sábado, 30 de novembro de 2013

Blog | And the nominees are...

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Em quase 1 ano de existência o Contos e Pitacos acaba de receber a indicação para o The Versatile Blogger Award. Nós agradecemos ao Clovis, do Books of Seasons, que nos indicou e esperamos conseguir tornar esse blog cada vez melhor nos próximos anos.

Obrigada à todos os leitores! Estamos pensando em fazer algumas coisas novas, mas vamos ver como fica... =]

Agora vamos as regras da nominação:
  • Agradecer a pessoa que te indicou e colocar o link dela na postagem. 
  • Escolher 15 blogs com menos de 200 seguidores.
  • Avisar os blogs que você indicar.
  • Escrever sete coisas que você gosta.
Bom, como o Contos e Pitacos é composto por duas pessoas, vamos colocar sete coisas de cada uma, lembrando que as listas não estão em ordem de preferência.

Soraya:
  1. Ler - (Quase todo tipo de livro, principalmente fantasia, mas adoro romance. Se um livro é polêmico, quero ler. Se um livro é considerado um clássico, quero ler. Leio algumas HQs, mas essencialmente Batman - e sua grande família. Leio também Naruto, o único manga da lista.).
  2. Escrever. - (Até cansar a mão. Fanfics e originais. Nunca consegui escrever poesia, sou péssima com rimas e métrica. Meu desejo é um dia terminar uma história. Depois, publicar. Mas uma coisa de cada vez). 
  3. Ouvir música - (Em geral, pop/rock, mas não resisto a um bom jazz, de qualquer geração).
  4. Gatos - (Como resistir?)
  5. Assistir filmes e seriados - (Os filmes são tantos que nem dá para citar, mas basicamente, se tiver uma história sobre amizade, ou algum tipo de revolução/resistência, estou dentro. Seriados: Supernatural e The Walking Dead).
  6. Ficar na internet - (Tá, nem sempre, mas às vezes é a única coisa que quero quando chego em casa do trabalho. Julgue-me. Gasto muito tempo no youtube. Adoro podcast, adoro videocast, mais precisamente NerdOffice e OmeleTV.)
  7. Comprar cadernos e canetas.
Ana Bárbara:
  1. Escrever (sobre coisas que me deem prazer, afinal todo mundo sabe como é um saco fazer qualquer coisa por obrigação).
  2. Jogar (no momento Paciência, WoW e RPG).
  3. Acompanhar histórias que me chamam atenção [livros, filmes, documentários, seriados e até algumas raras novelas (algumas vezes só pra implicar sobre como são ruins)].
  4. Ficar perto das pessoas com as quais me importo (isso não significa conversar 24h sem parar).
  5. Frio (sim, amo me vestir com cores escuras e do dia cinzento e não entendo como tem gente que gosta de ficar suado só de andar um metro).
  6. Editar coisas (textos, imagens...).
  7. Cozinhar (mas deixo a louça para qualquer pessoa que queira me ajudar).

Quanto aos blog indicados, não conseguimos encontrar 15 que tivessem menos de 200 escritos, então vamos aos sete nomeados (que também estamos seguindo e curtindo):







quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Divagando | Fanfics: originalidade x homenagem

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Fanfiction: O que é?

Também conhecido com fanfic ou simplesmente fic, o termo nasceu da junção das palavras fan (fã) e fiction (ficção), traduzindo-se como ficção de fã. Explicando melhor, uma fanfiction nada mais é que uma história criada por um fã de determinada obra ou celebridade. Pode ser sobre:
- Livros: Harry Potter, Crepúsculo, Guerra dos tronos;
- Revista em quadrinhos/Graphic Novel: Batman, Homem-aranha;
- Mangas ou animes: Naruto, Bleach, One piece;
- Séries: Supernatural, The big bang theory, Vampire Diaries, Pretty little liers;
- Filmes: Matrix, Meu primeiro amor, ABC do amor, O exterminador do futuro;
 - Artistas: Jennifer Lawrence, Paramore, Tokyo Hotel;
- Ou qualquer coisa de que você seja fã e sobre o quê queira criar uma história;

Há discussões sobre a “legalidade” das fanfictions, pois elas geralmente usam personagens e universos literários criados por outras pessoas, ou usam o nome de pessoas famosas que nem sempre consideram a fic como uma “homenagem”. Há inclusive autores que proibiram o uso de suas obras em fanfics, como Anne Rice, que não quis saber de nenhum fã usando um de seus vampiros em outras histórias.

Cinquenta tons no Crepúsculo

Por falar em vampiros, quem já ouviu falar de um livro sobre uma humana que se apaixona por um vampiro? Sim, estou de novo citando “Crepúsculo” (um caso de amor mal resolvido? Despeito? Pura e simples necessidade? Quem vai saber…). Enfim, a fama de Crepúsculo pode agradar algumas pessoas tanto quanto irrita outras, mas devo reconhecer que o livro de Stephenie Meyer ajudou a tornar o termo fanfiction conhecido do grande público. Não sei ainda se isso é bom o ruim, mas o fato é que foi graças ao livro de Meyer que o mercado literário ganhou um novo brinquedinho sadista para um público masoquista: “Cinquenta tons de cinza” (outra citação repetida, outro amor mal resolvido?). Sim, como muitos sabem – e para os que não sabem – Cinquenta tons é uma fanfiction de Crepúsculo, mas baseada em um universo alternativo.
“50 tons” nasceu com o nome de “Master of the universe”, onde Eddward Cullen seria um CEO misterioso e sadista, que se apaixonada por Bella, uma garota imperfeitamente normal, e a introduz em um mundo em seu mundo de dominação, submissão e jogos eróticos. Não muda muita coisa do enredo que conhecemos de “50 tons” e, pelo que sei, nem as falas originais escritas por Stephenie Meyer são muito diferentes das usadas por E. L. James…

Publicidade na literatura: Quantidade X Qualidade

Quero me concentrar no fato de que uma editora pegou uma fanfiction famosa de Crepúsculo, a transformou em um livro polêmico, e deu início a uma avalanche de livros ruins, oportunistas, e plágios mal disfarçados.
Em tempos mais felizes da literatura, as obras costumavam ser originais, traziam discussão à sociedade ou, pelo menos, alguma distração decente. Hoje, é apenas repetições de padrões, fórmulas de sucesso que não têm nada a ver com qualidade, e sim com jogos de publicidade. Algo que teve início com a busca de substitutos para “Harry Potter” e o próprio “Crepúsculo”, momento em que surgiram centenas de livros juvenis com propostas parecidas, mas sem a metade da magia de seus antecessores.

Fale bem, fale mal…

Sim, estou falando de magia e me referindo também a Crepúsculo. Eu não gosto da série, li apenas o primeiro livro e não há nada que me convença a ler o segundo, mas tenho que admitir que a técnica do “ame-o ou odeie-o, mas fale dele” deu muito certo. Crepúsculo é amado por uns e odiado por outros na mesma medida. Você saberia dizer com certeza se essa saga tem mais amantes do que inimigos? Eu não.
O problema é que Crepúsculo abriu um triste precedente publicitário no mercado. A mesma tática foi usada em Cinquenta tons de cinza, que se tornou um fenômeno de vendas e, ao mesmo tempo, de rejeição.

Deus do sexo dominador

Por sua vez, 50 tons abriu as portas para os romances eróticos, que andavam esquecidos, e ajudou a mostrar para o mundo que mulheres também gostam de sexo. As editoras não perderam tempo e estão tirando de seus arquivos aqueles velhos manuscritos perdidos, a maioria provavelmente destinada a ser mais um título desimportante de outra edição de Sabrina.
Ao invés disso, ganharam um ar de importância não merecida e estão enchendo as livrarias com romances que mais parecem cópias uma das outras, tudo muito parecido. Maior exemplo disso é “Toda sua”, livro erótico de Sylvia Day, que admitiu ter baseado sua história no próprio “50 tons”. Tudo bem, Sylvia Day escreve melhor que E. L. James, mas isso não vem ao caso.
Se eu pegar mais um livro sobre um CEO de uma empresa próprio, que seja jovem, forte, “deus do sexo” e dominador, eu não sei se aguento. É tanta vergonha alheia pelos autores desses livros, que dá pena.
Aliás, “Deus do sexo dominador” até parece aqueles anúncios que enfeitam os telefones públicos: “Ninfeta loira”, “Morena fatal” e outros clichês que não sei porque ainda funcionam.
Cadê a originalidade? A pergunta serve tanto para os autores quanto para os garotos de programa. CADÊ A ORIGINALIDADE?

Fanfictions: Falta de originalidade, homenagem ou treino?

