domingo, 31 de março de 2013

Livro | Resenha | A tormenta de espadas - As crônicas de gelo e fogo 3 - George R. R. Martin

Um comentário:
Você não sabe de nada, caro leitor!

Assim como na resenha de a Fúria dos Reis, nesse texto também há spoilers do livro anterior e talvez deste também, afinal de agora em diante se torna quase impossível comentar sobre os livros das Crônicas de Gelo e Fogo, sem falar sobre seus principais acontecimentos, mas prometo que vou tentar não entregar tudo o que acontece, pelo menos não com todas as letras.

Porra, Martin!

Peço desculpas ao puritanistas, mas não dá para não xingar. O cara é um gênio! Sério, quero ser igual a ele quando crescer, exceto pela barba branca e o jeito de papai noel!

Se nós, meros leitores, achavamos que já tinhamos nos acostumado com a falta de "apegação" aos personagens, descobrimos que não sabiamos nada. Na Tormenta de Espadas chegamos a um nível de quebra de expectativa tão grande, que as vezes é difícil acreditar no que o Martin escreveu.

Muita gente desiste dos livros na Fúria dos Reis, ou simplesmente trava empaca e tem dificuldade para continuar. Gostei do livro anterior, como já disse, mas enquanto ali você precisa se concentrar e criar paciência para sair de alguns trechos que parecem estar travados, na Tormenta a coisa muda totalmente de figura. É como ver um jogo de xadrez. Num momento as peças andam pelo tabuleiro, se posicionando, e quando você percebe várias estão prestes a ir pro cemitério e não há salvação.

O prólogo

O prólogo desse livro é a primeira coisa a surpreender, e nisso admito que não gostei de como ele foi para a TV na segunda temporada de Game of Thrones, mas... Vamos ver como vão continuar a cena.

No começo é óbvia a sensação de "vai dar merda", e isso realmente acontece, mas não do modo esperado de um assassinando o outro que está dormindo e conspirações na calada da noite. Quem leu até aqui sabe o que significa três assopros de corneta na Patrulha da Noite. E você consegue perceber o quão f*** isso é a partir do momento que um assassino se mija de medo.

Vilões não tão vilões

Uma das maiores surpresas desse livro é o personagem Jaime Lannister. Aqui ele começa a ter 'voz', e não dá para esperar grande boa coisa de um cara que empurrou uma criança para a morte. Mas...

O cara é legal! As motivações dele fazem sentido, e você começa a perceber que as 'maldades' que ele fez são por causa do amor doentio? que sente pela Cersei. E conforme os capítulos dele vão passando, dá para entender o que o fez matar o Rei Louco, afinal o que era mais certo para um cavaleiro, proteger o reino de um rei que seria capaz de matar a todos, ou matar um rei para salvar o reino?

E também é quase impossível deixar de lado a metáfora de que às vezes um homem precisa perder algo importante para valorizar outras coisas (entendam como quiser). Sem falar na brecha para novas fanfics de Jaime e Brienne, mas... Bom... Deixa pra lá.

Os Reis e as alianças

A guerra continua. Com Renly Baratheon morto, agora restam Joffrey, Stannis, Robb e Balon Greyjoy. E assim voltamos a discussão de quando uma atitude considerada errada pode ser boa, ou o contrário.

Vemos Melisandre e suas mandingas em ação de novo, dessa vez com Stannis ao seu lado, mesmo não sabendo se acredita em tudo aquilo ou não. Ele dá seu sangue e faz o sacrifício, nomeando seus principais adversários: Balon, Joffrey e Robb.

Em Porto Real, Tyrion caiu do pedestal. Sem o nariz, depois da tentativa de assassinato, e sem as glórias por ter vencido a batalha da Água Negra, que ficam com os Tyrell e seu pai, Tywin, o anão fica desolado, e só se sente pior quando é forçado a uma aliança incomum. Enquanto isso, Joffrey e Margaery Tyrell noivam, unindo Lannisters e Tyrells. E a Sansa? Bom... Preciso dizer mais? Sobre a Sansa, é difícil falar sem entregar 50% da surpresa do livro... E não, isso não se refere a só um fato!

E nas Terras Fluviais, Robb tem que lidar com a consequência de seus atos e com a ira de Catelyn. Um briga com o outro, mas ela tomou uma decisão por medo de perder seus únicos filhos vivos, afinal ela acredita que Bran e Rickon estão mortos, e Robb... Agiu pensando com outra cabeça.

