terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Blog | Fechamento de 2015

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Olá você!!! =D Ressurgindo das cinzas para falar sobre um montão de coisas... então vamos começar logo, porque vocês sabem que, se deixarem, fico escrevendo aqui até amanhã... =/



Livros lidos em 2015

Bom, como vocês devem ter percebido, não li muita coisa esse ano. Como minha rotina mudou bastante de 2014 para cá, ficou mais difícil alcançar os 35 livros lidos no ano passado. Pois é, pois é. Além disso, passei por uma ressaca literária que começou depois da leitura de Amaldiçoado, do Joe Hill, e culminou na leitura de It, a Coisa, do Stephen King. Dois casos em que a qualidade estava muito acima da média de leitura desse ano...
  • Quadrinhos:
Batman vs Robin - Grant Morrison
Demolidor: O diabo da guarda - Kevin Smith e Joe Quesada
A Queda de Gilead - Peter David, Robin Furth e Richard Isanove
  • Livros - Releitura:
Harry Potter e a Ordem da Fênix - J. K. Rowling
Harry Potter e o Enigma do Príncipe - J. K. Rowling
Harry Potter e as Relíquias da Morte - J. K. Rowling
Orgulho e preconceito - Jane Austen - [Link]
Amando o homem errado - Penny Jordan
Noiva de pedra - Joan Hohl
A Torre Negra - A escolha dos três - Stephen King
  • Livros - novos:
Amaldiçoado - Joe Hill - [Link]
Sobre a escrita - Stephen King
Para onde ela foi - Gayle Forman
Battle Royale - Koushun Takami - [Link]
As brumas de Avalon - A Senhora da Magia - Marion Zimmer Bradley
Fahrenheit 451 - Ray Bradbury - [Link]
O hobbit - J. R. R. Tolkien - [Link]
Simplesmente Ana - Marina de Carvalho
It, a Coisa - Stephen King - [Link]
  • Livros abandonados:
O cortiço - Aluízio de Azevedo
Os três mosqueteiros - Alexandre Dumas
HQ - Corporação Batman - Grant Morrison
  • Livros em andamento:
A crônica do matador do rei - O nome do vento - Patrick Rothfuss
A revolução dos bichos - George Orwell
Eu sou Malala - Christina Lamb e Malala Yousafzai


Atualização do Desafio dos 100 autores

Pois bem, apesar desse ter sido um ano meio xoxo de leitura, consegui dar uma agilizada na conclusão do meu auto imposto desafio de ler livros de 100 autores diferentes. A minha lista anterior terminou no número 42, mas lembrei de mais alguns nomes que merecem ser colocados aqui. E tem os novatos também =D

43 - Eduardo Zugaib
a - Gothan Sampa City

44 - Ella Fox
a - Broken Hart (The Hart Family 1)
b - Shattered Hart (The Hart Family 2)
c - Loving Hart (The Hart Family 3)
d - Unbroken Hart (The Hart Family 4)
e - Missin Hart (The Hart Family 5)
f - Finding Hart (The Hart Family 6)
g - Picture Perfect (The Renegate Saints 1)
h - Twist of Fate (The Renegate Saints 2)

45 - Eve Berlin
a - Luxúria (Luxúria 1)

46 - Fernando Pessoa
a - Poemas Completos de Alberto Caeiro

47 - Gayle Forman
a - Para onde ela foi

48 - Katy Evans
a - Real (real, raw and ripped 1)
b - Mine (real, raw and ripped 2)
c - Remy (real, raw and ripped 3)

49 - Luíza M. Alcott
a - Quatro irmãs

50 - Marina de Carvalho
a - Simplesmente Ana

51 - Sandy Lynn
a - Forever Black
b - Forever you
c - Forever us

Saldo final: 51 autores - 107 livros


Top 5 - Melhores livros de 2015

Acho um pouco triste perceber que fazer esse Top 5 foi fácil demais, mas estou com esperança de que 2016 seja um ano mais interessante nesse quesito... de qualquer forma, me orgulho muito das escolhas e tenho quase certeza que elas ainda estariam aqui independente do saldo de leitura... =D

5 - Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
4 - Battle Royale - Koushun Takami
3 - Amaldiçoado - Joe Hill
2 - Sobre a escrita - Stephen King
1 - It, a Coisa - Stephen King

Top 5 - Melhores autores de 2015

5 - Koushun Takami - Battle Royale
4 - Kevin Smith - Demolidor: O diabo da guarda
3 - Ray Bradbury - Fahrenheit 451
2 - Marion Zimmer Bradley - A Senhora da Magia
1 - Joe Hill - Amaldiçoado

Bom, é isso crianças. Em breve vou atualizar o post do Desafio dos 100 autores, para deixar tudo organizado. No vindouro dia em que eu conseguir terminar essa lista dos 100 autores, vou sentar e fazer uma lista com os 10 livros e os 10 autores favoritos... até lá... resta esperar e tentar ler mais, mais e mais... =DDD

O próximo post será apenas em 2016, com minha pequena lista de 12 livros para serem lidos no ano que está chegando. A minha meta desse ano foi fail pela metade... mas falo mais disso depois.

Beijos e um ótimo Ano Novo para todo mundo que passar por aqui!!! ♥♥♥♥♥

domingo, 13 de dezembro de 2015

Tag | 50 perguntas sobre Harry Potter

Um comentário:
Olá. Sei que estou atrasada para responder essa tag, mas na internet, old is gold. Especialmente quando se refere a Harry Potter.

Não sei se, nessa altura esse aviso é necessário, mas... ESSE POST TEM SPOILER. MUITOS.





1) O melhor livro: Harry Potter e a Ordem da Fênix. Sei que esse não é o favorito de todo mundo, que geralmente respondem O Enigma do Príncipe e As Relíquias da Morte. Respostas que eu entendo, assim quando entendo quem diz que seu livro favorito é A Pedra Filosofal, pois foi onde tudo começou. Mas A Ordem da Fênix me ganhou porque tem um pouco de tudo que eu gosto: rebeldia, ditadura, amigos... e drama. Muito drama.

