domingo, 8 de setembro de 2013

Livro | Divagando | Séries literárias: a tentação, a armadilha e o vício

4 comentários:
Eu realmente - realmente - deveria parar de ler séries literárias e começar a me interessar por livros "solos". Das últimas três séries que comecei a ler, todas estão inacabadas, e duas aguardam mais que dois livros para serem concluídas.
Jogos Vorazes - Suzanne Collins

O problema e a graça das séries é que é um jeito das histórias durarem mais tempo. Elas são feitas para quem gosta muito de livros, adora a sensação de entrar em um outro universo e tem enormes dificuldades para sair dele, como eu. Naquele momento em que a história acaba e você sente um vazio estranho, como se nunca mais fosse ver seus amigos novamente - os amigos que você fez no livro, conhecendo a história deles, compartilhando de seus momentos, enfim...

Ao final de um livro, você tem algumas opções:

1) Começar logo a ler outro livro - o que nem sempre é fácil, pois alguns livros fazem o leitor entrar de tal forma na história que é difícil sair.

2) Ler fanfictions. Mas há sempre o risco de não haver fanfics suficientes naquele fandom, ou os ficwriters serem muito ruins. Há também quem goste de escrever as próprias fics

3) Reler até quase enjoar. Cuidado com o "quase".

4) A terceira opção deve ser considerada antes mesmo de começar a ler qualquer livro. Trata-se simplesmente de passar a preferir livros que fazem parte de uma série. Assim, a história vai durar muito mais.

Considerações feitas, segue abaixo algumas das minhas experiências com séries literárias:

Harry Potter e a pedra filosofal - J. K. Rowling
Quando comecei a ler "Harry Potter", a série também estava inacabada, mas só faltava o sétimo livro ser lançado e eu tinha ainda seis outros livros para ler. Sem pressa, pois minha compulsão por leitura ainda não estava enraizada no meu ser, como é hoje.

Com "Jogos Vorazes", os três livros já tinham sido lançados e a série estava terminada, então lê-la foi quase indolor. E foi quando percebi que eu tinha essa fraqueza por séries, pois quando terminei, em minha leitura mais rápida até então (três livros em  dias), eu ainda queria mais. Como não havia, reli os três livros.

Os três livros de "O senhor dos anéis" eu li em uma edição de volume único, e nunca terminei o terceiro livro... claro que eu amo OSDA!!! Mas não estava com muita paciência de ver a viagem de volta dos hobbits ao Condado, após ter sérias dificuldades em passar por Tom Bombadil no primeiro livro. Isso quando os quatro pequeninos - Frodo, Sam, Pippin e Merry - estavam em seu caminho despreocupado até Bri. Eu sei que ainda há coisas para ler após o anúncio do casamento entre Faramir e Eowyn, especialmente no Condado, o que provavelmente me explicaria porque Frodo teve de partir... coisa que nunca entendi no filme. Mas realmente não estou afim. Talvez um dia, mas não vejo isso acontecendo em um futuro próximo.

Droga da Obediência - Pedro Bandeira

A série "Os Karas", de Pedro Bandeira, já havia sido concluída há muito tempo quando eu comecei a lê-la no primeiro ano do Ensino Médio. Os cinco livros levaram três anos para serem lidos. Eu terminei antes de começar minha história de amor com os livros de J.K. Rowling, os sete "Harry Potter". O que corrobora com minha suspeita de que foram esses livros que me iniciaram nessa tortura literária que é se tornar dependente de "livros-sequência".

"Os Karas" me fez querer mais ainda ler "Harry Potter", o que me levou a "O senhor dos anéis" e as coisas se seguiram, formando meu gosto literário de hoje.

Um dos livros que caíram na minha preferência a partir dessa tríade perigosa citada acima, foram os livros da série "A Torre Negra" de Stephen King, com seus sete livros já publicados, dos quais li apenas dois. Até agora. O motivo por trás do meu atraso é que o terceiro livro pertence ao meu namorado e ele o está lendo. Lentamente. Muito lentamente. (A implicância é gratuita, amor, por favor, não se sinta pressionado =P)

Ah, e não posso esquecer-me de outro autor brasileiro que anda me deixando curiosa por mais leitura: Eduardo Spohr e seu universo, com o recente lançamento do segundo livro da série "Filhos do Éden".

A guerra dos tronos - George R. R. Martim
Sem falar em George R. R. Martim, que surgiu na minha vida com suas "As crônicas de gelo e fogo". Na qual eu me encontro empacada no terceiro livro, com mais dois pela frente já publicados, e a perspectiva de mais dois ou três livros serem escritos e lançados sabe-se lá quando...

Tudo bem que há o pequeno, mas significativo, fato de consegui escapar de pelo menos uma armadilha das séries - sobrevivi sem danos permanentes ao primeiro livro da saga "Crepúsculo".

O que não me protegeu de "Cinquenta tons de cinza", mas foi uma leitura chiclete que chegou e passou, já superada. No entanto, fui pega por "Crossfire", romance erótico de Sylvia Day e por "O inferno de Gabriel", trilogia de Sylvain Reynard.

Outras séries também foram começadas, mas uma não vale a lembrança e a outra - "as crônicas vampirescas de Anne Rice" - foi apenas adiada.

Séries tornaram-se rapidamente um ciclo vicioso, que dá um  novo sentido ao termo "ressaca literária".

Se você decidir por esse caminho, você precisa ter duas coisas em mente:

1) Nem sempre a série que você começou a ler, já teve seu fim publicado, e é muito difícil esperar pelo próximo. Pergunte para qualquer fã de "A guerra dos tronos" e eles vão confirmar o que digo.

2) Você precisa ser forte para aceitar que aquele é mesmo o fim. Quando o sétimo e último livro de Harry Potter foi lançado, eu estava entre aqueles que tiveram alguma dificuldade para aceitar que não haveria um oitavo livro.

Quanto a mim, cá estou eu esperando, esperando, esperando... e acrescentando, eventualmente, mais séries literárias finalizadas ou não à minha lista. Faz parte da tortura auto imposta de uma leitora compulsiva, resignada, incurável e decididamente nada arrependida.

=D