O inverno está chegando

A Patrulha da Noite sofreu grandes baixas depois dos três sopros de corneta. Agora temos o ponto de vista de Sam, que se torna Sam, o matador, e ele tem a chance de rever Goiva e salvá-la, se f****** mais ainda

Enquanto isso, Jon caminha com os selvagens em direção a Muralha, e num golpe de sorte consegue fugir deles e corre para avisar seus irmãos que logo terão um exército para enfrentar, com direito a mamutes e gigantes. E graças a um cavaleiro aprendendo a ler, eles podem acabar vivendo para contar a história.

Mhysa

Do outro lado do mar, Daenerys também luta, mas sua guerra é contra os escravagistas da Baía dos Escravos, para onde seguiu depois de encontrar Arstan e Belwas, o forte, enviados por Illyrio para levá-la de volta à Pentos.

Seus dragões crescem e chamam atenção, e Dany quer um exército para ajudá-la a conquistar Westeros. Como nada é tão simples, ela se vê em algumas armações mas sai de todas muito bem, até descobrir que foi traída por uma das pessoas que mais confia. Com as cidades de Astapor e Yunkai derrotadas, ela conquista Meereen e decide aprender como é governar antes de partir.

Casamentos

No fim, não dá para não falar sobre os casamentos. Quatro casamentos importantes acontecem nesse livro. Dois em Porto Real, um nas Terras Fluviais, e um no Ninho da Águia, e um deles é bem conhecido e chamado de Casamento Vermelho.

Com o Casamento Vermelho é impossível não ficar p*** e chocado! Martin joga na cara do leitor que realmente ninguém está a salvo, nem com a proteção das leis da hospitalidade.

E graças a outro casamento, um personagem forte é acusado de assassinato, consegue fugir, descobre que foi traído, e mata quem o traiu e a pessoa que considera a culpada de toda a sua desgraça. Terminando com uma das grandes perguntas da série: "Para onde as putas vão?".

E o último casamento também revela um grande jogador, até então visto como um peão. Mas afinal, será que é um jogador mesmo, ou realmente só mais uma peça a ser movimentada?

[ATUALIZADO EM 24/11/2016]
Livro 1: A guerra dos tronos - resenha
Livro 2: A fúria dos reis - resenha

Divagando | Clichês das novelas

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Não sei se ultimamente estou reclamando demais, rabugenta demais, mas acho que a vida fica muito mais interessante assim, mesmo que isso me obrigue a ficar irritada toda vez que vejo a chamada de uma novela (especialmente da Globo, mas não unicamente).

Casais:

- Ela é uma santinha, lutadora, tentando vencer na vida de forma honesta e sempre com um sorriso no rosto e uma família que, apesar de sofrida, é muito unida e divertida.
- Ele é um rapaz rebelde e ao mesmo tempo boa praça. Tem qualquer mulher que quiser, mas no fundo está à procura daquela que fará sua vida ter sentido repentinamente.
- A mocinha e o mocinho se conhecem no primeiro capítulo, brigam por algum motivo idiota e, no momento seguinte, estão, cada um em sua casa, pensando algo como "porque eu não consigo parar de pensar naquele(a) maluco(a)?"
- A rival - ou o rival - é sempre alguém inescrupuloso, criminoso, ardiloso, convincente, nada original, ou seja, um perfeito psicopata! E é rico, claro, porque o núcleo rico das novelas é sempre mais numeroso que o núcleo pobre, totalmente condizente com a realidade do país, certo?
- Quando o casal está fazendo suas juras de amor eterno - depois de reveladoras três semanas que se conhecem -, o rival, que também é o vilão da história, aparece com um plano mirabolante, absurdo e genialmente articulado, que consegue separá-los "para sempre". (Eu coloquei três semanas, mas isso também pode acontecer em três dias, um dia... Nunca mais que um mês, fato!)
- Depois da primeira separação, o casal inicia um ciclo vicioso de vai e volta, zigue-zague, vai-não-vai infernal infinito, às vezes transformando o triângulo amoroso inicial em quadrado amoroso. (Um viva se alguma vez você torceu para a pobre alma que se meteu nesse quadrado amoroso).