2) Personagem favorito: Essa não foi fácil. Fiquei sinceramente dividida entre Rony e Hermione. E, embora eu adore ela e a tenha como exemplo a ser seguido... no final do dia Ronald Billius Weasley continua sendo meu favorito.
Por quê? Não sei. Eu sinto a dor dele. Eu entendo porque ele se sente inferior e inseguro quanto à atenção de Hermione e sua mãe. E não podemos culpa-lo. Para Harry, tudo. Para Rony... as sobras dos irmãos. Por quê? Por quê? Por quê?

3) Cena preferida de Harry Potter e a Pedra Filosofal: A primeira vez de Harry em Hogwarts.

4) Local preferido: A Toca, lar da família Weasley. O lugar onde temos certeza que encontraremos amor.



5) Se você fosse um animago, em qual animal se transformaria? Gato. Porque eu sempre quis ser gata. Quero dizer, que outro bicho leva uma vida mais fácil que os gatos?

6) Melhor vilão: Voldemort. Eu sei que alguns (Fred) dizem que ele parecia mais ameaçador do que demonstrou ser no último livro, mas a história dele é fascinante e horripilante. Não sei onde li, nem se essa informação é canon, mas fez muito sentido: o motivo de Tom Riddle ser um bruxo psicopata vem do fato de ele não ter nascido fruto do amor, mas de uma poção do amor. Faz sentido, não faz?

7) Cena preferida de Harry Potter e a Câmara Secreta: Encontro com o pedaço da alma de Tom Riddle. Eu não sou muito fã do segundo livro.

Cena de O Enigma do Príncipe

8) O melhor filme: Harry Potter e a Pedra Filosofal. Eu sei, talvez não faça muito sentido eu dizer que meu livro favorito é um e meu filme favorito é outro. Mas explico. Minha história com HP começou nesse filme. E, em termos de adaptação, e porque não gosto do segundo, e porque o primeiro significa mais para mim do que o terceiro... eu escolhi esse. Não significa que eu não goste dos outros, mas... a verdade é que as adaptações foram ficando cada vez mais complicadas ao longo dos filmes. No quinto filme, só entende totalmente o enredo quem leu o livro. É falho. Isso e a atuação cada vez mais lamentável de Daniel Radcliffe. Ele se redimiu comigo em Amaldiçoado, mas... eu ainda não gosto dele.

9) Qual personagem que morreu que você queria que tivesse sobrevivido? Quer a lista? Com certeza seis personagens deveriam ter essa chance: James (Tiago), Lilian, Sirius, Lupin, Fred e Tonks. No entanto, quem realmente toca meu coração é Tonks. Ela tinha acabado de ser mãe, poxa vida. E o pequeno Ted Lupin? Por que ele tem que passar pela mesma tristeza que seu padrinho Harry? Por que esses livros tinham que ser tão tristes, sra. Rowling?

10) Quem você prefere: Harry, Rony ou Hermione? Supondo que eu não tenha respondido no 2? Rony.



11) Cena preferida de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban: Confronto entre Sirius, Lupin e Peter, e a história dos marotos. (Netflix deveria fazer uma série sobre os marotos. Essa ideia não é minha, mas vamos ser sinceros... seria foda.)

12) Qual livro mais te emocionou? Harry Potter e as Relíquias da Morte. Quero dizer, O Enigma do Príncipe tem uma cena emocionante, mas em Relíquias tem muito mais tristeza.

13) O final de qual personagem você mudaria e porquê? De novo, difícil dizer. Remo Lupin, Ninfadora Tonks... Que tal deixar Lupin como resposta da 13 e Tonks como resposta da 9? Perfeito.

14) Qual posição você jogaria no Quadribol? Na mesma que a Hermione... porque eu não seria esportista nem na ficção.



15) Qual personagem que sobreviveu, mas você gostaria que tivesse morrido? Dolores Umbridge.

16) Cena preferida de Harry Potter e o Cálice de Fogo: O retorno de Lord Voldemort.

17) Qual filme mais te emocionou? Harry Potter e o Enigma do Príncipe. A cena logo após a morte de Dumbledore. Porque Enigma do Príncipe está na resposta da 17 se Relíquias da Morte está na 12? Para não repetir respostas e para não estragar a pergunta sobre a cena preferida de Relíquias da Morte.

18) Jogador preferido de Quadribol: WEASLEY É NOSSO REI!!!

19) Qual livro você leu mais vezes? Harry Potter e as Relíquias da Morte.

20) Qual casa de Hogwarts você pertenceria? Mesmo antes de confirmar no antigo Pottermore: Lufa-lufa.




21) Cena preferida de Harry Potter e a Ordem da Fênix: Todas da Armada de Dumbledore. Revolução!!!

22) Qual seu professor preferido? Remo J. Lupin.

23) Que destino você daria a Draco Malfoy? Ele não teria se juntado aos Comensais da Morte no final da Batalha de Hogwarts.

24) Qual filme você assistiu mais vezes? Impossível saber.

25) Personagem que poderia não existir que não faria falta nenhuma: Carlinhos Weasley.

26) Personagem que só aparece nos livros, mas você gostaria de ter visto nos filmes: Os pais de Neville Longbotton. Sim, eles aparecem em uma fotografia, mas não conta.



27) Personagem que é exatamente nos filmes, como você imaginou nos livros: Luna Lovegood e Dolores Umbridge.

28) Cena preferida de Harry Potter e o Enigma do Príncipe: Hermione confessando a Harry seus sentimentos por Rony e depois atacando Rony com pássaros.

29) Matéria preferida ensinada em Hogwarts: Transfiguração.

30) Se pudesse possuir uma Relíquia da Morte, qual seria? A Capa da Invisibilidade. Acho que a usei durante o Ensino Médio...

31) Qual forma teria seu patrono? Gato.

32) Interprete favorito: Rupert Grint. Talvez essa resposta esteja influenciada pelo personagem favorito, só que eu não ligo.

33) Melhor adaptação: Harry Potter e a Pedra Filosofal.

34) Cena preferida de Harry Potter e as Relíquias da Morte - parte 1: O retorno de Rony.



35) Time de Quadribol preferido: De Hogwarts: Grifinória (apesar de ser da Lufa-Lufa)
Seleção: Irlanda.
Não sei nome de outros times nos livros… mas acho que torceria pelos Mudbloods no Campeonato de Quadribol de trouxas :P

36) Qual lembrança você usaria para produzir um Patrono?
Ter ido ao show dos Backstreet Boys esse ano.