Podemos ficar com um pouco dos três? Okay, eu admito, eu sou ficwriter (escritora de fanfics) e, às vezes, me sinto culpada por isso. Eu queria poder dizer que as histórias que criam usando personagens de outro autor são minhas, mas não sei se isso é totalmente verdade. Por definição, os personagens pertencem a outro autor, então eu não teria direito de usá-los. A melhor desculpa que eu e outros ficwriters usamos é que as fics não têm interesse comercial, são apenas "brincadeira" de fã, servem para divulgar a obra original e conhecer outras pessoas com os mesmos interesses. E para treinar.
"Ah, mas não pode treinar com seus próprios personagens?". Bem, sim. Na verdade, deveríamos treinar assim, mas é divertido brincar com nossas histórias e personagens favoritos. Eu, pelo menos, quando começo a gostar de um livro, começo a criar mil e uma outras possibilidades de interação entre os personagens e isso faz a minha mente trabalhar. Gosto de compartilhar isso com outras pessoas que gostam das mesmas coisas e sempre deixo os devidos créditos.
Claro, é difícil olhar para tudo o que você escreveu e não ver ali algo que seja seu. A fanfic é sua e se eu soubesse alguma forma de desapegar delas, eu usaria agora mesmo.
No entanto, vamos ampliar um pouco mais essa discussão. Você sabe o que são fanarts? (Fan = fã + Art = Arte), em outras palavras, são desenhos feitos por fãs de seus personagens ou celebridades favoritos. É um outro jeito de contar uma história, mas ao invés de palavras, usa-se o desenho. Você julgaria alguém por desenhar Harry Potter ou Naruto ao invés de criar um personagem próprio e desenhá-lo? Se o desenhista faz isso para homenagear ou para treinar, você pode acusá-lo de falta de originalidade?
"Como isso é diferente do que foi discutido no tópico anterior?"
Os livros comentados no tópico anterior querem vender em cima de sucessos anteriores, que abriram as portas do mercado, e não estão preocupados com qualidade. As fanfics e as fanarts só querem declarar seu amor às outras obras. Isso é errado? Se for, eu gosto de fazer coisa errada.

domingo, 8 de setembro de 2013

Livro | Divagando | Séries literárias: a tentação, a armadilha e o vício

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Eu realmente - realmente - deveria parar de ler séries literárias e começar a me interessar por livros "solos". Das últimas três séries que comecei a ler, todas estão inacabadas, e duas aguardam mais que dois livros para serem concluídas.
Jogos Vorazes - Suzanne Collins

O problema e a graça das séries é que é um jeito das histórias durarem mais tempo. Elas são feitas para quem gosta muito de livros, adora a sensação de entrar em um outro universo e tem enormes dificuldades para sair dele, como eu. Naquele momento em que a história acaba e você sente um vazio estranho, como se nunca mais fosse ver seus amigos novamente - os amigos que você fez no livro, conhecendo a história deles, compartilhando de seus momentos, enfim...

Ao final de um livro, você tem algumas opções:

1) Começar logo a ler outro livro - o que nem sempre é fácil, pois alguns livros fazem o leitor entrar de tal forma na história que é difícil sair.

2) Ler fanfictions. Mas há sempre o risco de não haver fanfics suficientes naquele fandom, ou os ficwriters serem muito ruins. Há também quem goste de escrever as próprias fics

3) Reler até quase enjoar. Cuidado com o "quase".

4) A terceira opção deve ser considerada antes mesmo de começar a ler qualquer livro. Trata-se simplesmente de passar a preferir livros que fazem parte de uma série. Assim, a história vai durar muito mais.

Considerações feitas, segue abaixo algumas das minhas experiências com séries literárias:

Harry Potter e a pedra filosofal - J. K. Rowling
Quando comecei a ler "Harry Potter", a série também estava inacabada, mas só faltava o sétimo livro ser lançado e eu tinha ainda seis outros livros para ler. Sem pressa, pois minha compulsão por leitura ainda não estava enraizada no meu ser, como é hoje.

Com "Jogos Vorazes", os três livros já tinham sido lançados e a série estava terminada, então lê-la foi quase indolor. E foi quando percebi que eu tinha essa fraqueza por séries, pois quando terminei, em minha leitura mais rápida até então (três livros em  dias), eu ainda queria mais. Como não havia, reli os três livros.

Os três livros de "O senhor dos anéis" eu li em uma edição de volume único, e nunca terminei o terceiro livro... claro que eu amo OSDA!!! Mas não estava com muita paciência de ver a viagem de volta dos hobbits ao Condado, após ter sérias dificuldades em passar por Tom Bombadil no primeiro livro. Isso quando os quatro pequeninos - Frodo, Sam, Pippin e Merry - estavam em seu caminho despreocupado até Bri. Eu sei que ainda há coisas para ler após o anúncio do casamento entre Faramir e Eowyn, especialmente no Condado, o que provavelmente me explicaria porque Frodo teve de partir... coisa que nunca entendi no filme. Mas realmente não estou afim. Talvez um dia, mas não vejo isso acontecendo em um futuro próximo.

Droga da Obediência - Pedro Bandeira

A série "Os Karas", de Pedro Bandeira, já havia sido concluída há muito tempo quando eu comecei a lê-la no primeiro ano do Ensino Médio. Os cinco livros levaram três anos para serem lidos. Eu terminei antes de começar minha história de amor com os livros de J.K. Rowling, os sete "Harry Potter". O que corrobora com minha suspeita de que foram esses livros que me iniciaram nessa tortura literária que é se tornar dependente de "livros-sequência".

"Os Karas" me fez querer mais ainda ler "Harry Potter", o que me levou a "O senhor dos anéis" e as coisas se seguiram, formando meu gosto literário de hoje.

Um dos livros que caíram na minha preferência a partir dessa tríade perigosa citada acima, foram os livros da série "A Torre Negra" de Stephen King, com seus sete livros já publicados, dos quais li apenas dois. Até agora. O motivo por trás do meu atraso é que o terceiro livro pertence ao meu namorado e ele o está lendo. Lentamente. Muito lentamente. (A implicância é gratuita, amor, por favor, não se sinta pressionado =P)

Ah, e não posso esquecer-me de outro autor brasileiro que anda me deixando curiosa por mais leitura: Eduardo Spohr e seu universo, com o recente lançamento do segundo livro da série "Filhos do Éden".

A guerra dos tronos - George R. R. Martim
Sem falar em George R. R. Martim, que surgiu na minha vida com suas "As crônicas de gelo e fogo". Na qual eu me encontro empacada no terceiro livro, com mais dois pela frente já publicados, e a perspectiva de mais dois ou três livros serem escritos e lançados sabe-se lá quando...

Tudo bem que há o pequeno, mas significativo, fato de consegui escapar de pelo menos uma armadilha das séries - sobrevivi sem danos permanentes ao primeiro livro da saga "Crepúsculo".

O que não me protegeu de "Cinquenta tons de cinza", mas foi uma leitura chiclete que chegou e passou, já superada. No entanto, fui pega por "Crossfire", romance erótico de Sylvia Day e por "O inferno de Gabriel", trilogia de Sylvain Reynard.

Outras séries também foram começadas, mas uma não vale a lembrança e a outra - "as crônicas vampirescas de Anne Rice" - foi apenas adiada.

Séries tornaram-se rapidamente um ciclo vicioso, que dá um  novo sentido ao termo "ressaca literária".

Se você decidir por esse caminho, você precisa ter duas coisas em mente:

1) Nem sempre a série que você começou a ler, já teve seu fim publicado, e é muito difícil esperar pelo próximo. Pergunte para qualquer fã de "A guerra dos tronos" e eles vão confirmar o que digo.

2) Você precisa ser forte para aceitar que aquele é mesmo o fim. Quando o sétimo e último livro de Harry Potter foi lançado, eu estava entre aqueles que tiveram alguma dificuldade para aceitar que não haveria um oitavo livro.

Quanto a mim, cá estou eu esperando, esperando, esperando... e acrescentando, eventualmente, mais séries literárias finalizadas ou não à minha lista. Faz parte da tortura auto imposta de uma leitora compulsiva, resignada, incurável e decididamente nada arrependida.

=D

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Livro | Resenha | Trilogia erótica - Anne Rice

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Trilogia Erótica I
Numa época em que virou moda livros soft porn a lá "Sabrina", chega nas livrarias uma trilogia erótica escrita por Anne Rice, com o pseudônimo de A. N. Roquelaure, mas dessa vez sem vampiros, bruxas ou qualquer outro ser sobrenatural. No entanto, algo que poucos sabem, é que essas obras não são resultados de um esforço de pegar carona numa moda já tão saturada.