Faz muito tempo que eu não consigo torcer para um casal de novela, pelo menos não o casal principal. Acho um saco ver o vilão vencer durante MAIS DA METADE da novela, e, no final, DO NADA, ou ele é PRESO, ou MORRE, ou descobrem que ele é DOIDO DE PEDRA - ou, como se tornou moda ultimamente, PSICOPATA!
Acho os casais secundários, que não tem vilões inescrupulosos, criminosos, ardilosos, convincentes, nada originais, ou seja, perfeitos psicopatas; porém, têm sua dose sadia de dificuldades, obstáculos, e triângulos amorosos com os quais o público realmente fica dividido!
Tenho uma teoria de porque os casais secundários são absurdamente mais interessantes que os principais. Diz o videoshow a lenda que são os casais principais que seguram uma novela, seguram uma novela e as matérias fúteis profundas do Videoshow. Por isso mesmo, esse casal tem mais história para ser contada, os detalhes precisam ser mais elaborados (não necessariamente realistas), a enrolação para o final feliz tem que ser maior e o "felizes para sempre" tem que ser discutido por, no mínimo, um mês depois da reprise do último capítulo num sábado qualquer.
(O que os autores realmente querem é que sua novela seja digna de comentário pelos próximos dez anos, mas sejamos francos, não lembramos nem da penúltima antes dessa).

Vilões:

Esses me fazem tremer. Não de medo. Não de aflição. Não de angústia. Não de raiva. Não de raiva do personagem, mas de quem o escreve. TODOS os autores. Simplesmente porque não consigo aceitar a ideia de um vilão, sem nenhum propósito na vida que não seja ser vilão. Tudo bem, eu leio livros de fantasia, entendo os conceitos de Voldemort, Sauron...
Mas são livros de fantasia com alguns elementos identificáveis no mundo real e a tentativa de tornar esse mundo fantasioso em realidade. A tentativa não quer dizer que houve falha em tornar real. Ao contrário, na fantasia, a tentativa, sem a aproximação efetiva com a realidade, é proposital. É, na verdade, um modo de facilitar ao leitor o acesso ao mundo que o autor criou, através de elementos que lhe são comuns.
Nas novelas, embora seja uma obra ficcional, não se trata de uma obra de fantasia (ignore novelas com mutantes, vampiros e Malhação). Segundo a concepção da própria Globo, as novelas são "espelhos da sociedade", nela se discutem assuntos atuais, polêmicos (como o homossexualismo, enjoadamente superficial nos canais de televisão aberta). É, ou pretende ser, uma forma de metalinguagem. Ela discute assuntos da sociedade que a assiste, a sociedade discute a novela e, consequentemente, os assuntos nela inseridos.
De fato, quando a novela tem o propósito de trazer à tona um problema da sociedade, algo que precisa ser escancarado, mas permanece escondido por vergonha, medo ou ignorância (como o homossexualismo, o amor obsessivo, a Síndrome de Down, o alcoolismo na adolescência, o uso de preservativos), eu até tolero. Mas me sinto enganada quando vejo um casal gay, que lutou por três meses (no nosso tempo, não no do "folhetim") para ficar juntos, e terminam com um grande, lindo e caloroso (leia-se o oposto do que escrevi) abraço!
Abraço!
Os vilões entram nas novelas com o único intuito de destruir tudo que é bom. E, de fato, cumprem seu papel direitinho, destruindo principalmente a própria novela!
Você não acha um saco quando o vilão se dá bem o tempo todo, com histórinhas pra boi dormir, nas quais só a mocinha cai. Coloque na conta:

- Flagra do namorado na cama, apagado, com outra mulher, nua. Quando ele acorda, não tem a mínima ideia de onde está. E a mocinha, que deveria estar vacinas com as artimanhas da rival, acredita que seu verdadeiro amor a trocou pela outra.
- Golpe da barriga. Com ou sem flagra na cama, a vilã aparece grávida, diz que o filho é do mocinho e então, mesmo que a mocinha acredite na historinha dele de que não sabia onde estava na ocasião do flagra, a mocinha, com seu inabalável senso de justiça, decide que a criança não tem culpa da mãe que tem e que merece o pai por perto.
Vamos analisar esse item. A mocinha, que tem um senso de justiça mais aguçado que o de advogado, prefere que a criança viva numa casa em que seus pais não se amam, vendo o pai dia após dia rancoroso com a "esposa" e sonhando com um amor impossível interrompido; É, muito justo!

Outra coisa que me cansa sobre os vilões: No final e só no final, no último capítulo, ele é mostrado pelo autor como maluco. E, a partir da loucura, ele tem três destinos: 1) Morrer em um acidente trágico; 2) Ser preso e condenado a fazer suas maluquices na cadeia; 3) Se ele for psicopata, e for preso, conseguirá fugir, convencendo o primeiro idiota de coração mole, que é inocente e quer justiça.

Falta um motivo maior para esses vilões, argumento melhor do que querer ficar com o(a) mocinho(a), uma razão de ser, que vá além de poder e dinheiro, e que encontre raízes melhores, mais elaboradas e menos simplórias que a psicopatia. Nenhum deles me convence. É um saco.