37) Se você pudesse escolher um feitiço, apenas um, para usar sempre que quisesse, qual seria? Wingardium Leviosa.

38) Criatura mágica preferida: Testrálios.

39) Qual das criaturas que Hagrid teve mais te dá medo? Aragogue. Sério, Hagrid? Aranhas gigantes?

40) Cena preferida de Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2: Reunião de Harry com Lilian, Tiago, Remo e Sírius.




41) Se você tomasse a poção polissuco, em qual personagem da saga você gostaria de se transformar? Hermione Granger.

42) Sua loja preferida em Hogsmead: Dedos de mel.

43) Qual dos marotos é o seu preferido? Sírius Black.

44) Personagem que para você faz toda a diferença na história: Severo Snape.

45) Melhor apanhador: Harry Potter ou Vítor Krum? Vítor Krum, que já era da seleção da Bulgária quando ainda estava no colégio. Ou isso, ou realmente não faz sentido ele estar em Hogwarts durante o Torneio Tribruxo.

46) Personagem que você não gostaria de ser: Lilá Brown. Ela foi mordida pelo Lobo Greyback durante a Batalha de Hogwarts.

47) Se Harry Potter não tivesse participado do Torneio Tribuxo, para quem você torceria? Cedrico Diggory, que era da Lufa-Lufa. Acho que, mesmo com o Harry participando, eu torcia para o Cedrico. Por que só o Harry tem que ficar com a glória?

48) Qual dos Comensais da Morte é seu preferido? Bellatrix Lestrange.

49) Profeta Diário ou Pasquim? Imprensa corporativa comprada ou imprensa independente? Pasquim, desde “A Ordem da Fênix”.

50) Qual seria a continuação que você daria a Harry Potter?
Eu só gostaria que J. K. Rowling parasse de torturar os fãs com declarações como: “hoje (1/9/2015) é o dia em que Tiago Sírius Potter começa em Hogwarts e ele é selecionado para a Grifinória, e Teddy Lupin, que é monitor na Lufa-Lufa, fica chateado”. Por favor, mulher, ou escreve logo uma história com os filhos dos nossos personagens favoritos, ou para de torturar a gente.
E também gostaria que ela nunca tivesse dito que Hermione seria mais feliz com Harry que com Rony.

sábado, 31 de outubro de 2015

Livro | Resenha | It, a Coisa - Stephen King

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Derry

“Pode uma cidade inteira ser assombrada?
Assombrada como algumas casas em teoria são?
Não uma única construção nessa cidade, nem a esquina de uma única rua, nem uma única quadra de basquete em um único parque, (…), não só uma área… mas tudo. A cidade toda.
Isso é possível?”

Derry, no Maine, é uma cidade assombrada. A criatura que vive em Derry caiu naquele pedaço de mundo quando a Terra ainda era jovem e a cidade cresceu em volta do lar da Coisa. Em intervalos de aproximados 25 anos, a cidade sofre um aumento considerável nos casos de violência, começando e culminando em um grande desastre.
Essa é uma história sobre Derry, um lugar onde as pessoas não se assustam com coisas terríveis, não se contém em nome da moral e da ética, não se incomodam com cenas de violência a um metro de distância. Um lugar onde as pessoas não gostam de falar do passado, porque têm medo da própria culpa.

O Clube dos Otários

Conhecemos os personagens principais durante o verão de 1958, logo após o início das férias escolares.
Bill Denbrough está tentando se acostumar com a nova realidade de sua família após a morte de seu irmão mais novo, no outono de 1957. George Denbrough era um garoto de 6 anos que, no dia em que morreu, tinha saído para brincar com um barco de papel que Bill tinha feito para ele. Apenas alguns minutos depois, ele estava morto. Seu corpo mutilado foi encontrado ao lado de um bueiro.
Não demorou muito para que outras crianças de Derry começassem a desaparecer e algumas serem encontradas mortas. A cidade entrou em alerta e instituiu um toque de recolher. Parecia claro que havia alguma coisa ou alguém matando crianças naquela região. Apesar de George não ter sido diretamente ligado a esses desaparecimentos, que aumentaram no período entre sua morte até o fatídico verão do ano seguinte, Bill sentia que sim, seu irmão tinha sido a primeira vítima.
Ao lado de seus amigos Eddie Kapsbrak, Richie Tozzier, Stan Uris, Ben Hanscon, Mike Hanlon e Beverly Marsh, ele percebe que os assassinatos e desaparecimentos não são obra de um serial killer ou um maluco qualquer. Há alguma coisa podre em Derry, algo que apenas as crianças entendem e que os adultos sentem da mesma forma que sentem o vento, a água, a terra. É justamente essa naturalidade com que os adultos de Derry encaram os estranhos eventos que cercam a história da cidade que os torna impotentes diante dessa ameaça.



O nome “Clube dos Otários” não é por acaso. Cada uma deles representa aquelas crianças excluídas e diferentes que todos nós conhecemos – ou fomos – na escola: Bill, gago; Eddie, asmático; Ben, gordo; Richie, nerd; Stan, judeu; Mike, negro; Bev, piranha. É impossível não se identificar com um deles, não se sentir como um deles.
A história dessas crianças, mais do que a versão delas adultas, que conhecemos no verão de 1985, é o elemento mais poderoso desse livro. A amizade deles, o amor, a lealdade e, principalmente, a coragem e inocência da infância são o que tornam It um livro mágico.
As sete crianças enfrentam a Coisa pela primeira vez naquele verão, nos túneis debaixo da cidade. Porém, alguma coisa dá errado e elas fazem uma promessa de voltar e terminar o serviço, quando o ciclo de 25 anos se fechasse e a Coisa voltasse a aterrorizar Derry.
A Coisa quer vingança e sai na frente das crianças, pois ela sabe algo que elas só descobrirão 27 anos mais tarde: os adultos trocam a inocência fácil da infância pela rigidez cética da vida adulta.