O primeiro livro foi publicado em março de 1983, com o nome de "Os Desejos da Bela Adormecida". O enredo começa quando o Príncipe encontra a Bela e a acorda da maldição que a fez dormir por 100 anos. O até-então-conto-de-fadas muda de figura quando, ao invés do 'felizes para sempre', a princesa descobre que agora é uma escrava que servirá ao príncipe e toda sua corte no reino dele.

Para a surpresa da inocente princesa, ela descobre que não será uma escrava comum, mas sim uma escrava que vai andar nua e servir aos desejos de seus senhores, que podem variar desde uma obrigação simples como servir bebidas, até fazer sexo. Não demora até ela também descobrir que servirá junto com outros príncipes e princesas escravos.

A trama é simples e o primeiro livro cumpre aquilo que se propõe a fazer, descrever cenas de sexo. O fundo sado-maso influencia nos acontecimentos, deixando algumas cenas mais 'pesadas', a ponto de ter gente que fica chocada e desiste de ler nas primeiras 50 páginas. Meu ponto de vista: é a mesma coisa que assistir um filme pornô que não seja 'female-friendly' (amigável com as mulheres), ou seja, se você acha que pornôs são nojentos mas por algum motivo misterioso ama 50 tons, pode ler, mas não reclame depois.

Trilogia Erótica II
O segundo livro da trilogia foi publicado em março de 1984, um ano depois do primeiro, com o nome de "A Punição de Bela". Não vou revelar o que acontece, não quero cortar o possível tesão que alguém tenha lendo a trilogia, mas esse livro não agrega nada à trilogia. É a repetição da mesma fórmula usada no primeiro, e só um capítulo me surpreendeu. Se no primeiro o limite era mostrar homens sendo violentados por cenouras, no segundo o limite passa a ser um gang-bang (sexo grupal, no caso com uma mulher e vários homens).

Meu ponto de vista, minha opinião tosca

Livros eróticos nunca chamaram minha atenção, apesar de já ter lido vários contos. Mas é aquilo, conto é rápido, não é algo que se estende por mais de 10 páginas. Quando isso acontece ele passa a ter continuação. Esses dois livros serviram para reafirmar o que eu já achava sobre livros eróticos, por mais bem escritos que eles sejam, as vezes ver um filme pornô é mais eficaz, seja porque você quer ter prazer ou porque você quer se entreter vendo sacanagem.

Demorei uns cinco meses só enrolando pra começar a ler e terminar de ler o segundo livro, e cada página foi um tédio, justamente por não ter nada além da mesma fórmula que vi ser usada no primeiro.

Trilogia Erótica III
O terceiro livro, publicado em junho de 1985, chama "A Libertação de Bela". Não sei quando vou ler, muito menos quanto tempo vou demorar para ler, mas se por acaso ele mudar alguma coisa no que já li, faço um texto sobre isso. Caso contrário, vou ficar devendo.

Mas considerando o contexto histórico no qual essa trilogia foi escrita e o que dizem ter sido o motivo pelo qual Anne Rice a escreveu, ela cumpriu muito bem o seu objetivo. 

Numa época quando movimentos feministas eram contra a pornografia, se bobear com o mesmo discurso que vejo um monte de mulheres proclamando hoje por ai, de que as mulheres têm que se dar ao respeito e não usarem roupas curtas, Rice escreveu como uma forma de dizer que as mulheres têm direito a liberdade de ler e escrever o que bem entenderem, inclusive pornografia. Nisso repito, a fórmula usada no primeiro livro, é a mesma de um roteiro de filme pornô, o que não muda no segundo livro e acho que já consegui deixar bem claro porque duvido que vá mudar no terceiro.

Possível spoiler

Me arrisco até a dizer que no terceiro livro é capaz do personagem principal ter as vezes de senhora, com um escravo ou mais para poder brincar e 'brincar' a vontade.

sábado, 10 de agosto de 2013

Livro | Resenha | Toda sua - Crossfire 1 - Sylvia Day

Um comentário:
Uma coisa leva a outra

Acompanhe meu raciocínio: Crepúsculo é uma série sobre uma menina de dezessete anos que nunca se apaixonou na vida, nem viveu nenhum tipo de emoção em sua vida até se apaixonar por um vampiro e ter que praticamente implorar para que ele a transformasse. São necessários três livros de uma saga que não tem razão de ser para que ela consiga o que quer.
Uma fã já grandinha dessa série adolescente resolve escrever uma fanfiction em um universo alternativo em que Bella é uma formanda da faculdade e Edward é um poderoso magnata sadomazoquista. A fanfic faz tanto sucesso que a autora decide virar escritora profissional e lançar sua fanfic como uma original, mudando alguns detalhes aqui e ali, deixando o básico para não mudar a história toda e o mercado editorial ganha um novo brinquedinho: Cinquenta tons de cinza.
A história de amor e sexo de Christian Grey e Anastasia Steele conquista as fãs de Crepúsculo que já tinha crescido um pouquinho e, de quebra, outros corações desavisados que nunca tinham lido um livro erótico na vida. E, de repente, o mercado editorial descobriu uma coisa inovadora: mulheres também gostam de sexo e gostam de comprar.
O resultado foi uma enxurrada de títulos eróticos nas prateleiras das livrarias, da mesma forma que aconteceu quando Harry Potter e Crepúsculo acabaram e as lojas precisavam de substitutos. Títulos como Luxúria, S.E.G.R.E.D.O., O inferno de Gabriel, A bibliotecária, Belo desastre, e a mais nova fanfiction de Crepúsculo que virou livro Cretino irresistível, e as respectivas continuações estão lotando as prateleiras e é difícil acompanhar o ritmo.

Um desses títulos é o tema da resenha de hoje.

Crossfire, livro 1 - Toda sua
Toda sua é o primeiro livro da série Crossfire da autora de livros eróticos Sylvia Day. A série já tem mais dois livros lançados, com os originais e geniais nomes de Profundamente sua e Para sempre sua e promete encerrar com mais dois livros (só espero que desistam de colocar a palavra "sua" nos próximos títulos em português), ainda sem previsão de lançamento. Sylvia Day é uma conhecida autora de livros eróticos e tem na carreira outros títulos que fizeram algum sucesso lá fora. O provável motivo de Toda sua ter se destacado é a declaração da própria autora de ter se "baseado" em Cinquenta tons de cinza na composição da história e de seus personagens. Não, não se trata de uma fanfiction de "50 tons", mas – arrisco dizer – uma versão melhorada. Nenhuma grande proeza, porém.

Comparações necessárias

Eu não gosto muito de fazer comparações desnecessárias, mas algumas são inevitáveis. Enquanto na resenha de Cinquenta tons de cinza eu fiz um rápido paralelo Edward Cullen/Christian Grey e Bella Swan/Anastasia Steele, agora me vejo diante de um curioso "jogo dos sete erros", com personagens e história essencialmente parecidos, mas colocados no papel por uma escritora experiente.
Christian Grey é um magnata que atua em todas as áreas que pode e controla Seatle como se fosse o quintal de sua casa. É bonito, atraente e pode ter a mulher que quiser... desde que ela esteja interessada em sexo com brinquedinhos e surras ocasionais. Ele tem um bom relacionamento com sua família adotiva, embora prefira se manter distante por causa de seu passado traumático com uma mãe prostituta e viciada, e o cafetão dela que gostava de queimar bitucas de cigarro em seu peito. Aos quinze anos, Christian tornou-se submisso de uma mulher mais velha, casada e amiga de sua mãe adotiva. Seus traumas deixaram marcas, entre elas a fobia de ser tocado.
Gideon Cross é um magnata que atua em todas as áreas que pode e controla Nova York como se fosse o quintal de sua casa. É bonito, atraente e pode ter a mulher que quiser. Seu relacionamento com a família é bastante conturbado. Ele é filho de um empresário que roubava dos próprios clientes e que optou pelo suicídio para não ser preso por seus crimes. Sua mãe casou-se novamente, mas o passado de seu pai ainda o atormentava, transformando-o em uma criança cheia de problemas. Quando sua mãe contrata um psicólogo é quando a vida do jovem Cross realmente se torna um inferno. Desses fatos, Gideon desenvolve um problema que o atinge praticamente todas as noites, a parassonia sexual atípica, fazendo seus pesadelos ultrapassarem o limite da imaginação e tornando impossível que ele divida sua cama com alguém.
Os dois têm preferência por mulheres morenas o que poderia ser irrelevante se Anastasia Steele e Eva Tramell, respectivamente não acreditassem que esse é um bom motivo para se sentirem inseguras e ciumentas.
Ana e Eva não têm muito em comum além da atração irresistível que sentem por seus magnatas e que despertam neles sem qualquer explicação plausível. Enquanto Ana é uma morena bonita e virgem, sem grandes problemas em seu passado, Eva precisa lidar com as lembranças do abuso sexual que sofreu dos dez aos catorze anos, uma mãe superprotetora e os problemas pscicológicos de seu melhor amigo e porto seguro Cary. Apesar dos traumas, Eva conseguiu fazer as pazes com o sexo e o desejo embora, por muito tempo, tenha usado isso como uma ferramenta de fuga de seus problemas reais, danificando ainda mais sua autoestima e seu psicológico.
A maneira como os casais se encontram não é muito diferente também. Ana e Eva caem no chão, literalmente aos pés do deus-do-sexo de seus respectivos livros.
Não é apenas na escrita que Sylvia Day se destaca de E.L.James, mas também na maturidade de algumas partes de seu enredo. Claro que em nenhum momento se cria a ilusão de que em um romance erótico o enredo tem alguma chance de se sobressair aos orgasmos múltiplos e madrugadas inteiras de sexo selvagem. Apesar de ser uma escritora melhor, Sylvia também entedia o leitor com passagens desnecessárias e algumas coisas são tão previsíveis que perde a graça. Sem falar na minha velha conhecida implicância com histórias narradas em primeira pessoa.

