terça-feira, 25 de março de 2014

Livro | Resenha | Divergente - Trilogia Divergente 1 - Veronica Roth

2 comentários:
1º livro da trilogia de Veronica Roth: "Divergente"
A história se passa em uma Chicago distópica, delimitada por uma cerca e guardada por homens armados, onde a sociedade se dividi em cinco facções:
Abnegação – que prega o altruísmo e a ausência de vaidade. Geralmente, os líderes dessa facção são eleitos para o Conselho da cidade, por terem o espírito livre da tentação pelo poder. Não é a minha facção. Sou mão de vaca mais do que abnegada e ando meio cansada de pensar nos outros.
Amizade – que é bem parecida, pelo menos ao meu ver, com a Abnegação, embora eles não tenham nenhum problema com vaidades, nem sejam tão compromissados com o altruísmo. Essa facção busca a paz e o diálogo. Sua sede parece um bom lugar para passar o verão, mas eu não sei se conseguiria passar o resto da minha vida seguindo esse padrão. A Amizade é responsável por distribuir os alimentos que eles cultivam.
Audácia – é o grupo que fica responsável por guardar as cercas da cidade, embora nem mesmo eles saibam direito o motivo para tanta precaução. Uma ou duas vezes no primeiro livro, haverá a pergunta: “o que há do outro lado da cerca?”. Também não é a minha facção. Sou indecisa e medrosa até o osso.
Erudição – o maior tesouro deles é a informação. São responsáveis pela tecnologia, pelas pesquisas químicas, físicas, biológicas, e, para resumir, são os gênios da história. Provavelmente seria a minha facção, mas não sou tão inteligente. Eu ficaria na biblioteca, lendo e passando despercebida. Talvez resenhando alguns livros aqui e ali…
Franqueza – não lembro qual o papel deles nessa sociedade, acredito que sejam os juízes, ou sei lá. Realmente não lembro se foi dito algo a respeito (mea culpa). O que eu sei é que eles possuem o Soro da Verdade, que parece bastante útil se você é um juiz. Eles são comprometidos com a verdade, doa a quem doer. Eu passaria bem longe dessa facção, tenho dificuldade em lidar com pessoas que não sabem controlar a língua.
Todas as pessoas nascem em uma facção, aquela à qual seus pais pertencem e apenas uma vez têm a oportunidade de escolher se permanecem em sua facção de nascimento ou se procuram uma que se adapte melhor à sua personalidade e às suas “ambições”, por assim dizer.
Essa oportunidade acontece quando os jovens completam dezesseis anos. Se escolherem trocar de facção, precisam ter em mente que será necessário abandonar suas famílias, amigos e todo o estilo de vida ao qual estava acostumado. A partir do momento em que escolhem uma facção, os jovens se mudam para a sua sede e assumem completamente o seu ideal e seu comportamento.
Para ajudar nesse processo, os jovens passam por um teste de aptidão, que lhes dirá com qual facção eles têm mais afinidade. O teste é programado de modo que cada escolha da pessoa elimine a possibilidade dela ser apta a uma das facções, até que reste apenas uma.
É justamente aos dezesseis anos que conhecemos Beatrice Prior, uma jovem que vive com seus pais e seu irmão, Caleb, em uma casa simples no setor da cidade pertencente à Abnegação. Ela vê sua facção com prós e contras, não sendo capaz de aceitar a submissão, mas admirada com a boa vontade das pessoas. Enquanto tenta decidir se continuará com sua família, a quem ama, ou se seguirá um caminho no qual se encaixe melhor, Beatrice enfrenta suas dúvidas calada. Ela espera conseguir alguma ajuda com o resultado do teste de aptidão, mas é ai que as coisas ficam mais complicadas para ela.
O teste de aptidão de Beatrice, no entanto, é inconclusivo, mas não por ela não ter afinidade com nenhuma facção (o que significaria se tornar uma sem facção – uma mendiga, vivendo da bondade da Abnegação, provavelmente). Beatrice tem aptidão para três facções: Abnegação, Erudição e Audácia.
Só tem um problema. Não é comum que um teste de aptidão dê mais de um resultado. É ainda mais raro que o teste dê três resultados possíveis. Beatrice não é uma garota comum. Ela é uma Divergente. O que isso significa, de verdade, o leitor só descobre lá no final do livro, e tudo o que ele precisa saber até chegar lá é que ser Divergente não é visto com bons olhos por essa sociedade.
Mas é só lá nas últimas páginas que você descobre para onde a história está indo, depois de muito lenga-lenga sobre a iniciação da Audácia, o que é ser Divergentes, um romance que nasce meio do nada, tentativas de vencer o medo, e uma trama de suspense que demora para se apresentar. Ah e vale o mesmo conselho que recebem todos os que se aventuram nas primeiras páginas de Guerra dos tronos: não se apegue a ninguém. Sério! Tem gente que vai morrer logo no primeiro livro. E mais gente que vai morrer no segundo. E até já sei quem morre no terceiro (pois é, tomei spoiler).
Embora só um trabalho psicológico muito forte convenceria tantas pessoas que elas só podem ser uma coisa, de cinco: ou você é abnegado, ou amigo, ou audaz, ou erudito, ou franco. O tema desse livro está na ideia que todos podemos ser um pouco de cada coisa e que não nos enquadramos em um padrão. Seria impossível. Nenhum ser humano é igual a outro. A questão que Veronica Roth tentou levantar nesse livro tem mais a ver com a natureza humana que com política. Seja quem você quiser ser e não deixe que te digam o que fazer, o que pensar, como agir.

