sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Livro | Resenha | Belas maldições - Neil Gaiman e Terry Pratchett

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Passei um pouco mais de um ano ensaiando para escrever essa resenha, simplesmente porque não sabia por onde começar. Algumas pessoas que me conhecem sabem que tenho um ou mais parafusos soltos, e talvez seja uma consequencia, mas adoro o humor britânico, e alguns livros conseguem me fazer rir por coisas que muita gente não acharia a mínima graça.

Sim, enrolei por um parágrafo, se isso fosse um texto jornalístico eu estaria levando uma bronca do meu chefe e tendo que reescrever tudo até aqui. Enfim, sem mais delongas, não é dessa vez que vou escrever sobre o Guia do Mochileiro das Galáxias, mas sim sobre o livro Belas Maldições - As belas e precisas profecias de Agnes Nutter, bruxa, de Neil Gaiman e Terry Pratchett, publicado em 1990.

Quando vi esse livro não sabia muito o que pensar, primeiro porque não tinha lido nada do Terry Pratchett até então, e segundo porque achei que era mais um livro do Neil Gaiman, e não, não estou reclamando, sou fã dos livros que já li dele, mas imaginava que não me surpreenderia mais com o estilo.

Vou tentar explicar um pouco sobre o livro sem revelar muitas informações, porque é um livro de humor que vale a pena ser lido e, alerta de spoiler, a maioria das piadas deixam de ter graça depois que se sabe o que acontece.

A Trama

A história tem uma premissa simples: o fim do mundo que acontece graças ao anticristo. Até aí, beleza, nada demais, apesar de livros e filmes que falem sobre o apocalipse e o anticristo normalmente serem chatos por levarem a Bíblia ao pé da letra, as vezes com um toque de ação explode tímpanos hollywoodiana. Mas não é o caso nesse livro. E dá pra perceber isso com a primeira frase dele: "Crianças! Provocar o Armagedon pode ser perigoso. Não tentem isso em 
casa.".

Então a história começa, com o anjo e "comerciante de livros raros" Aziraphale conversando sobre o certo e o errado com o demônio-serpente Crowley, que segundo a lista de personagens era "um anjo que não chegou exatamente a cair, apenas foi rastejando lentamente para baixo".

A citação anterior ao Guia do Mochileiro não foi a toa. É quase impossível não continuar lendo sem lembrar do estilo de Douglas Adams, que a cada linha usa um humor sarcástico tipicamente britanico pra mostrar aos leitores como não sabemos nada, mesmo achando que sabemos de tudo, e nada melhor pra provocar essa sensação do que dizer que a Terra é do signo de Libra, e que o horóscopo dela estava correto no dia em que a história começou, exceto pelas saladas, que deveriam ser evitadas.

Aos poucos descobrimos quem é o anticristo e como é o bichinho de estimação dele, qual é o papel do Crowley e do Aziraphale na luta entre o bem e o mal, além de que nem todas as freiras são boas e os quatro cavaleiros do apocalipse são, atualmente, motoqueiros.

Os personagens

Belas Maldições é um dos livros com mais personagens que já li, e gosto disso. Os esteriótipos estão presentes mas não mesmo assim cada personagem consegue ser único. 

As crianças são as típicas crianças que aprontam mas não acham que estão aprontando, afinal eles querem ser os heróis e melhorar a humanidade, qual criança nunca passou por uma fantasia dessa? Os anjos são os típicos anjos das histórias, que seguem as ordens sem questioná-las e parecem nunca entender sarcasmo, mas isso não é diferente para os demônios, que também só seguem ordens e tem um péssimo senso de humor.

Os humanos... Bom, são humanos. Erram, são fracos, mas ficam tentando arrumar tudo o tempo todo, mesmo que sem querer, como é o caso dos caçadores de bruxas. E nessa parte não posso deixar de falar da bruxa que dá o nome para o livro, a Agnes Turner, meio louca, mas sempre acertava as profecias, o problema era entender o que ela queria dizer antes que acontecesse.

Além dos motoqueiros cavaleiros do apocalipse. Morte, que virou o típico motoqueiro alto, forte e caladão, que está sempre com a roupa de couro preta. Guerra, a típica ruiva femme fatale que provoca o caos por onde passa. Fome é um executivo da indústria de alimentos responsável por uma marca popular de comida que não engorda e não nutre. Peste se aposentou em 1936, depois da criação da penicilina, e foi substituido por Poluição, um jovem de cabelos que tende passar despercebido por ai.

Curiosidades

Para quem não sabe, alguns nomes já são responsáveis por descrever um pouco da personalidade de cada personagem, por exemplo, Nutter em inglês é usado para dizer que alguém é louco ou excêntrico, enquanto a palavra crawl, em Crawley, é equivalente a rastejar. Por causa disso alguns nomes tiveram alterações quando o livro foi traduzido em outros paises, como a França. 

Nos EUA ele foi publicado com cerca de 700 palavas a mais, para explicar o que aconteceu com um personagem americano, além de outras alterações, como notas de rodapé.

Além disso, Terry Gilliam (conhecido por Monty PythonO Mundo Imaginário de Dr. Parnassus) está tentando adaptar o livro para o cinema desde 2002, mas ainda é incerto se o roteiro que já está pronto vai ser filmado algum dia, ou se vai ser readaptado para a TV.