Mônica - porque para elas não tem idade - e minha irmã um romance Sabrina, chamado "O amor chegou".

Naquela época, apesar de não ser o tipo de livro que você sai por aí exibindo, era relativamente normal e aceitável que meninas e mulheres lessem, sem que houvesse grande constrangimento. Eram romances açucarados com uma pitada de erotismo que não chega nem perto dos exemplares de livros eróticos que se tem hoje em dia. Em retrospecto, e relendo alguns de meus favoritos da adolescência, percebi que esses "Romances Nova Cultural" são até bem leves e discretos. 

Eis que, em um dia infeliz de 2011 comecei a ouvir falar de "Cinquenta tons de cinza". A mulherada que não teve uma adolescência como a minha, começou a falar desse livro como se fosse a última gota de água no deserto. Sente o drama? Pois é.

Tanto falaram que eu resolvi ler. Tirando os absurdos óbvios de se achar normal um homem que você mal conhece persegui-la, rastrear seu celular, dar-lhe bebida alcoólica para transformar seu "não" em um "sim" com a desculpa de tirar suas inibições e exigir sua total e absoluta submissão sem oferecer nada em troca além de "eu" - palavra do Grey, não minhas -, não achei aquele livro nada demais. Uma tia ficou desconfortável com as cenas de sexo. Uma amiga minha impressionada. Eu fiquei abismada com a escrita ruim e com a ideia de submeter minha vontade e personalidade a um homem.

No entanto, seja a contragosto, com um fio de voz discreto e olhar enviesado, temos que admitir que foi "Cinquenta tons de cinza" que abriu as portas do mercado editorial para os romances categorizados como New Adult e Literatura Erótica. É só ir em uma livraria que será fácil, fácil achar  romances apimentados para todos os gostos. Ou quase todos os gostos...

Sou a favor que as pessoas sejam e façam o que bem entendam, desde que a liberdade de alguns não interfira na liberdade dos outros. Portanto, sempre fico muito puta quando um idiota vem me dizer que livros eróticos são para mulheres mal comidas e, pior, que elas precisam que um homem de verdade as peguem de jeito.

Quando saiu o primeiro trailer de "Cinquenta tons de cinza", não importava qual site eu acessasse, invariavelmente um babaca estava lá dizendo que as leitoras queriam apanhar, que era uma literatura podre e que estavam enchendo as cabeças de besteira (para não citar o que já foi dito no parágrafo anterior). Sem querer tomar partido desse tão falado livro/filme, mas vamos com calma, amigo.

A justificativa aqui é a seguinte: se a mulher gosta de um livro em que o homem é um dominador, naturalmente ela irá querer um homem que seja dominador. Por essa premissa, posso presumir que um homem que assiste a um filme pornô com uma secretária que dá para todos os clientes da empresa que ela trabalha, quer uma mulher que dê para todos os homens que encontra pela frente.

Para os babacas das "mal comidas" algumas considerações:

Primeiro: respeite a inteligência das mulheres.
Segundo: boa sorte para encontrar uma mulher que se interesse por alguém que não dá a mínima para os desejos sexuais dela.
Terceiro: o que eu leio não é da sua conta, da mesma forma que o que você assiste não é da minha conta.
Quarto: mulheres têm tanto direito de desenvolver a sexualidade delas quanto os homens.
Quinto: fale apenas do que você entende, porque mulheres e livros eróticos, obviamente não está no seu repertório.

Desde muito jovem eu percebi que tinha uma gigantesca diferença entre a maneira como são criados homens e mulheres. Para resumir a história, vou me focar apenas nas questões referentes à sexualidade.

Sempre foi muito mais natural falar sobre a sexualidade masculina. Masturbação, filmes e revistas pornográficas eram assuntos que sempre vieram acompanhados da ideia de que, para o homem, crescer e se desenvolver como um ser viril era natural e desejável. A mulher, por outro lado, sempre teve que reprimir seus impulsos, pois uma mulher que vive de acordo com seus desejos é uma mulher de vida fácil.

Está tudo errado.

Com o crescimento dos livros eróticos e o espaço que eles vêm ganhando nas livrarias, com vários exemplos de autores antes independentes que estão começando a lançar livros físicos no mundo todo, essa discussão se tornou mais importante. O que antes era tratado como uma pequena aventura feminina no mundo do erotismo, com os inofensivos livros de bancar, o assunto está começando a incomodar.