O livro

Vi em algumas resenhas pessoas reclamarem da prolixidade de Stephen King nesse livro. Isso é relativo. De fato, o livro é muito longo. A edição de 2014 da Suma das Letras tem 1103 páginas. Alguns podem achar que são páginas demais. A adaptação cinematográfica de 1990 claramente achou-as desnecessárias. Mas, ainda que possamos considera-las demais, discordo que não sejam pertinentes.
A narração se divide em pelo menos duas linhas temporais, o verão de 1958 e o verão de 1985. Não há, no entanto, uma linha rígida entre os dois períodos, levando a história do ponto A ao ponto B. É mais como se os dois períodos ocorressem paralelamente.
Quando os personagens se reencontram 27 anos depois do primeiro confronto com a Coisa, eles não se lembram do que aconteceu no verão de 1958. Eles apenas sabem que devem estar lá e fazer o que prometeram fazer. Conforme as lembranças chegam, acompanhamos passado e presente, numa estrutura de suspense que prende o leitor do início ao fim.
Há também outros cortes na narrativa, através de trechos do diário de um dos personagens, Mike Hanlon, que contará partes importantes da história da cidade. São passagens em que podemos ver que Derry não é uma cidade normal: a explosão na Siderúrgica Kitchener, o incêndio no Black Spot, o assassinato da gangue Bradley, a enchente no outono de 1957.
Casos expressivos que mostram o quanto Derry não é apenas uma cidade que convive silenciosamente com a violência, mas também está acostumada com as tragédias, como se elas acontecessem porque Derry é assim e essa é a única explicação necessária.
Não, não são trechos relevantes para o enredo central, mas são importantes para dar o clima de suspense e terror do livro, e para contextualizar a relação simbiótica de Derry, a cidade assombrada, e a Coisa, o ser sobrenatural que a assombra.



Outro momento em que a prolixidade do autor pode ser um problema para alguns está na construção dos personagens. Ao mesmo tempo em que para haver identificação é preciso conhecer os personagens e suas histórias, Stephen King vai além do necessário ao tentar dar profundidade aos personagens secundários. Por exemplo, não faz diferença saber que a melhor amiga da Beverly-adulta é uma feminista que vive da pensão do ex-marido ou que Tom, marido de Beverly, teve uma infância difícil após a morte do pai.
Isso é algo que também aparece em outros livros do autor, como O Pistoleiro, com uma aeromoça desconfiada, ou em A escolha dos três, com dois policiais que estavam no lugar errado, na hora errada. Ambos os livros da série A Torre Negra.
Há alguns pontos, porém, mais complicados que a necessidade de Stephen King de contextualizar, literalmente, tudo. Sem querer dar spoiler, vou apenas deixar isso aqui e seguir em frente: a cena em que Beverly tem uma idéia para tirar ela e os amigos dos túneis é um tanto… despropositada. Sério que não tinha outro jeito, Stephen King? Sério mesmo?
O tamanho do livro assusta. Não recomendo para quem não leu outras obras do autor. Aliás, para iniciantes, recomendo os livros de contos, especialmente Sombras da noite que foi a minha porta de entrada para a escrita de Stephen King, de onde não quero sair nunca mais. Outra recomendação é o livro de memórias e dicas de escrita, Sobre a escrita.
A Coisa é o melhor e pior monstro ao mesmo tempo, pois é aquilo de que você tem medo. E dá medo de verdade. Ela tem várias formas e muitos truques. Ela é capaz de enxergar o seu maior medo e usar contra você. Não é aleatória a forma com a qual é mais conhecida, como o icônico Pennywise, o Palhaço. Quantos de nós têm medo de palhaço? Quantas crianças choram ao ver um palhaço?



A escrita de Stephen King é maravilhosa. Ao mesmo tempo ele consegue criar um ambiente tenso, um contexto completo, uma criatura assustadora, personagens realistas e uma história sobre amizade que superou uma das minhas referências no assunto, não por acaso o filme Conta comigo, baseado no conto O corpo do próprio King (presente no livro As quatro estações).
It, a Coisa é um livro sobre a fé, não em um ser cósmico onisciente e atemporal, mas a fé cega e pura das crianças em Papai Noel, Coelho da Páscoa e Fada do Dente. E, inevitavelmente, no Monstro-Debaixo-Da-Cama.

“Eu amava vocês todos, vocês sabem.
Eu amava vocês tanto.”

sábado, 10 de outubro de 2015

Livro | Resenha | O hobbit - J. R. R. Tolkien

Um comentário:


Expectativa x Realidade


Já faz um mês que terminei de ler esse livro e, desde então, estou pensando em como resenha-lo. De certa forma, é a mesma dificuldade que encontrei quando tive que resenhar As crônicas de Nárnia e, se você prestar atenção naquela resenha, está mais parecida com aquelas sinopses que as editores escrevem tentando vender um livro, do que com uma resenha propriamente dita. Mas eu me esforcei e não estou de todo descontente com o resultado.
Com O hobbit, no entanto, a situação parece só um pouquinho mais difícil.
Em ambos os casos, eu estava plenamente ciente de que se tratavam de livros infantis e que eu não deveria encará-los da mesma maneira que encararia um livro mais sério. Teria que vestir minha capa de infanto-juvenil e ler esses livros como eles mereciam ser lidos. Ao mesmo tempo, em ambos os casos, eu estava com muita expectativa de que os livros seriam incríveis e que eles entrariam fácil no meu hall de favoritos. Não foi o que aconteceu.
Sim, eu gostei dos livros, mas eles estão longe de representar na minha vida o que eu achava que eles representariam. E é uma pena, eu sei, mas isso não dá mais para mudar.