Autora da série Crossfire - Sylvia Day
A história

Eva Tramell acabou de ser formar em publicidade e consegue emprego em uma importante agência, que funciona no vigéssimo andar do imponente edifício Crossfire. Lá, ela conhece Gideon Cross, dono do prédio e de quase toda Manhathan.
A atração entre eles é intensa, mas ele quase estraga tudo ao propor um encontro rápido baseado unicamente em sexo. Apesar de tentada, Eva sabe que seus problemas apenas pioram quando usa o sexo como válvula de escape e, desde que saiu de São Diego para viver em Nova York, decidiu apenas se envolver sexualmente com homens com quem tivesse um relacionamento ao menos amigável. Ela não está interessada em namoro, pois preza sua liberdade e independência acima de qualquer coisa. Gideon aceita a oferta dela e é aí que a paixão e os problemas começam a dividir a atenção dos dois, que mergulham em um relacionamento imaturo, com uma interminável disputa de poder e sexualmente intenso. Eles resolvem todos os problemas na cama – ou melhor, no sexo, já que nem sempre isso acontece na cama propriamente dita.
Gideon atrapalha-se consstantemente com suas tentativas de se manter em um relacionamento sério no qual está emociconalmente envolvido pela primeira vez, ao mesmo tempo em que seus problemas psicológicos começam a afetar Eva mais profundamente do que seria saudável. Os dois têm traumas parecidos, mas maneiras diferentes de lidar com isso, o que pode acabar afastando-os para sempre.
No meio da confusão que a vida deles como casal se torna, fica difícil saber quem é mais dependente de quem. O relacionamento pode ser explicado pela frase que vem logo na capa do livro "Ele me possuiu e eu fiquei obsecada". O curioso é que o mesmo poderia dizer Gideon a respeito de Eva. Eles são viciados um no outro.
O que torna a história minimamente atraente é a sensação de que eles não deveriam estar juntos. É estranho, mas durante a leitura, às vezes você se pega pensando que seria melhor se cada um seguisse seu caminho. Até mesmo eles sabem disso, mas teimosamente se recusam a abrir mão daquilo.

O mercado de romances eróticos

Os romances eróticos Luxúria e Cinquenta tons de cinza
No mercado atual de romances eróticos todos os livros se parecem e a relação dominador/submisso se faz presente de uma maneira que me faz pensar se não tem alguém por trás desses livros tentando definir um padrão de comportamento nos casais. É um pouco revoltante que alguns dos livros mais lidos hoje em dia ditem que uma relação, para dar certo, tem que ter a pessoa que manda e a pessoa que obedece, e não a boa e velha concessão de ambas as partes.
Os livros da série Crossfire são alguns dos representantes da literatura erótica para mulheres, que se caracteriza por uma estranha mistura de soft porn¹ com BDSM (Bondage², Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo). No segundo livro, Profundamente sua, fica claro que Gideon Cross é um dominador, mas ele não tem um "quarto vermelho da dor", nem o desejo de bater, amarrar ou usar brinquedinhos em Eva. Entre eles é uma coisa muito mais psicológica do que física. O que não é uma justificativa, mas pelo menos muda um pouco do enredo de "50 tons" e os livros da trilogia Luxúria, por exemplo.
Toda sua não é o melhor livro do mundo, não tem a melhor escrita, os melhores personagens ou o melhor enredo. Mas é estranhamente atraente e viciante.

¹ Soft porn - Pornô leve, suave.
² Bondage - Prática de amarrar, prender, imobilizar o parceiro.