Núcleo de comédia:

Esse, de longe, mais do que os vilões mal construídos, são os que mais me dão náuseas! Isso porque a Globo ACHA que sabe fazer comédia. ACHA que sabe o que é fazer humor. E falha miseravelmente em todas as tentativas. Não vou falar aqui dos programas de humor da emissora (usando deliberadamente mal a palavra "humor"), mas volto nisso em outro post.
Aliás, os humoristas da Globo (com raras, bem raras exceções), ACHAM que sabem fazer humor.
E, quando você junta autores que acham que sabem escrever humor, com atores que acham que sabem fazer humor, com diretores que acham que sabem dirigir cenas de humor, você tem os lamentáveis núcleos de comédia nas novelas!
Nessa conta, coloque:

- Tortas na cara (Tortas, bolos, macarrão ou qualquer coisa que moradores de rua adorariam comer)
- Gritaria. Muita gritaria. Sem nenhum motivo, apenas gritaria.
- Malandragem (Acredite, até poligamia, ilegal no país, pode virar humor!)
- Desmaios (Sempre acompanhados com uma musiquinha que dá nos nervos)
- Jargão ("Todo mergulho é um flash", "Fiquei rosa-choque", "Né brinquedo não")
- Alguma música chata, de baixíssima qualidade, que vai arrecadar para a banda um convite pra ir no Domingão do Faustão ("Você não vale nada, mas eu gosto de você")
- Uma matéria no Videoshow contando quantas vezes o personagem usou seu jargão ou quantos desmaios teve nessa temporada de novelas, ou o nível de malandragem, ou qualquer coisa que só eles têm saco pra contabilizar.
- Tapas na cara. Aparentemente, isso é muuuuuito divertido (!)

No Leblon, apenas jogando conversa fora:

Novelas sem um vilão contam alguns pontos comigo, confesso. "Laços de família" e "Mulheres apaixonadas" foram alguns casos. Mas, antes que comece a ecoar "hipócrita" por aí, quero me defender, eu era bem mais nova quando assisti isso U.u ;
No entanto, hoje tenho uma visão muito mais ampla das coisas. E essas novelas, geralmente assinadas pelo mesmo autor, começaram a me dar nos nervos.
Tenho uma birra inexplicável e que não sei de onde veio, contra o Rio de Janeiro. Me desculpe se você é carioca, mas ter lido livros e mais livros de literatura brasileira passados no Rio de Janeiro e assistido novelas e mais novelas passadas no Leblon (Copacabana, Niterói e afins), eu meio que cansei.

Conversas sem nenhuma profundidade em lugares paradisíacos, risadas forçadas para mostrar a harmonia entre os amigos ricos, pessoas ricas falando sobre como a cidade está violenta e não podem mais sequer falar no celular no shopping que correm o risco de serem assaltados... Ah, coitados!!! Me identifico tanto com eles!!! Com aqueles carros importados, celulares de última geração, trabalhos em que podem sair a hora que querem, iates, casas de veraneio em Angra dos Reis... É TOTALMENTE a minha vida!!!

Sobre esse item, sem mais.

Sotaques:

Você nunca reconhece o sotaque da sua região, a menos que seja carioca.
Se você é paulista, colocarão um carioca (ou gaúcho, nunca reconheci aquele ator de Tempos Modernos), para falar "paulitês", enfiando "Meu's" goela abaixo.
Se você é gaúcho, basta o ator arrastar as frases e falar os "e's" das palavras certinho e você logo se reconhecerá na tela.
Se você é mineiro, tome "uai".
Se você é nordestino... Bem, tenho pena de você que, ou é obrigado a ouvir "carioquês" na novela inteira, ou a ouvir o sotaque nordestino mais pilantra da face da terra.
Se você é italiano... Não sei o que está fazendo que ainda não processou o Toni Ramos!

Obs. 1 da Ana: Os mocinhos normalmente são os galãs pegadores. E por isso é comum eles irem pra cama com a mocinha, a vilã e, pelo menos, mais uma idiota que cai de gaiata.

Obs. 2 da Ana: Os sotaques parecem sempre iguais nas novelas, tanto que não consigo diferenciar nordestino de mineiro, e italiano de indiano e agora turco. Isso sem falar que nessas que se passam em outros países, todo mundo sabe falar português... E fluente! Melhor até do que o povo que mora no Brasil.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Livro | Resenha | Diário de uma paixão - Nicholas Sparks

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Eu não gosto de romances. Bem, pelo menos não de histórias que tratam somente disso, e giram em torno disso, e só ficam nisso. Mas esse livro… esse maldito livro… eu não sei o que aconteceu comigo, mas aconteceu e provavelmente vai acontecer também com o próximo desavisado que colocar as mãos nele.