O livro


O hobbit conta a história de Bilbo Bolseiro e de como ele conseguiu o Um Anel. Bom, na verdade, o Um Anel é só mais um elemento do livro, não algo realmente importante. Para quem leu e assistiu aos livros/filmes da trilogia OSDA, às vezes chega a ser brincadeira a maneira como Bilbo usa o Um Anel como muleta durante quase todo o livro. A explicação, obviamente, é que Tolkien escreveu O hobbit muito antes de escrever O Senhor dos Anéis e, naquela época, o Um Anel era apenas um anel.
Enfim, eu divaguei.
Bilbo Bolseiro era apenas mais um hobbit pacífico e tranquilo do Condado. Ele não era muito chegado a aventuras e, como os outros de sua raça, olhava torto para aqueles que gostavam de aventuras, como seus parentes distantes, os Tuks. Um dia, enquanto está fumando seu cachimbo, Bilbo depara-se com uma figura tão diferente, alta e parecida com um humano, que era óbvio que se tratava de um andarilho… na verdade, tratava-se de Gandalf, o cinzento.
Gandalf lhe diz que está a procura de alguém que possa ajudar a ele e a alguns amigos em uma aventura. Bilbo, que sabiamente desconfia de Gandalf e da tal aventura, trata logo de se livrar do visitante e volta para sua confortável toca de hobbit.
Gandalf, malandro que só ele, não aceita a rejeição de Bilbo (porque isso é exatamente o que acontece) e decide fazer uma marca na porta de entrada da toca. Mais tarde naquele dia, Bilbo começa a receber visitas inesperadas. Nada mais, nada menos que treze anões simplesmente aparecem em sua toca: Balin, Bifur, Bofur, Bombur, Dori, Dwalin, Fili, Gloin, Kili, Oin, Ori, Nori e Thorin. É muito anão.
Todos eles são amigáveis, mas nenhum deles tinha sido convidado. Longe de saber o que eles estavam fazendo ali, Bilbo esforçou-se para ser um bom anfitrião. Quando boa parte dos não-convidados já estava presente, eis que chega Gandalf, com a maior cara lavada.
É assim, basicamente, que Bilbo descobre que é a décima quarta parte de um grupo que atravessará toda a Terra Média até a Montanha Solitária. Lá costumava ser o reino dos anões que estão agora em sua toca, mas há muito tempo suas famílias foram expulsas de lá por um perigoso dragão, chamado Smaug. Quando chegarem à Montanha Solitária, caberá ao pequeno hobbit (redundância) ser o “ladrão” dessa expedição suicida.
O líder dessa expedição é Thorin, Escudo de Carvalho, herdeiro do “reino sob a montanha”, que deseja devolver ao seu povo a honra e os tesouros que foram roubados por Smaug.
Durante a jornada, muitas coisas dão errado. Eles têm que fugir de trolls, gigantes, orcs, wargs (lobos da Terra Média), aranhas gigantes, elfos (mais saltitantes aqui que nos três livros de OSDA), Smaug e, por fim, conseguem se meter em uma batalha com nada menos que cinco exércitos! Isso porque Bilbo não gostava de aventuras, imagina se gostasse!
Então sim, o livro é divertido e mágico, como deveria ser.

O filme



Eu li os três livros da trilogia O Senhor dos Anéis em 2009 (literalmente o ano inteiro de 2009). Isso foi depois de ter assistido aos filmes, o que não foi um grande problema para mim. Na tela tinha tudo o que merecia aparecer e foi uma ótima adaptação.
Quando foi anunciado que seriam feitos três filmes para adaptar O hobbit, acompanhei as discussões a respeito de longe. Ao mesmo tempo que entendia que era muito filme para pouco livro, não estava realmente me importando com a questão. Fui assistir ao primeiro filme, Uma aventura inesperada, com um misto de pé no chão e expectativa. Sei que as duas coisas não combinam, mas vou tentar explicar. “Pé no chão” com o fato de que haveria partes inventadas pelos roteiristas e na expectativa de que o filme seria pelo menos bom. Era um filme do Peter Jackson sobre a Terra Média, afinal! Ele tinha acabado de usar três filmes para provar que sabia como fazer...
E eu gostei do filme. Aliás, dos filmes. Nada que entre nos meus favoritos, mas ainda assim, gostei. Claro que tem muita coisa que não está no livro:

1)      O romance entre uma elfa e um anão – sou neutra a respeito disso.
2)      A presença de Legolas. Para mim, faz sentido que ele esteja lá, pois ele faz parte dos Elfos da Floresta.

Há outras coisas que foram tiradas de outro livro de Tolkien sobre a Terra Média, o Silmarillion, mas eu não me importo muito com isso. Algumas das mudanças foram necessárias, como as explicações a respeito do Necromante. Outras foram apenas para justificar a existência de três filmes e não vou tentar convencer ninguém que esse número era necessário.
Porém, não é sobre as diferenças que quero falar. Quero falar das partes dos filmes que estavam no livro.
Os filmes que foram feitos para adaptar O Senhor dos Anéis têm uma pegada séria e adulta, seguindo o padrão dos respectivos livros. Quando foram fazer os filmes do O hobbit queriam aproveitar e contar a origem do Um Anel, como ele foi parar com Bilbo e seu breve encontro com Smeagle. Tratava-se, portanto, de filmes que estariam diretamente ligados com a trilogia anterior filmada por Peter Jackson. Seria estranho se os filmes de O hobbit seguissem o padrão do livro no qual foram baseados, ou seja, se tivessem um tom infantil.
Essa foi a escolha de Peter Jackson. Ou ele faria um filme coerente com os anteriores ou faria um filme coerente com o livro. Ele escolheu os próprios filmes.
O resultado foi que O hobbit recebeu o mesmo tratamento sério dos demais filmes e precisou ser esticado para que as ligações necessárias entre a primeira trilogia e a segunda fizessem mais sentido. Você precisa ter em mente que, quando uma obra - qualquer obra - é adaptada para o cinema, o estúdio não está interessado em agradar apenas quem já conhecia o material original. Eles querem atrair também um público completamente novo. Quantas pessoas vocês acham que assistiu aos três filmes de O Senhor dos Anéis, gostou, mas nunca se interessou em ler os livros?
Não sei se Peter Jackson fez a escolha certa. Da minha parte, como tive dificuldade para vestir minha capa de criança e ler o livro tal qual uma criança provavelmente o leria, acabei gostando mais dos filmes. Não nego as deficiências dele, assim como não nego os méritos do livro.

Favoritos


Personagem: Bilbo é, sem dúvida, meu personagem favorito, assim como os demais hobbits de OSDA. Eu gosto desses baixinhos!
Cena: Minha cena favorita é o encontro de Bilbo e Smeagle, quando eles jogam aquele perigoso jogo de adivinhação.
Filme: Meu filme favorito é o primeiro, especialmente o comecinho, quando Bilbo começa a receber os anões e Gandalf, até a parte que descobre que os anões apostaram sobre ele aceitar ou não a missão.
Ator: Martin Freeman simplesmente porque ele foi perfeito como Bilbo.
Livro ou filme: Filme…



(Soraya foge das pedras).

domingo, 6 de setembro de 2015

Lista | Leituras de agosto | 2015

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Olá, olá. Dei furo semana passada e não postei nada no blog. =D Mas tudo bem, hoje voltaremos à programação normal.
Nesse mês, não consegui ler muitos livros novos. Acho que a ressaca literária foi mais forte do que eu imaginei que seria. Optei por reler vários livros dos quais eu gostava.
Como eu tinha dito no post do Desafio, não vou considerar as autoras dos romances que vou citar aqui. Eles são apenas alguns dos que eu li e, como não vou conseguir achar o nome de todos (e dos que realmente gosto) decidi tirar todos da lista. Mesmo porque, se eu for ficar considerando todos os livros de romance que li, vai ser fácil concluir esse desafio.