sábado, 25 de maio de 2013

Livro | Resenha | Crepúsculo - A Saga Crepúsculo 1 - Stephenie Meyer

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Ensinaram-me que não se deve “julgar um livro pela capa” e muito menos deixar-se levar pela opinião alheia, dois pensamentos que eu sigo e que até hoje me deram poucos motivos para arrependimento. Portanto, foi consciente do risco que eu peguei Crepúsculo para ler, depois de ter assistido os filmes e decidido que não gostava do que tinha visto neles. Mas eu precisava saber, precisava entender porque tantas pessoas odeiam e outras tantas amam. Eu achava, talvez com demasiada inocência, que tinha que haver um bom motivo para o livro despertar emoções tão fortes e contraditórias. Foi assim que me deparei com uma das histórias mais irrelevantes já criadas.
 Se eu fosse julgar o livro pela capa, contrariando uma das primeiras lições que tive na minha vida de leitora, a capa de Crepúsculo me prometeria muito mais do que aquilo que eu encontrei em suas páginas. Mãos segurando uma maçã, eterno símbolo da tentação e do pecado original, levado para um mundo onde há vampiros e lobisomens, é uma maneira interessante de apresentar uma história. Mas a promessa dura pouco e percebe-se logo que não há nada que justifique o porquê daquela história estar sendo contada.
Se Crepúsculo fosse apenas uma história sobre uma garota nova na cidade que se apaixona pelo cara popular, possivelmente não venderia tantas cópias, sequer passaria pela primeira leitura dos editores e jamais seria publicada, pois coisas como essas já vimos aos montes e não precisamos de mais. O que vendeu Crepúsculo foi o elemento sobrenatural, fantástico, e a presença de um vampirinho camarada que brilha no sol e é vegetariano, apesar de comer ursos e veados.
Nunca me interessei por histórias de vampiros, li “Entrevista com o vampiro”, assisti alguns filmes e ouço amigos que jogam “Vampiro, a máscara” dissecar todas as características que acham que eu devo conhecer sobre os clãs de vampiros do Mundo das Trevas. Ou seja, meu raso contato com essas lendas não me torna uma especialista, então não vou comentar a fundo o fato de Edward brilhar no sol ao invés de morrer. Também não sei se ele deveria ou não ser alérgico (ou sensível, ou seja-lá-o-que-for) a dentes-de-alho e crucifixos. Pois, na verdade, isso não me incomoda, nem me preocupa em nada. Sei que para os verdadeiros fãs de vampiros essas pequenas coisas que Stephenie Meyer faz são justamente o problema.
Mas o excesso de purpurina nos vampiros não é a pior parte.
Em “Entrevista com o vampiro”, por exemplo, a história é densa e angustiante em muitos momentos. A narração em primeira pessoa colabora para esse clima pesado, pois acompanhamos os dramas acumulados por séculos pelo protagonista, o que não é exatamente legal, e por vezes até chato, mas mesmo isso é parte da história. A autora, Anne Rice, nos faz sentir um pouco daquilo que Louis sente, o que torna a obra extremamente eficaz em seu propósito. E, aqui, falo do propósito da literatura em geral, que é a da identificação e da catarse.
Em Crepúsculo, temos uma soma infinita de cenas e situações clichês, temperadas por uma narração em primeira pessoa que, ao invés de aproximar o leitor da protagonista, para que haja identificação, só faz com que o leitor se canse rapidamente dela.
Bella Swan é uma adolescente e, depois que você sabe isso, poucas coisas são interessantes a respeito dela. E até ela sabe disso! O único jeito do leitor gostar menos de Bella é sendo a própria Bella, pois dificilmente haverá um personagem com uma auto imagem tão depreciativa. A impressão que dá é que, se dependesse dela, Bella ficaria trancada no quarto, para não ter que lidar com as outras pessoas.
Não que ela tenha motivos para isso. Ela acabou de se mudar para a cidade mais chata do mundo (muito chata mesmo), e todos no colégio querem ser seus amigos. Como se não bastasse, três rapazes se apaixonam por ela, isso sem colocar na conta um certo vampiro e um lobisomen ( Jacob, que aqui ainda é um garoto de quinze anos). Que vida difícil, heim, Bella?
Como sua vida é extremamente sem graça (e nisso sou obrigada a concordar com Bella), não é difícil entender porque ela fica tão excitada com a descoberta de que o único garoto que chama sua atenção no colégio é, na verdade, um vampiro. É preciso apenas uma pesquisa na internet e um passeio na floresta, para que ela entenda o que Edward realmente é e aceite a ideia, sem pirar como qualquer pessoa sensata faria. Ninguém aqui se iludirá o suficiente para acreditar que “sensata” é um adjetivo adequado para Bella, não é?
Não tem nenhuma explicação para o fato de tantos caras se interessarem por Bella, pois a narração é em primeira pessoa, e Bella tem sérios problemas com sua auto estima (para não dizer problemas com autopreservação). Logo, a narração se concentra em Edward, que até ela sabe que é mais interessante. Mais da metade do livro é dedicado a conhecê-lo e saber mais sobre sua habilidade de ler mentes, sobre como ele é bonito, forte, rápido, estressadinho e bipolar, e como ele a faz sentir... viva. Até sexualmente viva, aliás.
Não sei se é implicância minha, mas não vejo nada de muito romântico num vampiro ficar obcecado numa humana. Stephenie Meyer quer convencer o leitor que essa obsessão de Edward equivale ao amor de Bella, mas me parece muito doentio.
Porém, não são poucas as coisas que ficam sem explicação nesse livro. A primeira é o que Bella tem de tão especial para chamar a atenção dos três humanos, do lobinho e do vampiro. A segunda é o porquê dos Cullen acharem que é uma boa estratégia encontrar estabilidade numa cidade pequena em que todos se conhecem. Quero dizer, se você quer passar despercebido, você não vai para uma cidade pequena, vai para uma cidade grande, onde o anonimato é mais garantido. Se você quer ficar longe da tentação do sangue humano, você vai para lugares onde quase não há humanos, ou seja, viver no meio da floresta, não em um colégio cheio de adolescentes indefesos. E mais, se é para Edward e seus “irmãos” passarem por adolescentes normais e repetirem os anos de colégio pela eternidade, a família vai ter que mudar de cidade a cada quatro anos? Que tipo de estabilidade é essa?
O plot básico da história é esse, que só acaba depois da metade do livro. No final, lá no finalzinho mesmo, é quando alguma coisa começa a acontecer. Bella vai assistir o namorado vampiro jogar basebol com a família e conhece vampiros de verdade. É a primeira vez, em todo o livro, que ela parece perceber que vampiros são perigosos e que é melhor não mexer com eles. Bella é “apetitosa” para um desses novos vampiros e, mesmo que caçá-la represente uma perda de tempo, com tantas outras vítimas disponíveis e menos protegidas, esse vampiro decide que vale a pena arriscar. Edward e a família decidem protegê-la. Algumas páginas chatas depois disso, Bella encontra-se com o grande vilão da história e… desmaia. A limitação da narração em primeira pessoa aparece mais uma vez, pois só sabemos o que aconteceu no final do confronto, quando alguém o relata à Bella. Depois disso, mais páginas inúteis e o merecido fim.
Enfrentei a leitura de Crepúsculo com dois objetivos: o primeiro era descobrir porque tanta gente odeia o livro. Objetivo atingido. O segundo, descobrir porque tanta gente ama. O que  ainda é um mistério, pois dizer que foi “por causa do romance” não é o bastante. Romances têm aos montes por aí e nem todos têm a devida atenção. O romance de Bella e Edward na maioria das vezes soa forçado, obsessivo, co-dependente e autodestrutivo. A grande dúvida que fica é se podemos, ou devemos, chamar isso de romance.
Algumas leituras encaram Crepúsculo como uma metáfora da adolescência, um momento de questionamentos e transformações, cheio de dramas e exageros, e da certeza de que o primeiro amor é forte, indestrutível e insuperável. Dá para ver isso em Bella, uma protagonista genérica e sem carisma, mas que, contraditoriamente, consegue fazer com que muitas mulheres se identifiquem com ela (não todas, apenas o suficiente). Bella representa um apanhado de muitas das inseguranças femininas relacionadas ao amor e auto estima.
Eu gosto de metáforas e até gosto desse aspecto de Crepúsculo, mas isso não torna a história boa. No livro todo não acontece nada de interessante. É só uma garota falando de suas inseguranças, seus desajustes e de seu primeiro e grande amor.
Para terminar, fica a defesa de que, antes de falar mal de uma coisa, é preciso conhecê-la. Essa foi minha verdadeira missão na leitura desse livro, no fim das contas. Se você deve ou não ler, se deve ou não gostar, é por sua conta e risco.

domingo, 31 de março de 2013

Livro | Resenha | A tormenta de espadas - As crônicas de gelo e fogo 3 - George R. R. Martin

Um comentário:
Você não sabe de nada, caro leitor!

Assim como na resenha de a Fúria dos Reis, nesse texto também há spoilers do livro anterior e talvez deste também, afinal de agora em diante se torna quase impossível comentar sobre os livros das Crônicas de Gelo e Fogo, sem falar sobre seus principais acontecimentos, mas prometo que vou tentar não entregar tudo o que acontece, pelo menos não com todas as letras.

Porra, Martin!

Peço desculpas ao puritanistas, mas não dá para não xingar. O cara é um gênio! Sério, quero ser igual a ele quando crescer, exceto pela barba branca e o jeito de papai noel!

Se nós, meros leitores, achavamos que já tinhamos nos acostumado com a falta de "apegação" aos personagens, descobrimos que não sabiamos nada. Na Tormenta de Espadas chegamos a um nível de quebra de expectativa tão grande, que as vezes é difícil acreditar no que o Martin escreveu.

Muita gente desiste dos livros na Fúria dos Reis, ou simplesmente trava empaca e tem dificuldade para continuar. Gostei do livro anterior, como já disse, mas enquanto ali você precisa se concentrar e criar paciência para sair de alguns trechos que parecem estar travados, na Tormenta a coisa muda totalmente de figura. É como ver um jogo de xadrez. Num momento as peças andam pelo tabuleiro, se posicionando, e quando você percebe várias estão prestes a ir pro cemitério e não há salvação.

O prólogo

O prólogo desse livro é a primeira coisa a surpreender, e nisso admito que não gostei de como ele foi para a TV na segunda temporada de Game of Thrones, mas... Vamos ver como vão continuar a cena.

No começo é óbvia a sensação de "vai dar merda", e isso realmente acontece, mas não do modo esperado de um assassinando o outro que está dormindo e conspirações na calada da noite. Quem leu até aqui sabe o que significa três assopros de corneta na Patrulha da Noite. E você consegue perceber o quão f*** isso é a partir do momento que um assassino se mija de medo.

Vilões não tão vilões

Uma das maiores surpresas desse livro é o personagem Jaime Lannister. Aqui ele começa a ter 'voz', e não dá para esperar grande boa coisa de um cara que empurrou uma criança para a morte. Mas...

O cara é legal! As motivações dele fazem sentido, e você começa a perceber que as 'maldades' que ele fez são por causa do amor doentio? que sente pela Cersei. E conforme os capítulos dele vão passando, dá para entender o que o fez matar o Rei Louco, afinal o que era mais certo para um cavaleiro, proteger o reino de um rei que seria capaz de matar a todos, ou matar um rei para salvar o reino?

E também é quase impossível deixar de lado a metáfora de que às vezes um homem precisa perder algo importante para valorizar outras coisas (entendam como quiser). Sem falar na brecha para novas fanfics de Jaime e Brienne, mas... Bom... Deixa pra lá.

Os Reis e as alianças

A guerra continua. Com Renly Baratheon morto, agora restam Joffrey, Stannis, Robb e Balon Greyjoy. E assim voltamos a discussão de quando uma atitude considerada errada pode ser boa, ou o contrário.

Vemos Melisandre e suas mandingas em ação de novo, dessa vez com Stannis ao seu lado, mesmo não sabendo se acredita em tudo aquilo ou não. Ele dá seu sangue e faz o sacrifício, nomeando seus principais adversários: Balon, Joffrey e Robb.

Em Porto Real, Tyrion caiu do pedestal. Sem o nariz, depois da tentativa de assassinato, e sem as glórias por ter vencido a batalha da Água Negra, que ficam com os Tyrell e seu pai, Tywin, o anão fica desolado, e só se sente pior quando é forçado a uma aliança incomum. Enquanto isso, Joffrey e Margaery Tyrell noivam, unindo Lannisters e Tyrells. E a Sansa? Bom... Preciso dizer mais? Sobre a Sansa, é difícil falar sem entregar 50% da surpresa do livro... E não, isso não se refere a só um fato!