Décadas atrás nossos ancestrais compreenderam que isso não é uma ideologia política, crença religiosa, raça ou nacionalismo (…). Eles se dividiram em facções que pretendiam erradicar essas qualidades que eles acreditavam serem responsáveis pela desorganização do mundo. Aqueles que culparam a agressão formaram a Amizade. Aqueles que culparam a ignorância se tornaram Erudição. Aqueles que culparam a hipocrisia criaram a Sinceridade/Franqueza. Aqueles que culparam o egoísmo fizeram a Abnegação. E aqueles que culparam a covardia foram o Destemor/Audácia. - Divergente, Veronica Roth.

Os personagens são interessantes, mas mereciam melhor desenvolvimento. A narrativa é em primeira pessoa e para ser sincera essa foi uma das poucas vezes que não senti falta de uma narrativa onisciente. A escolha da autora está O.K.. Não gostei muito da quantidade de vezes que Tris se lamenta pelo passado, presente e futuro, mas tudo bem, ela ainda é uma adolescente de dezesseis anos, fazendo coisas que uma adolescente não deveria fazer.
Uma coisa que ficou estranha é que não vejo essa sociedade funcionando muito bem, a impressão que me deu é que a qualquer momento as coisas simplesmente não iriam mais para frente. Centenas de pessoas vivem em uma cidade, por décadas, e a coisa não parece ter evoluído muito.
Vale ressaltar que, apesar de ter romance, não é focado nisso, a protagonista não é a única esperança da Terra, não tem dezenas de pessoas dispostas a defendê-la, ou segui-la, ela apenas está ali e coincide de ter certa importância na trama (pelo menos até o terceiro livro que, de novo, ainda não terminei). A trama em si é interessante, mas não é original. Se vasculhar bem na cultura pop, vai achar várias outras tramas parecidas.
Se eu gostei ou não ainda é difícil decidir. Por muito tempo não conseguia parar de ler, no outro  momento queria pular parágrafos, voltava a ler para saber onde tudo aquilo iria dar, de repente estava pensando se estava faltando alguma coisa naquela cena, depois meio irritada com o romance sem sal, sem açúcar, sem propósito… Mas li até o final, sem perder nada, e queria muito saber o que vinha a seguir. Acho que a proporção final de gostar ou não gostar é 50/50. Nem morri de amores pela série, nem odiei irrevogavelmente.
Cheguei ao final de Divergente doida para saber o que acontecia em Insurgente, porque a resposta para as perguntas que ficaram lá no final de um, só poderiam ser encontradas no começo do outro. Veronica Roth consegue deixar no leitor essa vontade de querer saber qual a explicação para o que aconteceu e assim, um livro leva ao outro e você vai acabar chegando, como eu, quase sem saber como, a Convergente.