> > > RELEITURAS <<<

1) Amando o homem errado - Penny Jordan

Um dos meus romances eróticos favoritos. Já reli esse livro incontáveis vezes, mas só dessa vez resolvi pegar o nome da autora.
A história é sobre uma mulher que desde a adolescência ama o primo, mas quando é obrigada a ir em uma viagem profissional com o outro primo... bem, descobre que estava amando o homem errado.








2) Noiva de pedra - Joan Hohl


Esse livro tem duas histórias, mas só li a segunda. É a história de uma mulher que fechou completamente o coração para os homens. Até conhecer o seu futuro marido. Literalmente, porque ela é obrigada a se casar para salvar a empresa de sua família, que seu pai quase levou à falência.









> > > NOVOS <<<

3) Caçada a um solteirão - Emma Richmond

Não tenho imagem desse, mas não importa, porque não gostei muito. É meio repentino como algumas coisas acontecem na história. Dispensável.

4) Amor sem compromisso - Janelle Denison

Esse é um livro interessante... sqn. Faria qualquer feminista ficar de cabelo em pé. Conta a história de uma garota que tem um homem que a ama... mas desmancha o relacionamento porque ele não quer casar. Pelamor, né?

Eu sei, eu sei, o enredo do livros eróticos da família Sabrina e suas amigas, são bastante babacas. Mas dá para ler em um dia e que se dane o resto.

5) O hobbit - J. R. R. Tolkien

Sim, finalmente, finalmente, FINALMENTE eu criei vergonha na cara e li O Hobbit. O que me deu ainda mais vontade de ler de novo OSDA ~ socorro...
Eu não sei com certeza o que achei desse livro, partindo do ponto que assisti aos dois primeiros filmes antes de lê-lo. Calma, eu explico.
Apesar das várias partes inventadas nos filmes, criadas para justificar a necessidade de três filmes para adaptar um livro... algumas partes que não foram inventadas parecem melhores no filme do que no livro.
Eu sei, eu sei... muitos fãs de Tolkien estão prontos para atacar pedras em mim, inclusive, imagino, minha sócia... =/
Eu gostei do livro, mas ainda prefiro OSDA.



> > > QUADRINHOS <<<

6) Demolidor: Diabo da Guarda - Kevin Smith e Joe Quesada





E esse foi o quadrinho do mês. Foi a primeira HQ da Marvel que eu li inteira e, quer saber, eu adorei. A história é incrível e, mesmo que eu não soubesse muito da vida do Matt Murdock antes de começar a ler, o resumão na primeira página foi o suficiente para eu conseguir ler sem maiores problemas.
Matt Murdock precisa resolver um caso com um forte tom sobrenatural... acontece que um bebê dito como o anticristo fica sob seus cuidados e ele precisa decidir entre entregar o bebê para aqueles que querem destruí-lo antes que ele faça sua "obra" ou proteger o bebê.
Aquela velha história... se você tivesse a chance de voltar no tempo, você mataria Hittler ainda bebê para impedir o holocausto?


> > > EM ANDAMENTO <<<

7) O nome do vento - Patrick Rothfuss


Esse é um livro que vem se arrastando ao longo desse mês. Não avancei muito e fiz mais uma pausa, no capítulo 14 - o nome do vento. Uma hora vai.










8) Harry Potter e as relíquias da morte - J. K. Rowling


Ano passado eu comecei a releitura dos meus livros de Harry Potter (porque foi só no ano passado que completei minha coleção). E esse ano, eu tinha parado no sexto livro. Como a leitura de O nome do vento tava meio devagar... Ah, não preciso me explicar. É Harry Potter porra! @_@






domingo, 23 de agosto de 2015

Livro | Lista | 10 livros que abandonei

2 comentários:
Olá pessoas! De volta com uma quase tag. Dessa vez, falando dos livros que passaram pela minha mão e, por um motivo ou outro, não consegui terminar.

Sabe, é impossível ter orgulho de uma lista como essa. Pensei várias vezes antes de fazê-la e, quando fiz, vi alguns títulos que doeram no meu coração de leitora. Por que, por que eu não li aquele livro inteiro? No entanto, eu não sou de ferro. Ninguém é, nem os leitores assíduos. Portanto, estamos todos sujeitos às fases da vida e aos momentos em que um livro simplesmente não se encaixa.

Alguns receberão uma segunda... ou terceira chance, agora que eu tenho um blog e assumi o desafio dos 100 autores. Outros... bom, "os outros são o-s outros".

1) A rosa do povo - Carlos Drummond de Andrade


O primeiro livro da lista representa uma das minhas muitas frustrações literárias: a poesia. Não foi o primeiro, nem o último livro de poesia que eu não li completo, caso de "Poemas Completos de Alberto Caeiro", mas esse foi o que mais me marcou. Há pelo menos dois poemas nesse livro, que eu sou completamente apaixonada: "À procura de poesia" e "A rosa do povo". Antes de doar o livro, inclusive, copiei esses dois poemas e guardei com carinho. O restante, sequer me lembro de ter lido.
Poesia é um enigma indecifrável para mim. Versos decassílabos, simbolismos, rimas... nada disso, nunca, entrou na minha cabeça. Sempre que me perguntam o que eu escrevo eu digo na lata "tudo, menos poesia". Como poderia se sequer sei rimar?
Coloquei Carlos Drummond na minha lista de autores lidos, no post de Desafio dos 100 autores, porque eu li algumas de suas poesias. Mas não li esse livro inteiro.