Não deveria ser uma boa coisa que a mulher esteja descobrindo que está tudo bem sentir desejo? Não deveria ser uma boa coisa a mulher descobrir o que a atrai e o que a incomoda? Não deveria ser uma boa coisa a incrível descoberta de que mulheres gostam de sexo tanto quanto os homens? Exatamente na mesma medida! Não deveria? O que há de errado com esse mundo?

Como parece ainda haver um longo caminho a ser percorrido, vou deixar mais algumas observações  e encerrar o assunto. Por ora.

É importante que as pessoas saibam que não é porque lemos livros eróticos que

a) Somos fáceis, vulgares e precisamos de Deus no coração;
b) Somos ninfomaníacas e precisamos de tratamento;
c) Vamos transar com o primeiro homem que aparecer, porque precisamos de um que nos pegue de jeito;

***

P.S.1: A opinião discutida nesse texto é minha, de maneira que me responsabilizo sozinha pela publicação e pelo conteúdo.

P.S.2: Volto em breve com indicações ;)

domingo, 2 de agosto de 2015

Lista | Leituras de julho | 2015

6 comentários:
Olá você que veio até aqui! Bom, como prometido, vim trazer mais um post sobre as leituras que fiz em julho... e não são muito animadoras. Bom, na verdade, eu percebi que dedico pouco tempo à leitura e que preciso melhorar nesse quesito, se quiser ser uma blogueira de literatura. Afinal, eu vivo dizendo que ler é a minha paixão, então está na hora de fazer por onde.

"Meus livros parecem tristes. Livros podem parecer tristes?"
Mas o mês não foi assim tão perdido.

1) Amaldiçoado (ou O Pacto) - Joe Hill


O mês começou bem - ou mal - com esse livrinho ai. Eu li a edição antiga, com essa capa... Minha insistência com ela tem um motivo: em determinada cena do livro, o protagonista se arma com um tridente... está vendo um tridente na capa? Porque, o objeto que eu vejo tem QUATRO PONTAS e não TRÊS como deveria ser para ilustrar a história. Mas tudo bem... essa sou eu sendo chata para variar. =P












2) Simplesmente Ana - Marina Carvalho

Esse livro é da minha irmã. Eu resolvi ler, mesmo sabendo que não era o estilo que eu costumo ler. Se há um ponto positivo nessa aventura é que ele me ajudou a curar a ressaca literária bravíssima em que me meti após a leitura de "O Pacto". Precisava de uma história descompromissada, leve, um pouco de romance para variar... e foi o que encontrei.
Ainda não sei se vou fazer resenha desse livro, que é de uma autora brasileira, minera. Estou lendo o segundo livro, "De repente Ana". Vamos ver...










***


Agora vamos ao fail desse mês. Como eu disse, entrei em uma ressaca literária das bravas após a leitura de Joe Hill e precisei reencontrar meu equilíbrio para seguir minhas metas. O que envolveu abandonar leituras começadas que simplesmente não estavam indo para frente. Segue minha pequena lista de fails nada invejáveis:

3) Corporação Batman - Grant Morrison

Se você estiver pensando em começar a ler HQs, mais especificamente, as de Batman, sugiro evitar, pelo menos no começo, as escritas por Grant Morrison. Não por serem ruins. Longe disso. É que são difíceis. Ele tem o costume de trazer vários personagens e ideias antigas de Batman de lá do fundo do baú.
Eu, que não sou totalmente leiga no universo do morcego, mas também estou muito longe de ser uma especialista, posso afirmar uma coisa: é preciso ter bagagem para ler esse Batman do Grant Morrison.
Quer um exemplo? A maioria das pessoas que estão pelo menos na borda do que seria o "mundo dos quadrinhos" já ouviu falar na personagem Batgirl. E estou falando aqui da personagem uniformizada, não das mulheres que vestiram o uniforme. Pois bem. Muito antes da Batgirl, quem ajudava Batman (e Robin) no combate ao crime era a Batwoman, lá nos idos dos anos 50. E depois foi esquecida, tirada da cronologia oficial. Reboot é uma palavra que a DC Comics adora. Enfim, Grant Morrison a traz de volta nessa HQ. Assim, do nada.
Eu não consegui terminar de ler a HQ, por esse e outros motivos, e acabei abandonando. Mas vou retomar a leitura, assim que conseguir me livrar de outros projetos mais urgentes. Foco, força e fé, que eu consigo ler essa HQ ou não poderei me considerar fã de Batmnan! Questão de honra.