E nas Terras Fluviais, Robb tem que lidar com a consequência de seus atos e com a ira de Catelyn. Um briga com o outro, mas ela tomou uma decisão por medo de perder seus únicos filhos vivos, afinal ela acredita que Bran e Rickon estão mortos, e Robb... Agiu pensando com outra cabeça.

O inverno está chegando

A Patrulha da Noite sofreu grandes baixas depois dos três sopros de corneta. Agora temos o ponto de vista de Sam, que se torna Sam, o matador, e ele tem a chance de rever Goiva e salvá-la, se f****** mais ainda

Enquanto isso, Jon caminha com os selvagens em direção a Muralha, e num golpe de sorte consegue fugir deles e corre para avisar seus irmãos que logo terão um exército para enfrentar, com direito a mamutes e gigantes. E graças a um cavaleiro aprendendo a ler, eles podem acabar vivendo para contar a história.

Mhysa

Do outro lado do mar, Daenerys também luta, mas sua guerra é contra os escravagistas da Baía dos Escravos, para onde seguiu depois de encontrar Arstan e Belwas, o forte, enviados por Illyrio para levá-la de volta à Pentos.

Seus dragões crescem e chamam atenção, e Dany quer um exército para ajudá-la a conquistar Westeros. Como nada é tão simples, ela se vê em algumas armações mas sai de todas muito bem, até descobrir que foi traída por uma das pessoas que mais confia. Com as cidades de Astapor e Yunkai derrotadas, ela conquista Meereen e decide aprender como é governar antes de partir.

Casamentos

No fim, não dá para não falar sobre os casamentos. Quatro casamentos importantes acontecem nesse livro. Dois em Porto Real, um nas Terras Fluviais, e um no Ninho da Águia, e um deles é bem conhecido e chamado de Casamento Vermelho.

Com o Casamento Vermelho é impossível não ficar p*** e chocado! Martin joga na cara do leitor que realmente ninguém está a salvo, nem com a proteção das leis da hospitalidade.

E graças a outro casamento, um personagem forte é acusado de assassinato, consegue fugir, descobre que foi traído, e mata quem o traiu e a pessoa que considera a culpada de toda a sua desgraça. Terminando com uma das grandes perguntas da série: "Para onde as putas vão?".

E o último casamento também revela um grande jogador, até então visto como um peão. Mas afinal, será que é um jogador mesmo, ou realmente só mais uma peça a ser movimentada?

[ATUALIZADO EM 24/11/2016]
Livro 1: A guerra dos tronos - resenha
Livro 2: A fúria dos reis - resenha

Divagando | Clichês das novelas

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Não sei se ultimamente estou reclamando demais, rabugenta demais, mas acho que a vida fica muito mais interessante assim, mesmo que isso me obrigue a ficar irritada toda vez que vejo a chamada de uma novela (especialmente da Globo, mas não unicamente).

Casais:

- Ela é uma santinha, lutadora, tentando vencer na vida de forma honesta e sempre com um sorriso no rosto e uma família que, apesar de sofrida, é muito unida e divertida.
- Ele é um rapaz rebelde e ao mesmo tempo boa praça. Tem qualquer mulher que quiser, mas no fundo está à procura daquela que fará sua vida ter sentido repentinamente.
- A mocinha e o mocinho se conhecem no primeiro capítulo, brigam por algum motivo idiota e, no momento seguinte, estão, cada um em sua casa, pensando algo como "porque eu não consigo parar de pensar naquele(a) maluco(a)?"
- A rival - ou o rival - é sempre alguém inescrupuloso, criminoso, ardiloso, convincente, nada original, ou seja, um perfeito psicopata! E é rico, claro, porque o núcleo rico das novelas é sempre mais numeroso que o núcleo pobre, totalmente condizente com a realidade do país, certo?
- Quando o casal está fazendo suas juras de amor eterno - depois de reveladoras três semanas que se conhecem -, o rival, que também é o vilão da história, aparece com um plano mirabolante, absurdo e genialmente articulado, que consegue separá-los "para sempre". (Eu coloquei três semanas, mas isso também pode acontecer em três dias, um dia... Nunca mais que um mês, fato!)
- Depois da primeira separação, o casal inicia um ciclo vicioso de vai e volta, zigue-zague, vai-não-vai infernal infinito, às vezes transformando o triângulo amoroso inicial em quadrado amoroso. (Um viva se alguma vez você torceu para a pobre alma que se meteu nesse quadrado amoroso).

Faz muito tempo que eu não consigo torcer para um casal de novela, pelo menos não o casal principal. Acho um saco ver o vilão vencer durante MAIS DA METADE da novela, e, no final, DO NADA, ou ele é PRESO, ou MORRE, ou descobrem que ele é DOIDO DE PEDRA - ou, como se tornou moda ultimamente, PSICOPATA!
Acho os casais secundários, que não tem vilões inescrupulosos, criminosos, ardilosos, convincentes, nada originais, ou seja, perfeitos psicopatas; porém, têm sua dose sadia de dificuldades, obstáculos, e triângulos amorosos com os quais o público realmente fica dividido!
Tenho uma teoria de porque os casais secundários são absurdamente mais interessantes que os principais. Diz o videoshow a lenda que são os casais principais que seguram uma novela, seguram uma novela e as matérias fúteis profundas do Videoshow. Por isso mesmo, esse casal tem mais história para ser contada, os detalhes precisam ser mais elaborados (não necessariamente realistas), a enrolação para o final feliz tem que ser maior e o "felizes para sempre" tem que ser discutido por, no mínimo, um mês depois da reprise do último capítulo num sábado qualquer.
(O que os autores realmente querem é que sua novela seja digna de comentário pelos próximos dez anos, mas sejamos francos, não lembramos nem da penúltima antes dessa).

Vilões:

Esses me fazem tremer. Não de medo. Não de aflição. Não de angústia. Não de raiva. Não de raiva do personagem, mas de quem o escreve. TODOS os autores. Simplesmente porque não consigo aceitar a ideia de um vilão, sem nenhum propósito na vida que não seja ser vilão. Tudo bem, eu leio livros de fantasia, entendo os conceitos de Voldemort, Sauron...
Mas são livros de fantasia com alguns elementos identificáveis no mundo real e a tentativa de tornar esse mundo fantasioso em realidade. A tentativa não quer dizer que houve falha em tornar real. Ao contrário, na fantasia, a tentativa, sem a aproximação efetiva com a realidade, é proposital. É, na verdade, um modo de facilitar ao leitor o acesso ao mundo que o autor criou, através de elementos que lhe são comuns.
Nas novelas, embora seja uma obra ficcional, não se trata de uma obra de fantasia (ignore novelas com mutantes, vampiros e Malhação). Segundo a concepção da própria Globo, as novelas são "espelhos da sociedade", nela se discutem assuntos atuais, polêmicos (como o homossexualismo, enjoadamente superficial nos canais de televisão aberta). É, ou pretende ser, uma forma de metalinguagem. Ela discute assuntos da sociedade que a assiste, a sociedade discute a novela e, consequentemente, os assuntos nela inseridos.
De fato, quando a novela tem o propósito de trazer à tona um problema da sociedade, algo que precisa ser escancarado, mas permanece escondido por vergonha, medo ou ignorância (como o homossexualismo, o amor obsessivo, a Síndrome de Down, o alcoolismo na adolescência, o uso de preservativos), eu até tolero. Mas me sinto enganada quando vejo um casal gay, que lutou por três meses (no nosso tempo, não no do "folhetim") para ficar juntos, e terminam com um grande, lindo e caloroso (leia-se o oposto do que escrevi) abraço!
Abraço!
Os vilões entram nas novelas com o único intuito de destruir tudo que é bom. E, de fato, cumprem seu papel direitinho, destruindo principalmente a própria novela!
Você não acha um saco quando o vilão se dá bem o tempo todo, com histórinhas pra boi dormir, nas quais só a mocinha cai. Coloque na conta:

- Flagra do namorado na cama, apagado, com outra mulher, nua. Quando ele acorda, não tem a mínima ideia de onde está. E a mocinha, que deveria estar vacinas com as artimanhas da rival, acredita que seu verdadeiro amor a trocou pela outra.
- Golpe da barriga. Com ou sem flagra na cama, a vilã aparece grávida, diz que o filho é do mocinho e então, mesmo que a mocinha acredite na historinha dele de que não sabia onde estava na ocasião do flagra, a mocinha, com seu inabalável senso de justiça, decide que a criança não tem culpa da mãe que tem e que merece o pai por perto.
Vamos analisar esse item. A mocinha, que tem um senso de justiça mais aguçado que o de advogado, prefere que a criança viva numa casa em que seus pais não se amam, vendo o pai dia após dia rancoroso com a "esposa" e sonhando com um amor impossível interrompido; É, muito justo!