2) Admirável mundo novo - Aldous Huxley


Esse é um livro que me faz ter raiva de mim mesma. Existem três livros de distopia que você precisa ler na vida: 1984 de George Orwell, Fahrenheit 451 de Ray Bradbury e Admirável mundo novo, de Aldous Huxley. O que me deixa furiosa é que esse foi o único que tive em mãos e que não era emprestado. Eu tinha esse livro em casa. Comecei a ler e, despreparada na época, parei na parte em que há crianças "brincando" no jardim de uma empresa de tecnologia genética.
Hoje, sou apaixonada por distopias, li Jogos Vorazes e perdi meu tempo com Divergente, mas não li Admirável mundo novo. Shame om me.
E sabe o que é pior? O livro SUMIU da minha casa. Não encontro em lugar nenhum. Bem feito pra mim.
Acabei comprando a versão digital e ele finalmente será lido.

3) Amar, verbo intransitivo - Mário de Andrade


Esse é um dos poucos livros dessa lista que não tenho vergonha de dizer que abandonei. Curiosamente, porém, não lembro bem o motivo. Em alguma fase da minha vida de estudante, foi pedido que lêssemos Amar, verbo intransitivo. Eu comecei. O livro é fininho e tenho até hoje em casa. Mas não sei, não consegui ir para a frente. Estou pensando se devo lhe dar uma segunda chance, uma vez que não me lembro direito porque o larguei. Vamos ver.

4) Convergente - Veronica Roth


Esse eu não tenho nem vergonha de admitir que abandonei, nem vontade de dar uma segunda chance. Trata-se do terceiro livro da - antes - trilogia - e agora - quadrilogia Divergente. Li os dois primeiros numa tacada só, mas não porque gostei da história. Algumas coisas são interessantes, mas a Tris, protagonista-narradora me encheu a paciência. Tudo bem que a Katniss de Jogos Vorazes não é exatamente um poço de simpatia, mas a Tris irrita por ser toda derretida pelo Quatro, seu par romântico.
No terceiro livro, a narração começa a ser dividida entre a Tris e o Quatro. Até onde eu li, era mais melação do que ação. Para ajudar, tomei spoiler do final. Pois é.

5) De repente Ana - Marina Carvalho


Por nenhum motivo em particular. Como eu poderia falar mal de um livro que foi determinante para me tirar da ressaca literária em que me meti no mês passado. Na verdade, devo isso mais ao primeiro livro da série, Simplesmente Ana. O que acontece é que... eu vou guardar esse para outro período de ressaca literária. Ainda mais agora que descobri que tem um terceiro livro, sobre a filha de Ana e tal... Um dia.

6) Histórias extraordinárias - Edgar Allan Poe


Eu quis muito, muito mesmo, gostar desse livro. Desisti uma vez, mandei o livro embora... minha tia me enviou 20 livros novos, entre eles outra edição de Histórias extraordinárias. Tentei de novo... não deu. Não deu! Entende? Ainda não decidi se vou tentar de novo. Ele está lá na minha estante, esperando... o que eu não sei. Ser lido? Ser vendido no sebo? Ser doado? Realmente não sei.

7) Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis


Mais um livro pedido na escola. Quando peguei esse para ler, eu demorei para entrar na história. O estilo muito rebuscado, vários termos que eu não tinha ideia do que se tratava. Mas, quando faltava apenas uma semana para a prova, resolvi me dedicar. Lembro de ter ficado em casa na véspera, lendo o livro enquanto toda a minha família jantava na casa da minha tia. Eu tinha a ilusão de terminar o livro naquele dia. Mas não deu. Cheguei bem pertinho do final, mas estava morrendo de sono e tive que dormir, pois acordava muito cedo para ir para a escola. Depois da prova, não tive vontade de terminar.

8) O Código Da Vinci - Dan Brown


Esse talvez eu releia, talvez não. Não me sinto muito culpada por tê-lo abandonado. O que aconteceu foi o seguinte. Li até a metade. Um dia, na casa da minha tia, mudando de canal descobri que estava passando o filme... e adivinha... estava bem na parte onde eu tinha parado no livro. Quem disse que tive vontade, na época, de ler o restante? Hoje em dia, esse tipo de coisa não me atrapalha, mas na época eu era uma iniciante.

9) O mundo de Sofia - Jostein Gaarder


Esse é um caso complicado. Ele tem a fama de ser um livro bom para meninas de 15 anos. Portanto, ganhei da minha prima um mês antes do meu aniversário de 14 anos. Ou seja, estamos em agosto, um mês antes do meu aniversário de 26 anos. O que significa que o livro que ganhei aos 13 anos - com uma dedicatória imensa e linda - eu ainda não li. Para ser justa, tentei duas vezes, na segunda, cheguei perto da metade. Mas no fim das contas percebi que não estava pronta para um livro de filosofia indicado para meninas de 15 anos. Desse eu realmente tenho vergonha de colocar na lista.

10) O retorno do rei - J. R. R. Tolkien



Esse eu coloco aqui com muita dor no coração. Como já disse outras vezes, a edição que li de O senhor dos aneis foi o volume único com os três livros. Ou seja, quando cheguei no final de O retorno do rei eu não aguentava mais carregar aquele tijolo. Não me entenda mal, ainda amo essa trilogia com todas as minhas forças, mas na época pensei... ok, a guerra acabou, porque tenho que ler a volta dos 4 hobbits para o Condado?
Eu sei, eu sei. Sei perfeitamente bem que ainda tem muita história para contar depois que eles se despedem do Rei, mas... eu precisava de um descanso. Se serve para acalmar os ânimos, eu vou reler a trilogia inteira. Ainda não sei quando, mas em breve. Basta criar coragem.

Extra: O morro dos ventos uivantes - Emily Brontë



Esse é o livro que sempre me vem à mente quando penso em dar uma segunda chance a um livro que abandonei. Eu tentei ler esse pelo menos duas vezes, sem sucesso. Não conseguia passar pelo narrador mala. Muito mala, diga-se de passagem. Mas, na terceira vez, era uma questão de honra! Além do narrador mala, a escrita também era muito difícil, mas a loucura do protagonista - que, pasme, não é o narrador - me prendeu. Fui até o fim nessa terceira tentativa e nunca me arrependi. Eu adoro O morro dos ventos uivantes e tenho muito orgulho de ter conseguido lê-lo até o fim.

sábado, 15 de agosto de 2015

DMP | Projeto desapego e matemática

Um comentário:
Matemática simples



Eu sou declaradamente uma amante de livros físicos. Aliás, sou um clichê ambulante nesse sentido. Adoro tocar, sentir o cheiro, olhar para o livro na estante, todo lindão lá no espacinho dele. Porém, ao mesmo tempo, também sou uma pessoa em constante briga com o espaço do quarto que divido com a minha irmã. O que fazer para conciliar as duas partes? Conscientizar-me da necessidade de utilizar bem o pouco espaço que me cabe.
Esses dias eu fiz uma relação dos livros que tenho. 90, sendo que 6 já haviam sido doados anteriormente e 15 são livros digitais. Ou seja:

Dos 90 títulos da minha lista - 15 são digitais = 75 são físicos.