Eu decidi lê-lo assim que terminei “A fúria dos reis” do George R. R. Martim, e precisava de um livro para arejar a mente, uma leitura rápida, fácil, leve e cheia de açúcar. Além disso, eu já conhecia a história. Já tinha assistido o filme “Diário de uma paixão” com Rachel McAdams (Como Allie Hamilton) e Ryan Gosling (como Noah Calhoun) algumas vezes, e por isso achava estar preparada para o que viria: um romance de uma vida inteira, que enfrentou anos de separação e precisou passar por uma última prova no fim da vida. É meloso, é romântico, e amor entre velhinhos é muito fofo. É preciso ter um coração de ferro para não se emocionar.

Eu me emocionei no filme, sabia que aconteceria de novo no livro, mas não estava tão preparada como pensei. E nem posso dizer que não fui avisada. Eu sabia o que estava por vir.

Nicholas Sparks é um dos autores campeões de adaptações dos seus livros para o cinema. Você deve conhecer mais de um desses títulos: Diário de uma paixão (2004), Um amor para recordar (2002), Noites de tormenta (2008), Querido John (2010), Um homem de sorte (2012), A última música (2010), entre outros.

Algumas pessoas veem essa quantidade de livros sendo levados para o cinema e logo concluem que o autor deve ser muito bom. Outras pessoas sabem que romances “água-com-açúcar” fazem sucesso sempre, não importa a época ou a qualidade da escrita. Temos alguns exemplos bem recentes disso, basta ter romance e pronto, é sucesso, mesmo que sem um pingo de originalidade ou qualidade.

Mas o que esse número de livros adaptados para o cinema, e quase todos também sucesso nessa nova mídia, realmente significa? Nicholas Sparks é um escritor tão bom quanto parece? Bem, pensando na primeira e na segunda parte do livro em questão, minha resposta é “não” e “sim”.

O livro não é “oficialmente” dividido em duas partes, mas dá para perceber que há dois momentos distintos no livro. Logo no começo, temos uma narração em primeira pessoa, um simpático senhor com seus bem vividos oitenta anos de idade. Ele vive em um asilo, onde passa o tempo olhando a paisagem, lendo poesia para si e para os amigos, e sonhando com um milagre.

Todos os dias, ele pega seu diário e vai até o quarto de uma das pacientes do asilo, senta-se ao lado dela e começa a ler o conteúdo do diário. É um romance sobre dois jovens que se conheceram há muito tempo, ainda adolescentes, e que tiveram que se separar, seguir a vida, destinados a nunca esquecer aquele verão que passaram juntos, quando tinham dezesseis anos.

Nesse momento, temos um corte na narrativa em primeira pessoa, e passamos à narração em terceira pessoa. Descobrimos que os jovens se reencontraram anos depois e durante toda a primeira metade do livro, acompanhamos dois dias da vida deles.

Até aqui, o livro é um amontoado até bem organizado de situações fáceis e bonitinhas, até bobinhas algumas vezes, mas envolventes até certo ponto. Dá um apertozinho no coração quando o flashback acaba, mas é só um prelúdio do sofrimento que vem a seguir.

A escrita de Nicholas Sparks é simples e tem um quê de poesia, flui fácil, mas não é nada especial, embora ele compense em emoção. E, é aqui que você percebe que não estava preparada para a segunda parte do livro.

De verdade, nada te prepara realmente para o que vai encontrar quando o livro volta à narração em primeira pessoa, e aquelas emoções do personagem-narrador te pegam, te envolvem, te arrebatam e te deixam choramingando baixinho.

Inverno para dois, esse é o nome do capítulo que transforma um livro simples, fácil, leve e cheio de açúcar, em um livro feito para te fazer chorar.

Claro, pode ser que não agrade a todos. Provavelmente não vai agradar. Não sei dos outros livros de Nicholas Sparks. Se for julgar pelos livros, não só a temática do amor se repete, mas como os dramas apelões, e sinceramente, não sei quantas histórias parecidas eu aguento ler. Lembro que minhas amigas me diziam para assistir/ler “Um amor para recordar”, do mesmo autor, e quando finalmente assisti, não achei lá grande coisa.

Eu sinceramente não sei, não foi o melhor livro que li, mas ao mesmo tempo, vai entrar na galeria de favoritos. Pois foi um dos que mais me emocionou, e espero que faça o mesmo com quem decidir se arriscar também. Espero que mais pessoas decidam se arriscar.