Outra coisa que me cansa sobre os vilões: No final e só no final, no último capítulo, ele é mostrado pelo autor como maluco. E, a partir da loucura, ele tem três destinos: 1) Morrer em um acidente trágico; 2) Ser preso e condenado a fazer suas maluquices na cadeia; 3) Se ele for psicopata, e for preso, conseguirá fugir, convencendo o primeiro idiota de coração mole, que é inocente e quer justiça.

Falta um motivo maior para esses vilões, argumento melhor do que querer ficar com o(a) mocinho(a), uma razão de ser, que vá além de poder e dinheiro, e que encontre raízes melhores, mais elaboradas e menos simplórias que a psicopatia. Nenhum deles me convence. É um saco.

Núcleo de comédia:

Esse, de longe, mais do que os vilões mal construídos, são os que mais me dão náuseas! Isso porque a Globo ACHA que sabe fazer comédia. ACHA que sabe o que é fazer humor. E falha miseravelmente em todas as tentativas. Não vou falar aqui dos programas de humor da emissora (usando deliberadamente mal a palavra "humor"), mas volto nisso em outro post.
Aliás, os humoristas da Globo (com raras, bem raras exceções), ACHAM que sabem fazer humor.
E, quando você junta autores que acham que sabem escrever humor, com atores que acham que sabem fazer humor, com diretores que acham que sabem dirigir cenas de humor, você tem os lamentáveis núcleos de comédia nas novelas!
Nessa conta, coloque:

- Tortas na cara (Tortas, bolos, macarrão ou qualquer coisa que moradores de rua adorariam comer)
- Gritaria. Muita gritaria. Sem nenhum motivo, apenas gritaria.
- Malandragem (Acredite, até poligamia, ilegal no país, pode virar humor!)
- Desmaios (Sempre acompanhados com uma musiquinha que dá nos nervos)
- Jargão ("Todo mergulho é um flash", "Fiquei rosa-choque", "Né brinquedo não")
- Alguma música chata, de baixíssima qualidade, que vai arrecadar para a banda um convite pra ir no Domingão do Faustão ("Você não vale nada, mas eu gosto de você")
- Uma matéria no Videoshow contando quantas vezes o personagem usou seu jargão ou quantos desmaios teve nessa temporada de novelas, ou o nível de malandragem, ou qualquer coisa que só eles têm saco pra contabilizar.
- Tapas na cara. Aparentemente, isso é muuuuuito divertido (!)

No Leblon, apenas jogando conversa fora:

Novelas sem um vilão contam alguns pontos comigo, confesso. "Laços de família" e "Mulheres apaixonadas" foram alguns casos. Mas, antes que comece a ecoar "hipócrita" por aí, quero me defender, eu era bem mais nova quando assisti isso U.u ;
No entanto, hoje tenho uma visão muito mais ampla das coisas. E essas novelas, geralmente assinadas pelo mesmo autor, começaram a me dar nos nervos.
Tenho uma birra inexplicável e que não sei de onde veio, contra o Rio de Janeiro. Me desculpe se você é carioca, mas ter lido livros e mais livros de literatura brasileira passados no Rio de Janeiro e assistido novelas e mais novelas passadas no Leblon (Copacabana, Niterói e afins), eu meio que cansei.

Conversas sem nenhuma profundidade em lugares paradisíacos, risadas forçadas para mostrar a harmonia entre os amigos ricos, pessoas ricas falando sobre como a cidade está violenta e não podem mais sequer falar no celular no shopping que correm o risco de serem assaltados... Ah, coitados!!! Me identifico tanto com eles!!! Com aqueles carros importados, celulares de última geração, trabalhos em que podem sair a hora que querem, iates, casas de veraneio em Angra dos Reis... É TOTALMENTE a minha vida!!!

Sobre esse item, sem mais.

Sotaques:

Você nunca reconhece o sotaque da sua região, a menos que seja carioca.
Se você é paulista, colocarão um carioca (ou gaúcho, nunca reconheci aquele ator de Tempos Modernos), para falar "paulitês", enfiando "Meu's" goela abaixo.
Se você é gaúcho, basta o ator arrastar as frases e falar os "e's" das palavras certinho e você logo se reconhecerá na tela.
Se você é mineiro, tome "uai".
Se você é nordestino... Bem, tenho pena de você que, ou é obrigado a ouvir "carioquês" na novela inteira, ou a ouvir o sotaque nordestino mais pilantra da face da terra.
Se você é italiano... Não sei o que está fazendo que ainda não processou o Toni Ramos!

Obs. 1 da Ana: Os mocinhos normalmente são os galãs pegadores. E por isso é comum eles irem pra cama com a mocinha, a vilã e, pelo menos, mais uma idiota que cai de gaiata.

Obs. 2 da Ana: Os sotaques parecem sempre iguais nas novelas, tanto que não consigo diferenciar nordestino de mineiro, e italiano de indiano e agora turco. Isso sem falar que nessas que se passam em outros países, todo mundo sabe falar português... E fluente! Melhor até do que o povo que mora no Brasil.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Livro | Resenha | Diário de uma paixão - Nicholas Sparks

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Eu não gosto de romances. Bem, pelo menos não de histórias que tratam somente disso, e giram em torno disso, e só ficam nisso. Mas esse livro… esse maldito livro… eu não sei o que aconteceu comigo, mas aconteceu e provavelmente vai acontecer também com o próximo desavisado que colocar as mãos nele.

Eu decidi lê-lo assim que terminei “A fúria dos reis” do George R. R. Martim, e precisava de um livro para arejar a mente, uma leitura rápida, fácil, leve e cheia de açúcar. Além disso, eu já conhecia a história. Já tinha assistido o filme “Diário de uma paixão” com Rachel McAdams (Como Allie Hamilton) e Ryan Gosling (como Noah Calhoun) algumas vezes, e por isso achava estar preparada para o que viria: um romance de uma vida inteira, que enfrentou anos de separação e precisou passar por uma última prova no fim da vida. É meloso, é romântico, e amor entre velhinhos é muito fofo. É preciso ter um coração de ferro para não se emocionar.

Eu me emocionei no filme, sabia que aconteceria de novo no livro, mas não estava tão preparada como pensei. E nem posso dizer que não fui avisada. Eu sabia o que estava por vir.

Nicholas Sparks é um dos autores campeões de adaptações dos seus livros para o cinema. Você deve conhecer mais de um desses títulos: Diário de uma paixão (2004), Um amor para recordar (2002), Noites de tormenta (2008), Querido John (2010), Um homem de sorte (2012), A última música (2010), entre outros.

Algumas pessoas veem essa quantidade de livros sendo levados para o cinema e logo concluem que o autor deve ser muito bom. Outras pessoas sabem que romances “água-com-açúcar” fazem sucesso sempre, não importa a época ou a qualidade da escrita. Temos alguns exemplos bem recentes disso, basta ter romance e pronto, é sucesso, mesmo que sem um pingo de originalidade ou qualidade.

Mas o que esse número de livros adaptados para o cinema, e quase todos também sucesso nessa nova mídia, realmente significa? Nicholas Sparks é um escritor tão bom quanto parece? Bem, pensando na primeira e na segunda parte do livro em questão, minha resposta é “não” e “sim”.

O livro não é “oficialmente” dividido em duas partes, mas dá para perceber que há dois momentos distintos no livro. Logo no começo, temos uma narração em primeira pessoa, um simpático senhor com seus bem vividos oitenta anos de idade. Ele vive em um asilo, onde passa o tempo olhando a paisagem, lendo poesia para si e para os amigos, e sonhando com um milagre.

Todos os dias, ele pega seu diário e vai até o quarto de uma das pacientes do asilo, senta-se ao lado dela e começa a ler o conteúdo do diário. É um romance sobre dois jovens que se conheceram há muito tempo, ainda adolescentes, e que tiveram que se separar, seguir a vida, destinados a nunca esquecer aquele verão que passaram juntos, quando tinham dezesseis anos.

Nesse momento, temos um corte na narrativa em primeira pessoa, e passamos à narração em terceira pessoa. Descobrimos que os jovens se reencontraram anos depois e durante toda a primeira metade do livro, acompanhamos dois dias da vida deles.

Até aqui, o livro é um amontoado até bem organizado de situações fáceis e bonitinhas, até bobinhas algumas vezes, mas envolventes até certo ponto. Dá um apertozinho no coração quando o flashback acaba, mas é só um prelúdio do sofrimento que vem a seguir.