4) O cortiço - Aluízio Azevedo

Hora, se Batman não teve chance na minha ressaca, que eu posso dizer sobre "O cortiço"? Sem chance, coitado.

5) Os três mosqueteiros - Alexandre Dumas

Li apenas o primeiro capítulo, mas atolada de coisas como estava, decidi parar. Vou me livrar dos outros "compromissos" literários primeiros, para só depois me dedicar a esse livro que quero ler desde pequena. Com calma.

6) O nome do vento - Patrick Rothfuss

Mais um erro de julgamento. Levada pela curiosidade, comecei a ler esse livro e... até a parte em que cheguei, quando o personagem principal começa a narrar sua história, não consegui sentir nada muito carinhoso pelo livro. Protagonistas fodões dão uma preguiça...

7) O hobbit - J. R. R. Tolkien

Não me bata. Eu comecei a ler de forma muito irresponsável. Assim como "Os três mosqueteiros" essa é uma história para a qual quero dar toda a minha atenção. Vai ficar guardada até que eu possa lê-la sem culpa.

***


Como podem ver, Julho foi o mês em que tive alguns probleminhas para ler. Estive curiosa com muitos livros, me decepcionei com alguns e percebi que estava sendo injusta com outros. Precisei dar uma parada e respirar.

Assim que terminar "De repente Ana", distração bem vinda nessa época, e de revisar o livro de um amigo (que eu disse que terminaria em três semanas, mas lá se vai um mês inteiro), vou pegar pesado nas leituras.

Talvez começando com "O hobbit" para manter o tom leve, e passando para uma das muitas HQs que tenho juntando pó e traças aqui em casa. Depois... o quê?

Melhor deixar para pensar nisso em outra hora.

Bom, deixa eu voltar para a minha revisão. Uma ótima semana a todos. Deixem comentários, tenham dó dessa blogueira solitária que não aprecia falar com as paredes =(.

To brincando. Beijos e até a próxima!!!

sábado, 1 de agosto de 2015

Livro | Recomendação | Crônicas | Parte 1

Nenhum comentário:
Olá mais uma vez. Voltando para recomendar mais alguns livros para quem gosta de ler... dessa vez, para quem gosta de ler crônicas.

Esqueça por um instante as Crônicas de Nárnia e as de Gelo e Fogo, esqueça a Crônica do Matador do Rei... as crônicas das quais pretendo falar hoje, são bem diferentes.

As crônicas são textos menores que os contos, com os fatos escritos em ordem cronológica, e podem ser encontradas facilmente em jornais e revistas. Além, é claro, das coletâneas que citarei nesse post. 

Há vários tipos de crônicas, descritivas, narrativas, dissertativas, narrativo-descritivas, líricas, poéticas, jornalísticas, históricas... mas as que vou falar aqui são principalmente humorísticas. Minhas favoritas.
  • Um país chamado infância - Moacyr Scliar

Apesar de ainda ter demorado bastante tempo para me tornar uma leitora de verdade, eu considero minha passagem pela quinta série do Ensino Fundamental de extrema importância para o meu gosto literário e minha formação de maneira geral. Foi nesse ano que tive acesso a dois dos livros mais importantes da minha infância/início da adolescência. Um deles, já falei aqui, é "A Bolsa Amarela" da Lygia Bojunga Nunes. O outro é "Um país chamado infância".

Nesse livro Moacyr Scliar narra várias etapas da infância, quando as crianças estão descobrindo o mundo à sua volta e testando os adultos... testando muito.


  • Coleção "Para gostar de ler" - Vários autores

Sim, você pode até achar que eu estou roubando sugerindo uma coisa que é na verdade várias outras. Mas a verdade é que alguns dos primeiros livros que li faziam parte dessa coleção. E foi através dela que eu me encantei com o gênero de crônicas. Fernando Sabino e Rubem Braga conseguiam sempre acertar na mosca comigo. Era incrível, divertido e super rápido. Perfeito para ler enquanto espera o ônibus, na fila do banco, entre uma aula e outra. ;)
Você deve ter reparado, também, que o livro citado anteriormente, faz parte da coleção "Para gostar de ler". Coincidências da vida. Ou não.