Dos 75 físicos - 6 já haviam sido doados para uma escola = 69 livros físicos.

Ainda que o número tenha sido reduzido para 69 livros físicos, ainda assim eram muitos para que eu conseguisse guardá-los satisfatoriamente na minha casa. A solução foi desapegar ainda mais e fazer mais contas:

Dos 69 livros que restaram - 27 não foram lidos. = 42 foram lidos.

Dos 27 não lidos - 6 eu realmente não queria ler (alguns guardados desde 2007, outros desde os anos de solteira da minha mãe - há mais de 30 anos). = 21 ainda serão lidos.

Dos 42 lidos - 9 eu não tinha a intenção de reler = 33 livros que quero reler ou simplesmente quero manter comigo por mais um tempo.

Releituras



O problema dos livros é que eles nos fazem sentir coisas. Muitas coisas, contraditórias e intensas. E, quando você pensa em se livrar deles... é complicado. As coisas ficam confusas e lá no fundo da sua mente, você pensa - não quero, não posso, não é justo.

Mas, acredite em mim, é preciso. Diga-me, qual é a utilidade de manter na sua estante um livro do qual você não gostou? Qual é o sentido de manter na estante um livro que passou mais de dez anos lá, sem ter sido sequer tocado? Não faz nenhum sentido. Sabe por quê? Porque, quanto mais você ler livros, mais você vai querer ler. Novos livros surgirão e, se você quiser tê-los, precisará de espaço para guardá-los. Se gostar deles tanto que tiver aquela coceirinha para reler de novo e de novo e de novo.

Eu sou uma pessoa que adora reler livros. Harry Potter, Orgulho e preconceito, Jogos Vorazes, são alguns dos meus favoritos, que nunca me canso de ler. Mas esse sentimento é reservado para pouquíssimos livros. Uma porcentagem muito pequena se considerar que já li mais de 100 livros. 109 para ser exata. 

7 Harry Potter + 3 Jogos vorazes + 1 Orgulho e preconceito + 3 Senhor dos Anéis + 1 O morro dos ventos uivantes + 1 A moreninha + 1 Senhora + 1 A resposta + 1 1984 = 19.

Viu? De 109 livros lidos tenho vontade de reler apenas 19. A verdade, meus amigos, é que nem todos os livros que vamos ler na vida entrarão para nosso hall de favoritos e, se é assim, pra quê mantê-los? Egoismo? Ostentação?

Conquistando novos corações



Não se esqueça da regra número um da vida: o que você gosta, alguém não gosta. E o que você não gosta, alguém gosta. Isso significa que aquele livro que está apenas ocupando espaço na sua estante, poderia estar entrando no hall de favoritos de outra pessoa, de repente criando um novo leitor, ou ajudando alguém a se formar na faculdade, ou simplesmente auxiliando na formação do senso crítico de mais alguém, além de você.

Não vivemos dizendo que o Brasil precisa de mais leitores? Que os livros são caros? Pois é... parece que a culpa não é só do governo malvado e das editoras malvadas, né? :P

Não estou dizendo que a partir de hoje vou me livrar de todos os meus livros, nem nada. Como eu disse, alguns quero reler, outros estão entre meus favoritos. Eu quero tê-los por perto. Mas também quero continuar comprando livros e, se eu gostar muito deles, quero ter onde guardá-los. Não estou em condição para ter uma estante cheia de livros que vão ficar parados para sempre.

Não faz muito tempo, minha tia juntou vários livros que ela e minha mãe tinham acumulado durante a juventude. Eram livros que vinham de "brinde" nos jornais, caso você juntasse não sei quantos selos e pagasse não sei quantos cruzeiros.

Recebi 20 livros, desses metade ainda estavam no saco. Há mais de 30 anos. E são livros como "Ana Karênina" (ortografia da época), "O morro dos ventos uivantes", e "O vermelho e o negro", que está foi relançado pela editora Cosac Naify.

O que fazer com os livros?


  • Doar para alguém que você conheça, que gosta de ler;
  • Doar para uma biblioteca de escola ou biblioteca pública;
  • Trocar ou vender no sebo;
  • Deixar pela cidade para que algum desconhecido pegue;
  • Vender para alguém que gosta de ler;
  • Doar para ONGs;
  • Trocar no Skoob;

Dando o exemplo

Muito bem, para ajudar quem ainda não criou coragem para desapegar, vou deixar aqui uma lista de livros dos quais abri mão:

1) Maya Fox: A predestinada - Silvia Brena e Iginio Straffi
2) Amor de perdição - Camilo Castelo Branco
3) Onze minutos - Paulo Coelho
4) Jornal Nacional
5) As veias abertas da América Latina - Eduardo Galeano
6) Tudo que é sólido desmancha no ar - Marshal Berman
7) Morte súbita - J. K. Rowling
8) Cinquenta tons de cinza - E. L. James
9) O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
10) O crime do Padre Amaro - Eça de Queirós
11) A rosa do povo - Carlos Drummond de Andrade
12) Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida - Eduardo Spohr
13) Pedro médio e Rita doce - Telma Guimarães
14) Lucíola - José de Alencar
15) Os ratos - Dyonelio Machado
16) Três irmãs / Contos - Tchékhov
17) Longa jornada noite a dentro - Eugene O'Neill

Não é fácil...

... Mas você precisa ser realista e prático a respeito dos seus livros e seu espaço. Eu demorei muito para conseguir fazer isso. É doloroso para mim estar sempre tendo que me desfazer de algo meu para conseguir um pouco de espaço, mas a verdade é que não tem para onde correr. A vida não é fácil, seja você leitor ou não... =P