A escrita de Nicholas Sparks é simples e tem um quê de poesia, flui fácil, mas não é nada especial, embora ele compense em emoção. E, é aqui que você percebe que não estava preparada para a segunda parte do livro.

De verdade, nada te prepara realmente para o que vai encontrar quando o livro volta à narração em primeira pessoa, e aquelas emoções do personagem-narrador te pegam, te envolvem, te arrebatam e te deixam choramingando baixinho.

Inverno para dois, esse é o nome do capítulo que transforma um livro simples, fácil, leve e cheio de açúcar, em um livro feito para te fazer chorar.

Claro, pode ser que não agrade a todos. Provavelmente não vai agradar. Não sei dos outros livros de Nicholas Sparks. Se for julgar pelos livros, não só a temática do amor se repete, mas como os dramas apelões, e sinceramente, não sei quantas histórias parecidas eu aguento ler. Lembro que minhas amigas me diziam para assistir/ler “Um amor para recordar”, do mesmo autor, e quando finalmente assisti, não achei lá grande coisa.

Eu sinceramente não sei, não foi o melhor livro que li, mas ao mesmo tempo, vai entrar na galeria de favoritos. Pois foi um dos que mais me emocionou, e espero que faça o mesmo com quem decidir se arriscar também. Espero que mais pessoas decidam se arriscar.

Livros são feitos para emocionar, te fazer sentir alguma coisa, uma catarse, e esse é um daqueles livros, aqueles que parecem simples, mas que não são, e que te agarram sem você perceber. E que mal há nisso?

quarta-feira, 27 de março de 2013

Livro | Resenha | A fúria dos reis - As crônicas de gelo e fogo 2 - George R. R. Martin

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Valar Morghulis


Antes de qualquer coisa aviso que esse texto contém spoilers(!!!), principalmente para quem não leu o primeiro livro e nem viu a primeira temporada da série, portanto, leia por sua conta e risco.

Você pode ler a resenha de A Guerra dos Tronos aqui.

Se você está ansioso esperando que o segundo livro seja igual ao primeiro, pode se acalmar porque o ritmo de A Fúria dos Reis é mais tranquilo do que o de A Guerra dos Tronos. Os cliffhangers não são tão grandiosos. Eles parecem mais ter a função de preparar o terreno para o que está por vir nos próximos livros. Mas isso não impede cabeças de rolarem, e as reviravoltas não chocam tanto quanto as do primeiro livro, talvez porque aprendemos a esperar qualquer coisa enquanto continuamos xingando o Sr. Martin pela morte do Ned Boromir.

A guerra é quem mais governa em Westeros, que agora conta com cinco reis na briga: o imaturo Joffrey Baratheon, com sua mãe, a Rainha Regente Cersei, do lado dos Lannisters; os irmãos Renly e Stannis Baratheon do lado do reino, porém um contra o outro, sendo Stannis o irmão mais velho depois do Rei morto por um porco Robert, e Renly o mais novo, mas que acredita ter direito por ser mais carismático do que o irmão; Robb Stark, do lado dos Starks, como Rei do Norte e querendo vingança pela morte do pai; e Balon Greyjoy, do lado dos Greyjoys e do povo das Ilhas de Ferro, introduzindo novos e odiados personagens e POVs.

É uma massaroca de reis e motivações, tanto que Martin brinca com os próprios personagens fazendo piada sobre a quantidade de autoproclamados reis. Mas a história começa de novo, com um prólogo muito bem escrito, e um cometa, que é o principal assunto em boa parte do livro. Muitos o identificam como um sinal favorecendo algum rei ou alguma batalha, mas outros sabem que ele também pode significar a volta dos dragões.

A história na parte não congelada de Westeros

Em Porto Real (King's Landing), observamos os acontecimentos pelos olhos de Sansa e Tyrion. A garota Stark vive como refém e prometida ao cruel Rei Joffrey, que não polpa esforços em maltratá-la e humilhá-la. Admito que comecei a sentir um pouco de dó dela, mas passou. Enquanto isso, Tyrion tenta colocar juízo na cabeça do sobrinho e ordem no reino, mas para isso ele precisa descobrir quem trabalha para quem naquele ninho de cobras e em quem ele pode confiar para fazer as coisas certas e não acabar perdendo a cabeça, literalmente.

Em Ponta Tempestade (Storm's End) é a vez de Renly Baratheon, que teoricamente não tem direito a nada, mas acredita que sim por ser mais popular. Ele tem o apoio dos Tyrell, uma das famílias mais ricas e influentes de Westeros, e se prepara para lutar contra o irmão Stannis. Alí vemos parte da história pelos olhos de Catelyn, que vai em busca de uma aliança para o filho Robb, e com ela conhecemos Brienne, uma mulher apaixonada por Renly e disposta a serví-lo como uma guerreira. Cat imediatamente lembra de Arya, e teme pela vida das filhas.

Em Pedra do Dragão (Dragonstone) conhecemos Stannis pelos olhos de um novo personagem, Davos, o cavaleiro das cebolas. Os dois personagens aparecem pela primeira vez no prólogo, enquanto conhecemos um dos maiores mistérios desse livro, Melisandre, a sacerdotisa vermelha que o Stannis pega e que muitos também gostariam de pegar. A reinvidicação de Stannis ao Trono de Ferro começa assim que ele recebe a carta do falecido Ned, contando que os filhos da Rainha Cersei não são do Rei Robert, mas sim resultado da relação incestuosa dela com o irmão Jaime. Ao contrário do Ned, Stannis foi esperto e espalhou a história, provocando mais revolta tanto para quem odeia Joffrey e os Lannisters quanto para eles próprios, que tentam abafar o caso.

Nas Terras Fluviais (Riverlands) trombamos de novo com Catelyn, apoiando o filho na guerra contra os Lannisters, e com Brienne a seu serviço. Mas a situação muda um pouco quando recebe uma notícia de Winterfell, e decide fazer algo que pode mudar muita coisa no jogo dos tronos.

Ali perto encontramos Arya, primeiro como o órfão Arry e depois como Nan. Ela cria uma lista, com o nome de todos que quer matar e repete esses nomes todas as noites, como uma oração, e não demora muito até que tenha uns nomes a menos da lista, com a ajuda de um estranho, chamado Jaqen H'ghar.

No norte temos a não tão ilustre presença de Theon, agora também com capítulos próprios. Com ele conhecemos as Ilhas de Ferro, seus habitantes, sua irmã e seu pai, que agora se denomina Rei Balon Greyjoy, e quer reinvidicar o norte, pagando o preço de ferro. Theon, numa tentativa desesperada e burra de provar ser um homem de ferro para o pai, 'toma' Winterfell, faz caquinha e se f***.

Para lá da Muralha

Para os fãs do Jon, ele está de volta e não é um rei (ufa!), mas ele foi um dos vários patrulheiros escalados para a expedição ao norte da Muralha, junto com o próprio Lord Comandante Mormont, afim de investigar o desaparecimento de outros patrulheiros, entre eles Benjen Stark. Quando acampam no Punho dos Primeiros Homens, Jon encontra algumas armas feitas de vidro de dragão e depois segue com o patrulheiro Qhorin Meia-Mão, para descobrir o que o Rei-Para-Lá-da-Muralha, Mance Rayder, anda fazendo. Nisso ele conhece uma selvagem e apronta várias confusões com uma turminha do barulho.

E os dragões?

Depois de ter sido considerada louca por ter entrado na pira funerária de Khal Drogo, ela fez cair o queixo daqueles que ainda a seguiam, primeiro por sair viva e segundo por sair amamentando três dragões. Mas ai eles são obrigados a seguir viagem, afinal ficar parados ali é o mesmo que querer morrer.

Eles caminham pelo deserto até encontrarem uma cidade abandonada, que chamam de Vaes Tolorro (a Cidade dos Ossos), e ali decidem viver até restabelecerem suas forças. Enquanto isso, Daenerys manda alguns de seus companheiros em todas as direções, para saber o que podiam esperar vivendo ali. Assim ela acaba conhecendo Xaro Xhoan Daxos, Pyat Pree e Quaithe, que vem de Qarth com um de seus enviados.

Em Qarth, Dany conhece a Casa dos Imortais, onde tem revelações e ouve profecias, sobrevive a novos atentados, cria novos inimigos e encontra um novo amigo, vindo de Westeros depois de mandar um rei se f***.

Resumindo...

A Fúria dos Reis é um bom livro, mas também é um dos que requer mais paciência para ser lido e apreciado. No entanto, todo o 'esforço' é recompensado nos próximos livros, quando podemos ver até algumas das profecias da Casa dos Imortais virando realidade.

[ATUALIZADO EM 24/11/2016]
Livro 1: A guerra dos tronos - resenha
Livro 2: A tormenta de espadas - resenha