***

Ah, o hiatus nesses tempos modernos
Por: Soraya T. de Freitas


Eu sabia. Tinha plena consciência de que a lata de lixo não aguentava mais as bolinhas de papel que eu jogava. Ela olhava para mim e tentava me dizer de boca cheia que estava satisfeita. Mas como eu não entendia – ou me recusava a entender – continuei cruelmente.

Lá pelas tantas a coitada da lata sequer se preocupava com as bolinhas que caiam pelo chão. Elas se acumulavam numa velocidade assustadora. Ameaçavam-me, rindo e dizendo que eu estava condenada a passar o resto da noite daquele jeito: escrevendo como louca e depois amassando papéis.

Noite. A noite de verdade passara há muito tempo. Por mais que ainda estivesse escuro, eu sabia que não era mais noite. Meus olhos se recusavam a fechar, obrigando-me a assistir a madrugada chegar e partir.

Porém, eu estava acostumada. Tinha obrigação de saber que era assim mesmo. Acordar no meio da noite, com tantos pensamentos que são mais rápidos que eu. E ter a necessidade primitiva de escrever. Isso tem um nome: insônia causada pela inspiração fora de hora.

Mas essa inspiração era falsa, causada pela ansiedade. Estava há meses sem conseguir escrever nada. No período que os escritores chamam de Hiatus criativo. Para sair dessa situação vale qualquer coisa, até perder o sono. E, nessas horas, é comum confundir inspiração legítima com inspiração passageira.

Quando a manhã chegou, olhei para a janela como se a acusasse de um crime grave. Olhei para o papel, ainda em branco. Olhei para a máquina de escrever… Sim, porque, um escritor não pode se chamar de escritor, sem ter usado uma dessas, ao menos uma vez. Minha máquina estava mais cansada que eu. Ela queria descansar, dormir, sonhar com um mundo sem papel e sem tinta. Então, deixei-a em paz.

Peguei meu caderno de rascunhos. Procurei meu estojo por toda parte, mas a única caneta que encontrei em toda casa foi aquela Bic vermelha.

Consegui rasurar algumas páginas. Nada muito animador. Tentei ressuscitar algumas ideias, mas como disse Drummond: “Não colhas no chão o poema que se perdeu”. Finalmente entendi o que ele quis dizer. Quanto mais eu repetia frases soltas ou parágrafos inteiros, menos gostava deles.

De repente, como toda caneta que pretenda se chamar de Bic, a minha começou a falhar. A cada três palavras, eu tinha que fazer um rabisco no canto da página, para a tinta sair. Quando minha paciência boêmia se esgotou, atirei a caneta longe. Perto da lata de lixo, que a essa altura devia querer o café da manhã. (Sim, querida lata, eu vi o olhar que lançou à caneta).

Tentei minha última alternativa. O computador. Ah, a modernidade! Ah, o conforto desses tempos modernos!

Abri o Microsoft Word. Ali sim eu poderia escrever e reescrever quantas vezes quisesse. E ainda havia o Ctrl+C e Ctrl+V, que agilizariam a tarefa.

Ah, esses tempos modernos!

Mesmo resistindo à tentação quase material, concreta, da Internet, não consegui escrever mais que uma folha e meia. Fiquei nervosa, angustiada, enraivecida, decepcionada. Batia as mãos no teclado. Encarava a tela em branco que me provocava. Meus olhos ardiam. Era o sono. Dava para tocar a tensão!

Nada melhor para a minha inspiração, que ficar de mau humor. É infalível! A inspiração veio. Escrevi por um longo tempo, nem contei. Uma, duas, três páginas. Estava ficando bom. E eu estava aliviada. Já estava pensando na cama que me esperava no quarto.

O último parágrafo.

A última frase.

A última palavra.

O último ponto.

...

Ah, esses malditos tempos modernos!

No último “último” o Word travou.

De súbito, o zero. O branco. O vazio. O nada.

Ah, esses malditos e mal inventados tempos modernos!

Desliguei o computador em estado de choque. Incapaz de ficar nervosa ou decepcionada. Fui para a cama. Deitei. Mas o sono não veio. De repente, levantei. Uma ideia genial! Como não pensara nisso antes?

Peguei meu caderno. Procurei meu estojo novamente. Estava jogado perto da cama (embora eu tivesse procurado lá antes, vai entender). Escrevi.

O texto? “Ah, o hiatus nesses tempos modernos!”