Livros são feitos para emocionar, te fazer sentir alguma coisa, uma catarse, e esse é um daqueles livros, aqueles que parecem simples, mas que não são, e que te agarram sem você perceber. E que mal há nisso?

quarta-feira, 27 de março de 2013

Livro | Resenha | A fúria dos reis - As crônicas de gelo e fogo 2 - George R. R. Martin

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Valar Morghulis


Antes de qualquer coisa aviso que esse texto contém spoilers(!!!), principalmente para quem não leu o primeiro livro e nem viu a primeira temporada da série, portanto, leia por sua conta e risco.

Você pode ler a resenha de A Guerra dos Tronos aqui.

Se você está ansioso esperando que o segundo livro seja igual ao primeiro, pode se acalmar porque o ritmo de A Fúria dos Reis é mais tranquilo do que o de A Guerra dos Tronos. Os cliffhangers não são tão grandiosos. Eles parecem mais ter a função de preparar o terreno para o que está por vir nos próximos livros. Mas isso não impede cabeças de rolarem, e as reviravoltas não chocam tanto quanto as do primeiro livro, talvez porque aprendemos a esperar qualquer coisa enquanto continuamos xingando o Sr. Martin pela morte do Ned Boromir.

A guerra é quem mais governa em Westeros, que agora conta com cinco reis na briga: o imaturo Joffrey Baratheon, com sua mãe, a Rainha Regente Cersei, do lado dos Lannisters; os irmãos Renly e Stannis Baratheon do lado do reino, porém um contra o outro, sendo Stannis o irmão mais velho depois do Rei morto por um porco Robert, e Renly o mais novo, mas que acredita ter direito por ser mais carismático do que o irmão; Robb Stark, do lado dos Starks, como Rei do Norte e querendo vingança pela morte do pai; e Balon Greyjoy, do lado dos Greyjoys e do povo das Ilhas de Ferro, introduzindo novos e odiados personagens e POVs.

É uma massaroca de reis e motivações, tanto que Martin brinca com os próprios personagens fazendo piada sobre a quantidade de autoproclamados reis. Mas a história começa de novo, com um prólogo muito bem escrito, e um cometa, que é o principal assunto em boa parte do livro. Muitos o identificam como um sinal favorecendo algum rei ou alguma batalha, mas outros sabem que ele também pode significar a volta dos dragões.

A história na parte não congelada de Westeros

Em Porto Real (King's Landing), observamos os acontecimentos pelos olhos de Sansa e Tyrion. A garota Stark vive como refém e prometida ao cruel Rei Joffrey, que não polpa esforços em maltratá-la e humilhá-la. Admito que comecei a sentir um pouco de dó dela, mas passou. Enquanto isso, Tyrion tenta colocar juízo na cabeça do sobrinho e ordem no reino, mas para isso ele precisa descobrir quem trabalha para quem naquele ninho de cobras e em quem ele pode confiar para fazer as coisas certas e não acabar perdendo a cabeça, literalmente.

Em Ponta Tempestade (Storm's End) é a vez de Renly Baratheon, que teoricamente não tem direito a nada, mas acredita que sim por ser mais popular. Ele tem o apoio dos Tyrell, uma das famílias mais ricas e influentes de Westeros, e se prepara para lutar contra o irmão Stannis. Alí vemos parte da história pelos olhos de Catelyn, que vai em busca de uma aliança para o filho Robb, e com ela conhecemos Brienne, uma mulher apaixonada por Renly e disposta a serví-lo como uma guerreira. Cat imediatamente lembra de Arya, e teme pela vida das filhas.

Em Pedra do Dragão (Dragonstone) conhecemos Stannis pelos olhos de um novo personagem, Davos, o cavaleiro das cebolas. Os dois personagens aparecem pela primeira vez no prólogo, enquanto conhecemos um dos maiores mistérios desse livro, Melisandre, a sacerdotisa vermelha que o Stannis pega e que muitos também gostariam de pegar. A reinvidicação de Stannis ao Trono de Ferro começa assim que ele recebe a carta do falecido Ned, contando que os filhos da Rainha Cersei não são do Rei Robert, mas sim resultado da relação incestuosa dela com o irmão Jaime. Ao contrário do Ned, Stannis foi esperto e espalhou a história, provocando mais revolta tanto para quem odeia Joffrey e os Lannisters quanto para eles próprios, que tentam abafar o caso.

Nas Terras Fluviais (Riverlands) trombamos de novo com Catelyn, apoiando o filho na guerra contra os Lannisters, e com Brienne a seu serviço. Mas a situação muda um pouco quando recebe uma notícia de Winterfell, e decide fazer algo que pode mudar muita coisa no jogo dos tronos.

Ali perto encontramos Arya, primeiro como o órfão Arry e depois como Nan. Ela cria uma lista, com o nome de todos que quer matar e repete esses nomes todas as noites, como uma oração, e não demora muito até que tenha uns nomes a menos da lista, com a ajuda de um estranho, chamado Jaqen H'ghar.

No norte temos a não tão ilustre presença de Theon, agora também com capítulos próprios. Com ele conhecemos as Ilhas de Ferro, seus habitantes, sua irmã e seu pai, que agora se denomina Rei Balon Greyjoy, e quer reinvidicar o norte, pagando o preço de ferro. Theon, numa tentativa desesperada e burra de provar ser um homem de ferro para o pai, 'toma' Winterfell, faz caquinha e se f***.

Para lá da Muralha

Para os fãs do Jon, ele está de volta e não é um rei (ufa!), mas ele foi um dos vários patrulheiros escalados para a expedição ao norte da Muralha, junto com o próprio Lord Comandante Mormont, afim de investigar o desaparecimento de outros patrulheiros, entre eles Benjen Stark. Quando acampam no Punho dos Primeiros Homens, Jon encontra algumas armas feitas de vidro de dragão e depois segue com o patrulheiro Qhorin Meia-Mão, para descobrir o que o Rei-Para-Lá-da-Muralha, Mance Rayder, anda fazendo. Nisso ele conhece uma selvagem e apronta várias confusões com uma turminha do barulho.

E os dragões?

Depois de ter sido considerada louca por ter entrado na pira funerária de Khal Drogo, ela fez cair o queixo daqueles que ainda a seguiam, primeiro por sair viva e segundo por sair amamentando três dragões. Mas ai eles são obrigados a seguir viagem, afinal ficar parados ali é o mesmo que querer morrer.

Eles caminham pelo deserto até encontrarem uma cidade abandonada, que chamam de Vaes Tolorro (a Cidade dos Ossos), e ali decidem viver até restabelecerem suas forças. Enquanto isso, Daenerys manda alguns de seus companheiros em todas as direções, para saber o que podiam esperar vivendo ali. Assim ela acaba conhecendo Xaro Xhoan Daxos, Pyat Pree e Quaithe, que vem de Qarth com um de seus enviados.

Em Qarth, Dany conhece a Casa dos Imortais, onde tem revelações e ouve profecias, sobrevive a novos atentados, cria novos inimigos e encontra um novo amigo, vindo de Westeros depois de mandar um rei se f***.

Resumindo...

A Fúria dos Reis é um bom livro, mas também é um dos que requer mais paciência para ser lido e apreciado. No entanto, todo o 'esforço' é recompensado nos próximos livros, quando podemos ver até algumas das profecias da Casa dos Imortais virando realidade.

[ATUALIZADO EM 24/11/2016]
Livro 1: A guerra dos tronos - resenha
Livro 2: A tormenta de espadas - resenha

quinta-feira, 7 de março de 2013

Livro | Resenha | O Silmarillion - J. R. R. Tolkien

3 comentários:
Lembro até hoje de como fiquei empolgada quando encontrei uma edição deste livro na biblioteca da faculdade. Também me lembro de sempre ter visto o coitado ali, intocado, a não ser pela ação dos anos na estante.

Para quem não conhece, O Silmarillion começou a ser escrito por J. R. R. Tolkien em 1917, mas só foi publicado em 1977, depois da morte do autor. O filho dele, Christopher Tolkien, foi o responsável pela compilação da versão original com outros materiais escritos pelo pai por vários anos.

Nessa obra composta por cinco partes, viajamos pelo universo de Tolkien, presenciando desde a canção que criou Eä (Mundo), até a descoberta do responsável pela forja dos Anéis de Poder. E sim, tudo isso se passa antes dos acontecimentos de O Senhor dos Anéis, e antes de O Hobbit também.

Cada detalhe dessa obra é inspirado em coisas próximas da nossa realidade, começando com o mito da criação, que podemos encontrar na civilização romana ou grega, por exemplo, até os seres folclóricos e o mito da queda de Atlântida.

E claro, não podemos esquecer os idiomas criados pelo próprio Tolkien, como os idiomas dos elfos e o dos anões. Pelo que pesquisei, ele criou, ao todo, 10 idiomas, alguns que inclusive só seriam citados mais tarde, no Senhor dos Anéis.

No entanto, se tornou comum ouvir gente que leu a obra dizendo que ela é chata, cansativa, entediante…Posso até concordar com o cansativo, mas não com o chato e o entediante, justamente porque coisas acontecendo não faltam. Por isso já aviso, se você adora livros de fantasia e gosta das obras de Tolkien, vá em frente e devore esse livro, existe a chance de colocá-lo no seu top 10! Caso contrário, você pode ler (é ótimo que leia!), mas não me venha com mimimi se não gostar, afinal O Silmarillion não é um romance que todo mundo lê enquanto está no ônibus ou no metrô, só para distrair.

Da canção às joias

Como já disse, O Silmarillion é composto por cinco partes, cada uma referente a uma passagem específica da temporalidade em que se passa o universo criado por Tolkien. Muitos consideram esse livro uma “Bíblia by Tolkien”, mas só pela parte do Antigo Testamento, porque qualquer um dos personagens desse livro está longe de ser um Jesus da Terra Média.

A primeira parte é composta pelo bundalelê Ainulindalë. É aqui que vamos descobrir como Eä (aka Mundo) foi criado. Já vi muita gente se embaralhar nesse pedaço por causa dos nomes, mas não sei exatamente por que. “Ah, é tudo muito difícil de pronunciar…” – Simples, não tente pronunciar! Guarda o jeito que você acha que se fala na tua cabeça, mesmo que esteja errado, e foca na história, assim não dá pra se perder. Mas, se o teu problema em entender não for esse, comenta embaixo do texto para podermos discutir isso e facilitar a leitura de muita gente, ou não, sorry.

Continuando. Existe um ser chamado Eru, que depois fica popular na Terra Média pelo nome de Illúvatar. Ele é o equivalente a Deus, e também foi quem criou os primeiros Ainur, ”Os Sagrados”, gerados a partir de seu pensamento (eles são a ‘ordem’ dos Valar e dos Maiar).

Um dia Eru os chamou e propôs um tema para criarem uma canção. Conforme a música era cantada, os Ainur tinham visões daquele mundo que estavam criando com sua melodia, inclusive com as perturbações provocadas pelo pensamento de Melkor, um dos Ainur. Mesmo assim, muitos deles ficaram encantados com as visões e se mudaram para Eä, a fim de torná-las realidade.

Depois disso temos o Valaquenta, que são os escritos dos elfos sobre os pontos de vista dos Valar e dos Maiar sobre Arda (a Terra). Nessa parte somos apresentados aos Valar e suas funções em Arda, e também não demoramos a perceber que o maior ‘encrenqueiro’ é Melkor, que foi o primeiro senhor do escuro. E, se você está se perguntando, Sauron já existia, e era um Maiar, servo capacho de Melkor.

Telperion e Laurelin, as Árvores de Luz de
Valinor.
E agora vem o recheio de todo esse papo, o esQuenta Silmarillion, a história das Silmarills, as primeiras jóias responsáveis por uma grande guerra.

O principal sobre essa parte é descobrir como surgiram todas as raças de Eä, e com elas a primeira grande batalha entre o bem e o mal. De um lado, Fëanor, filho do primeiro rei dos Noldor (um grupo dos elfos), considerado o maior e mais foda elfo de todos os tempos, e também um grande artífice, responsável pela criação das Silmarills - três gemas com luz própria feitas a partir das árvores de Luz de Valinor.

Do lado negro da força, Melkor, agora livre e tramando contra os Valar e os elfos. Ele rouba as Silmarills, destrói as árvores de Luz e é amaldiçoado por Fëanor, passando a ser chamado de Morgoth (Senhor do Escuro). Por causa da ira sangue no ‘zóio’ do elfo e de sua busca frenética por vingança, os Noldor são levados à maldição.

Desse ponto em diante é só guerra. E algumas das histórias que seguem podem ser vistas como contos. Dois exemplos são as histórias de Beren e Lúthien e de Túrin Turambar.

Depois começa o diabete Akallabêth, a Atlântida da Terra Média. É a história da criação e ascensão de Númenor, na Segunda Era, desde o ápice da civilização humana até sua queda, causada pela húbris dos próprios numenorianos com um pouco da ajuda do bom e velho Sauron.

E, na última parte, descobrimos como foram feitos os Anéis de Poder, inclusive o Um Anel, agora com Sauron como o Senhor do Escuro.

Curiosidade

Capa de Nightfall in Middle-Earth
Muitos devem saber, mas mesmo assim vale lembrar. O Silmarillion serviu de inspiração para o álbum Nightfall in Middle-Earth, da banda alemã Blind Guardian, lançado em 1998. O disco tem 22 faixas, cada uma retratando um trecho do livro com direito a spoilers.